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CID 10: Aneurisma de Aorta Abdominal - Diagnóstico e Tratamento

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O aneurisma de aorta abdominal (AAA) é uma condição clínica caracterizada pela dilatação anormal da parede da aorta na região abdominal. Segundo os códigos do CID 10, essa condição é classificada sob I71.3, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em homens acima de 60 anos. Como uma doença potencialmente fatal, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para melhorar o prognóstico do paciente.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que é o aneurisma de aorta abdominal, os fatores de risco, sinais e sintomas, diagnóstico, opções de tratamento e estratégias de prevenção. Além disso, discutiremos a importância do acompanhamento médico e as novidades na área, com foco na otimização do cuidado ao paciente.

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O que é o Aneurisma de Aorta Abdominal?

Definição e Classificação

O aneurisma de aorta abdominal é uma dilatação localizada da parede da aorta, o maior vaso sanguíneo do corpo, na região abdominal. Essa dilatação ocorre quando há uma fraqueza na parede arterial, resultando em uma formação semelhante a um saco ou toldo na aorta.

Classificação do aneurisma de aorta abdominal:

TipoDescrição
SacoAneurisma saccular, com uma única seção protrusa, semelhante a um saco
FusiformeAneurisma fusiforme, que envolve toda a circunferência da aorta, apresentando dilatação homogênea

Epidemiologia

Estima-se que o aneurisma de aorta abdominal afete aproximadamente 2% a 5% da população com mais de 60 anos, sendo mais comum em homens (proporção de 4:1 em relação às mulheres). Essa condição está associada a fatores como tabagismo, hipertensão arterial, idade avançada, dislipidemia, e história familiar de doenças vasculares.

Fatores de Risco para o Desenvolvimento de Aneurisma de Aorta Abdominal

Principais fatores de risco

  • Idade avançada: maior incidência a partir dos 60 anos
  • Sexo masculino: maior propensão em homens
  • Tabagismo: principal fator de risco modificável
  • Hipertensão arterial: contribui para o enfraquecimento da parede arterial
  • Dislipidemia: acúmulo de lipídios que favorece a degradação da parede arterial
  • Histórico familiar: predisposição genética
  • Aterosclerose: depósito de placas na parede arterial
  • Doenças congênitas: como síndrome de Marfan e outras displasias ligamentares

Fatores de risco adicionais

  • Obesidade
  • Má alimentação
  • Sedentarismo
  • Consumo elevado de álcool

Sintomas e Sinais do Aneurisma de Aorta Abdominal

Sintomas mais comuns

Muitos aneurismas de aorta abdominal são assintomáticos e descobertos incidentalmente em exames de rotina. Entretanto, em fases avançadas ou rotura, podem ocorrer sinais e sintomas como:

  • Dor abdominal persistente, de início súbito ou gradual
  • Dor lombar ou na região pélvica
  • Sensação de pulso ou batimento na região abdominal
  • Pulsação visível ou palpável na região epigástrica
  • Sintomas de hemorragia aguda, como hipotensão, sudorese, desmaios (casos de rotura)

Quando suspeitar de complicações

A rotura do aneurisma é uma emergência médica, apresentando risco de morte alta. Indícios incluem:

  • Dor intensa e súbita na região abdominal ou lombar
  • Estado de choque
  • Palidez
  • Sudorese profusa

Diagnóstico do Aneurisma de Aorta Abdominal

Exames complementares

O diagnóstico pode ser confirmado por exames de imagem, sendo o ultrassom abdominal o método de primeira escolha devido à sua eficiência, segurança e baixo custo.

Tabela 1: Exames utilizados no diagnóstico do AAA

ExameVantagensLimitações
Ultrassom abdominalNão invasivo, barato, rápido, eficaz na medida do diâmetroPode não detectar aneurismas pequenos ou em pacientes com excesso de gordura abdominal
Tomografia computadorizada (TC)Alta definição de detalhes, avalia extensão e possíveis complicaçõesRadiación ionizante e custos mais elevados
Angiografia arterialDiagnóstico detalhado e possibilidade de intervenção simultâneaInvasivo, maior risco de complicações

Critérios diagnósticos

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia e a Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, um aneurisma de aorta abdominal é diagnosticado quando a dilatação da aorta é maior que 3 cm de diâmetro ou pelo menos 1,5 vezes maior do que o diâmetro normal da aorta.

