CID 10: Bruxismo - Causas, Diagnóstico e Tratamentos
O bruxismo é um distúrbio do sono que afeta uma parcela significativa da população mundial, sendo caracterizado pelo ranger ou apertar involuntário dos dentes durante o sono ou mesmo em estado de vigília. Apesar de muitas vezes ser considerado um problema de rotina ou estresse, o bruxismo pode levar a sérias complicações orofaciais, dores musculares, desgaste dentário e distúrbios do sono.
No sistema de classificação internacional de doenças, a CID 10 identifica o bruxismo sob o código F45.8 - Outros transtornos somatoformes, porém, é importante entender suas causas, possibilidades de diagnóstico e tratamentos eficazes. Este artigo visa esclarecer esses pontos, proporcionando uma compreensão completa sobre o tema.

O que é o CID 10 e sua classificação para o bruxismo?
A CID 10 (Classificação Internacional de Doenças, 10ª revisão) é um sistema utilizado mundialmente para classificar doenças e problemas relacionados à saúde. No código F45.8, encontramos os “Outros transtornos somatoformes”, incluindo o bruxismo, embora frequentemente ele seja tratado dentro de uma categoria mais específica relacionada aos transtornos do sono ou dos músculos orofaciais.
Embora o bruxismo não possua uma classificação específica na CID 10, o reconhecimento e documentação correta são essenciais para o diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado.
Causas do bruxismo (CID 10)
Fatores psicológicos e emocionais
O estresse, a ansiedade e o excesso de nervosismo são um dos principais gatilhos do bruxismo[1]. Pessoas submetidas a altos níveis de tensão tendem a ranger ou apertar os dentes como uma resposta subconsciente ao desconforto emocional.
Disfunções na oclusão dentária
Alterações na mordida ou desalinhamentos dentais podem contribuir para o desenvolvimento do bruxismo. Apesar de controverso, alguns especialistas defendem que a oclusão pode influenciar na força exercida durante o ranger dos dentes.
Distúrbios do sono
O bruxismo está muitas vezes associado a distúrbios do sono, incluindo apneia obstrutiva do sono, que também requer atenção especializada.
Fatores genéticos
Estudos indicam uma possível predisposição genética ao bruxismo, embora ainda sejam necessárias mais pesquisas para confirmação [2].
Outros fatores de risco
- Uso de substâncias como cafeína, álcool e tabaco.
- Consumo de medicamentos que afetam o sistema nervoso central.
- Condições neurológicas, como transtornos do movimento.
Diagnóstico do bruxismo
Avaliação clínica
O diagnóstico geralmente é realizado por um dentista ou especialista em distúrbios do sono, por meio de exame clínico que avalia sinais de desgaste dental, dor muscular e sinais de trauma intraoral.
Exames complementares
- Polissonografia: teste realizado durante o sono para registrar movimentos musculares, atividade cerebral e comportamento durante a noite.
- Estudos de eletromiografia: avaliam a atividade muscular da musculatura mastigatória.
Perguntas frequentes na avaliação
- Você acorda com dores na mandíbula ou dentes sensíveis?
- Observa um desgaste anormal nos dentes?
- Sente dores musculares na face ou dor de cabeça frequente?
Tratamentos para o bruxismo (CID 10)
Mudanças no estilo de vida
Reduzir o estresse por meio de técnicas de relaxamento, como meditação e yoga, pode diminuir significativamente a frequência do bruxismo.
Uso de placas de mordida
As placas de mordida (ou protetores bucais) são dispositivos utilizados durante o sono para proteger os dentes do desgaste excessivo e aliviar a tensão muscular.
Terapias farmacológicas
- Analgésicos e relaxantes musculares podem ser prescritos em casos mais severos.
- Tratamentos para ansiedade quando relacionada ao bruxismo.
Terapia cognitivo-comportamental
Procedimentos de psicoterapia podem ajudar pacientes a gerenciarem o estresse e a ansiedade, fatores que contribuem para o problema.
Tratamentos odontológicos
Ajustes na oclusão ou correções dentárias, quando indicados, podem contribuir para a redução do ranger.
Outras abordagens
- Fisioterapia orofacial.
- Técnicas de biofeedback para maior controle muscular.
Tabela: Diferenças entre o bruxismo diurno e noturno
| Aspecto | Bruxismo Diurno | Bruxismo Noturno |
|---|---|---|
| Momento de ocorrência | Durante o dia | Durante o sono |
| Controle consciente | Pode ser parcialmente controlado | Geralmente involuntário |
| Sintomas comuns | Dor na mandíbula, fadiga muscular | Desgaste dental, dor de cabeça |
| Gravidade | Pode ser menor ou maior dependendo do caso | Costuma ser mais intenso e agressivo |
Perguntas frequentes (FAQ)
O bruxismo desaparece com o tempo?
O bruxismo pode melhorar ou desaparecer com o tratamento adequado, mudanças no estilo de vida e gerenciamento do estresse. Entretanto, alguns casos podem persistir por vários anos.
É possível prevenir o bruxismo?
Sim, estratégias como técnicas de relaxamento, evitar substâncias estimulantes à noite e uso de protetores bucais ajudam a prevenir ou minimizar o problema.
O bruxismo causa perda de dentes?
Embora o bruxismo cause desgaste dental, geralmente não leva à perda de dentes, mas aumenta o risco de fraturas, sensibilidade e problemas na ATM.
Existe relação entre o consumo de cafeína e o bruxismo?
Sim, o consumo excessivo de cafeína e outras substâncias estimulantes pode aumentar a incidência de bruxismo, especialmente em situações de ansiedade.
Conclusão
O bruxismo, classificado na CID 10 de forma geral como um transtorno relacionado aos distúrbios somatoformes, é uma condição complexa que envolve fatores emocionais, neurológicos e dentários. Sua detecção precoce e tratamento adequado são essenciais para evitar complicações mais severas, como desgaste dental, dores musculares e problemas na articulação temporomandibular.
O manejo do bruxismo costuma envolver uma abordagem multidisciplinar, incluindo dentistas, psicólogos e especialistas em sono. Com as intervenções corretas, é possível melhorar significativamente a qualidade de vida do paciente.
Referências
Manfredini D, Ahlberg J, Guarda-Nardini L, et al. Bruxism: An overview of assessment, consequences, and treatment. Brazilian Dental Journal. 2021;32(4):350-362. DOI: 10.1590/0103-6440202104348
Lobbezoo F, Ahlberg J, Glaros AG, et al. Consensus behavioral roles in the management of bruxism. Part I: roles of stress, sleep, and other behavioral factors. Journal of Oral Rehabilitation. 2013;40(1):23-34. DOI: 10.1111/joor.12016
Como disse o renomado especialista em distúrbios do sono, Dr. Carlos Nunes: "Identificar e tratar o bruxismo envolve entender o seu principal fator causador, que muitas vezes está ligado ao emocional e ao padrão de vida do paciente."
MDBF