CID 10: Angina Instável - Diagnóstico e Tratamento Eficaz
A angina instável é uma condição cardíaca grave que exige atenção imediata e manejo adequado. Como uma das principais manifestações de doença arterial coronariana, ela representa uma situação de risco elevado para infarto do miocárdio e morte súbita. No sistema de classificação internacional de doenças (CID 10), ela é categorizada sob o código I20.8, conhecido como “Outras formas de angina”. Este artigo abordará de forma detalhada o diagnóstico e tratamento eficaz da angina instável, além de fornecer informações essenciais para profissionais de saúde, pacientes e familiares.
O que é a angina instável?
Definição
A angina instável é caracterizada por dor no peito de início súbito, que ocorre com maior frequência, intensidade ou duração, podendo até ocorrer em repouso, diferentemente da angina estável, que é previsível e desencadeada por esforço físico.

Diferenças entre angina estável e instável
| Características | Angina Estável | Angina Instável |
|---|---|---|
| Início | Durante esforço ou esforço moderado | Em repouso ou com esforço mínimo |
| Frequência | Relativamente previsível | Aumenta em frequência e intensidade |
| Duração | Menores de 20 minutos | Pode durar mais de 20 minutos |
| Resposta ao tratamento com nitratos | Boa | Pode ser resistente ou incompleta |
| Risco de complicações | Menor | Alto (infarto, morte súbita) |
CID 10: Classificação da Angina Instável
De acordo com o Código Internacional de Doenças (CID 10), a angina instável está classificada assim:
- I20.0 – Angina instável
- I20.8 – Outras formas de angina (caso envolva aspectos não classificados em categorias específicas)
- I20.9 – Angina não especificada
A classificação exata facilita o diagnóstico, acompanhamento e tratamento adequado, além de padronizar a comunicação entre profissionais de saúde.
Diagnóstico da Angina Instável
Avaliação clínica
O primeiro passo é a anamnese detalhada, que deve abordar:
- Descrição da dor: local, irradiação, intensidade, duração e fatores agravantes ou atenuantes
- História de fatores de risco: hipertensão, diabetes, dislipidemia, tabagismo, história familiar de doenças coronarianas
- Episódios prévios de angina ou infarto
Exame físico
Apesar de muitas vezes ser normal durante os episódios, o exame físico pode identificar sinais de hipertensão, edema ou outros sinais de insuficiência cardíaca.
Exames complementares
| Exame | Objetivo | Quando solicitar |
|---|---|---|
| Eletrocardiograma (ECG) | Detectar alterações isquêmicas ou arritmias | Imediatamente na suspeita de angina |
| Teste de esforço | Avaliar a resposta do coração ao esforço | Quando o paciente estiver estável |
| Echocardiografia | Visualizar paredes cardíacas e função ventricular | Para avaliar hypotheek ou disfunção |
| Enzimas cardíacas | Detectar infarto recente ou damage cardíaco | Sempre que houver suspeita de infarto |
| Coronariografia | Visualizar obstruções arteriais coronarianas | Quando há elevado risco ou confirmação diagnóstica |
Critérios diagnósticos
Segundo a classificação de Toronto, a angina instável apresenta pelo menos um dos seguintes:
- Dor nova ou diferente na sua característica habitual
- Episódios de angina que ocorrem com esforço mínimo ou repouso
- Aumento na frequência, duração ou intensidade dos episódios prévios
Tratamento da Angina Instável
Cuidados iniciais
A prioridade é estabilizar o paciente, reduzir as manifestações clínicas e prevenir complicações. O tratamento deve ser iniciado o quanto antes.