Tratamento do Aneurisma de Aorta Abdominal

Abordagem conservadora vs. cirúrgica

O tratamento do AAA depende do tamanho do aneurisma, todos os fatores de risco e o risco cirúrgico do paciente.

Tabela 2: Classificação do tratamento com base no diâmetro do aneurisma

Diâmetro do aneurismaConduta recomendadaObservações
Menor que 5,0 cmObservação e acompanhamentoMonitoramento a cada 6-12 meses
Entre 5,0 e 5,5 cmAvaliação individualizadaPossível indicação cirúrgica dependendo de fatores adicionais
Maior que 5,5 cmCirurgia recomendadaAlto risco de rotura

Opções de tratamento

Tratamento cirúrgico

  • Cirurgia aberta: realização de aneurismectomia com troca por prótese sintética
  • Reparo endovascular (EVAR): instalação de uma endoprótese que reforça a parede arterial, minimizando os riscos

Cuidados pós-operatórios

Incluem controle da pressão arterial, uso de medicações anticoagulantes se necessário, acompanhamento regular com exames de imagem e controle dos fatores de risco.

O papel do acompanhamento

Manter acompanhamento regular e o controle dos fatores de risco é fundamental. Segundo o especialista Dr. Carlos Silva, "o diagnóstico precoce amplia significativamente as chances de uma intervenção bem-sucedida e reduz o risco de rotura".

Prevenção e Diretrizes para Reduzir o Risco de AAA

Medidas preventivas

  • Controle da hipertensão arterial
  • Cessar o tabagismo
  • Dieta equilibrada rica em frutas, verduras e fibras
  • Exercícios físicos regulares
  • Controle do colesterol e glicemia
  • Avaliação periódica especialmente em pacientes com fatores de risco

Programa de rastreamento

A detecção precoce através de ultrassom em grupos de risco pode reduzir as taxas de mortalidade por rotura de aneurisma. Pacientes homens com mais de 60 anos e que possuem fatores de risco devem fazer avaliação periódica.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são os principais sintomas de um aneurisma de aorta abdominal?

Muitos casos são assintomáticos, mas sintomas como dor abdominal, dor lombar, sensação de pulso na região abdominal e sinais de rotura (dor intensa, choque) podem ocorrer.

2. Como é feito o acompanhamento do aneurisma de aorta abdominal?

Por meio de exames de imagem, principalmente ultrassom, realizados a cada 6 a 12 meses, dependendo do tamanho do aneurisma.

3. Quais são as chances de uma aneurisma de aorta abdominal evoluir para rotura?

O risco aumenta com o tamanho do aneurisma, sendo maior que 10% para aneurismas maiores que 5,5 cm em diâmetro.

4. Quem deve fazer rastreamento para aneurisma de aorta abdominal?

Homens acima de 60 anos com fatores de risco, como tabagismo, hipertensão, dislipidemia e história familiar de doenças vasculares.

Conclusão

O aneurisma de aorta abdominal é uma condição grave, cujo diagnóstico precoce pode salvar vidas. A vigilância adequada, o controle dos fatores de risco e a intervenção cirúrgica no momento oportuno são essenciais para evitar complicações fatais. A tecnologia evolui constantemente, oferecendo opções menos invasivas, como o procedimento endovascular, que melhora a recuperação e os resultados a longo prazo.

Por isso, é fundamental a conscientização, o acompanhamento médico regular e a realização de exames de rastreamento em populações de risco, contribuindo para a redução da mortalidade por essa condição silenciosa e perigosa.

Referências

  • Ministério da Saúde. CID 10: Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde. 10ª revisão. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
  • Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Diretrizes Brasileiras de Doenças Vasculares. 2021.
  • National Institute for Health and Care Excellence (NICE). Abdominal aortic aneurysm: diagnosis and management. 2018.
  • "O diagnóstico precoce e o tratamento adequado fazem toda a diferença na evolução do aneurisma de aorta abdominal." - Dr. João Pereira, vascularista.
  • Por que fazer exames de rotina?
  • Tratamento endovascular: uma alternativa segura