Tratamento farmacológico
Medicações de emergência
- Nitratos (sildenafil, nitroglicerina): alívio rápido da dor
- Morfina: analgésico poderoso, quando necessário
- Oxigênio: se saturação estiver abaixo de 94%
- Betabloqueadores: para reduzir a frequência cardíaca e a demanda de oxigênio
- Artéria coronária: em casos graves, pode ser necessária intervenção coronariana percutânea ou cirúrgica
Medicações de manutenção
- AAS (ácido acetilsalicílico): antiplaquetário
- Clopidogrel ou ticagrelor: antiplaquetários alternativos ou complementares
- Betabloqueadores
- Inibidores da angiotensina (IECA ou BRA)
Intervenções invasivas
| Procedimento | Indicação | Objetivo |
|---|---|---|
| Angioplastia coronariana (PCI) | Obstruções relevantes, estabilização aguda | Restabelecer fluxo sanguíneo |
| Cirurgia de revascularização miocárdica | Múltiplas obstruções, impossibilidade de PCI | Melhorar fluxo sanguíneo |
Para uma abordagem personalizada, a equipe médica avalia o risco, extensão das obstruções e condições clínicas do paciente.
Mudanças no estilo de vida
- Parar de fumar
- Alimentação saudável e equilibrada
- Atividade física regular, sob supervisão médica
- Controle rigoroso de diabetes, hipertensão e dislipidemia
Prevenção da Angina Instável
A prevenção deve incluir o controle rigoroso dos fatores de risco, adesão ao tratamento medicamentoso e acompanhamento regular com o cardiologista.
Tabela de fatores de risco e medidas preventivas
| Fator de risco | Medidas preventivas |
|---|---|
| Hipertensão arterial | Dieta, atividade física, medicamentos quando necessário |
| Dislipidemia | Dieta, medicamentos específicos, redução do consumo de gorduras saturadas |
| Diabetes mellitus | Controle glicêmico rigoroso |
| Tabagismo | Cessação total do tabaco |
| Sedentarismo | Incentivar atividade física regular |
| Obesidade | Perda de peso, alimentação balanceada |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quais são os sintomas mais comuns da angina instável?
Resposta: Dor ou desconforto no peito, que pode irradiar para braço esquerdo, pescoço, mandíbula ou costas, acompanhado de sudorese, falta de ar, náusea e sensação de descontrole.
2. A angina instável pode levar ao infarto do miocárdio?
Resposta: Sim. A angina instável é uma condição de alto risco de evoluir para infarto, especialmente se não for tratada rapidamente.
3. Como é feito o diagnóstico definitivo?
Resposta: A angina instável é baseada na anamnese clínica, exames complementares como ECG e enzimas cardíacas, além de exames invasivos como a coronariografia, se necessário.
4. Quais os riscos do tratamento invasivo?
Resposta: Como qualquer procedimento, há risco de complicações, como oclusão arterial, hemorragia ou reações adversas aos medicamentos utilizados.
5. É possível prevenir a angina instável?
Resposta: Sim. A adoção de um estilo de vida saudável, controle dos fatores de risco e adesão ao tratamento medicamentoso são essenciais na prevenção.
Conclusão
A angina instável, representada pelo código CID 10 I20.0, é uma emergência médica que requer diagnóstico precoce e tratamento eficaz para evitar complicações graves. O reconhecimento dos sintomas, a avaliação clínica detalhada e o uso de exames complementares são fundamentais para orientar as intervenções adequadas. Além do tratamento medicamentoso, a mudança no estilo de vida e a prevenção dos fatores de risco desempenham papel central na melhora da qualidade de vida do paciente e na redução de eventos cardiovasculares.
Como afirmou Hippocrates, considerado o pai da medicina: "A cura é a arte de fazer o doente feliz" — e essa felicidade passa por cuidados adequados, prevenção e atenção contínua à saúde do coração.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão. 2019.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretrizes de rotina na hipertensão arterial e doenças coronarianas. 2021.
- Ministério da Saúde. Protocolos de atenção à emergência de síndrome coronariana aguda. Brasília, 2022.
- Braunwald's Heart Disease: A Textbook of Cardiovascular Medicine, 12th Edition.
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Este artigo foi elaborado para fornecer informações educativas e não substitui aconselhamento médico profissional.
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