Choque Hipovolêmico CID: Diagnóstico e Tratamento Otimizados
O choque hipovolêmico é uma emergência médica grave que pode levar à insuficiência de órgãos e, se não tratado a tempo, à morte. O CID (Classificação Internacional de Doenças) fornece códigos específicos para essa condição, facilitando a sua padronização para fins clínicos e estatísticos. Este artigo aborda de forma aprofundada o diagnóstico, tratamento e prognóstico do choque hipovolêmico, oferecendo informações essenciais para profissionais de saúde e estudantes.
"A rapidez na identificação e intervenção no choque hipovolêmico pode salvar vidas." – Epidemiologistas sanitários

O que é o choque hipovolêmico?
Definição
O choque hipovolêmico ocorre quando há uma perda significativa de volume sanguíneo ou de líquidos corporais, levando à diminuição do retorno venoso, redução do débito cardíaco e insuficiência de circulação sanguínea para órgãos vitais.
Etiologia
As principais causas do choque hipovolêmico incluem:
- Hemorragias agudas (trauma, cirurgias, hemorragias internas)
- Desidratação severa (vômitos, diarreia, sudorese excessiva)
- Queimaduras extensas
- Perdas de líquidos por diálise ou diuréticos em excesso
CID relacionado ao choque hipovolêmico
De acordo com a CID-10, o código geral para choque devido a hipovolemia é R57.3. No entanto, diferentes causas específicas podem ser codificadas sob outros códigos:
| Código CID-10 | Descrição | Causa Comum |
|---|---|---|
| R57.3 | Choque hipovolêmico | Perda de sangue ou líquidos |
| T81.0 | Traumatismo de órgãos internos, ferimentos, sangramento | Hemorragias internas |
| I95.0 | Hipotensão postural | Complicação secundária |
Diagnóstico do choque hipovolêmico
Sinais e sintomas
A avaliação clínica é fundamental para suspeitar de choque hipovolêmico. Os sinais incluem:
- Palidez e sudorese fria
- Taquicardia
- Hipotensão arterial
- Vida urinária reduzida
- Alterações no estado de consciência
- Pulso fraco e rápido
- Alterações respiratórias (dispneia, taquipneia)
Exames laboratoriais e complementares
| Exame | Objetivo | Resultados esperados |
|---|---|---|
| Hemograma | Avaliar perda sanguínea | Hematócrito elevado na hemorragia, baixo na desidratação |
| Gasometria arterial | Avaliar acidose e oxigenação | Acidose metabólica ou respiratória |
| Exames de coagulação | Avaliar risco de sangramento | Pode estar alterado em casos graves |
| Urinálise | Avaliar função renal e hidratação | Diminuída diurese, oligúria |
| Imagem (ultrassom, TC) | Detectar fonte de sangramento ou lesões internas | Hematomas, hemorragias internas |
Diagnóstico diferencial
O clínico deve distinguir o choque hipovolêmico de outras formas de choque, como o cardiogênico, distributivo ou obstrutivo, por meio de avaliação clínica detalhada e exames complementares.
Tratamento do choque hipovolêmico
Objetivos principais
- Restaurar o volume circulante
- Corrigir a causa primária
- Manter a perfusão dos órgãos vitais
Abordagem inicial
Estabilização hemodinâmica
- Administração de fluidos isotônicos (soro fisiológico ou solução glucosada 5%)
- Terapia com produtos sanguíneos em casos de hemorragia evidente
- Vasopressores somente na fase de manutenção após reposição de volume
Reposição de volume
Tabela 1: Protocolos de reposição volêmica
| Situação | Tipo de fluidos | Volume inicial recomendado |
|---|---|---|
| Hemorragia aguda | Cristaloides + transfusão sanguínea | 20 mL/kg de cristaloide inicialmente, ajustes conforme resposta |
| Desidratação severa | Cristaloides (soro fisiológico ou Ringer lactato) | 30 mL/kg em bolus até estabilização |
| Queimados extensos | Cristaloides + manutenção contínua | Vetores de líquidos baseados na superfície queimada |
Monitoramento contínuo
- Avaliação frequente da pressão arterial, frequência cardíaca e diurese
- Monitorização de gases arteriais
- Controle de sinais de sobrecarga de volume, como edema pulmonar
Tratamento da causa primária
- Controle de hemorragias com intervenção cirúrgica ou procedimentos endoscópicos
- Correção de perdas de líquidos e eletrólitos
- Tratamento de patologias associadas (ex.: infecções, queimaduras)
Complicações do choque hipovolêmico e como evitá-las
| Complicação | Como prevenir | Consequências potenciais |
|---|---|---|
| Insuficiência renal | Reposição adequada de volume e eletrólitos | Insuficiência renal aguda |
| Coagulação disseminada | Controle do sangramento e suporte plasma | Sangramento descontrolado |
| Edema pulmonar | Monitoramento e ajuste de líquidos | Dificuldade respiratória |
Para uma abordagem detalhada e atualizada, consulte Sociedade Brasileira de Medicina de Emergência (SBME) e Hospital Israelita Albert Einstein.
Perguntas frequentes
1. Como identificar o choque hipovolêmico precocemente?
Resposta: A identificação precoce envolve avaliação rápida de sinais vitais, observação de sinais de hipóxia, queda da pressão arterial e aumento da frequência cardíaca, além do histórico clínico de perdas de líquidos ou sangue.
2. Qual a diferença entre choque hipovolêmico e outros tipos de choque?
Resposta: O choque hipovolêmico decorre de perda de volume, enquanto o choque cardiogênico é devido ao mau funcionamento do coração, e o choque distributivo envolve vasodilatação excessiva, como no sepse.
3. Quais são as recomendações atuais para reposição de líquidos?
Resposta: A reposição deve ser guiada pela avaliação clínica contínua, uso de parâmetros laboratoriais e monitorização invasiva quando necessário. A reposição com cristaloides é prioridade inicial, seguido de transfusões se há hemorragia.
Conclusão
O choque hipovolêmico CID representa uma condição potencialmente fatal, mas que possui tratamento eficaz se iniciado rapidamente e de forma adequada. O reconhecimento precoce dos sinais clínicos, aliado a uma abordagem terapêutica integrada e suporte contínuo, pode melhorar significativamente a taxa de sobrevivência. Além disso, a compreensão das possíveis causas e complicações permite uma intervenção mais segura e direcionada.
A atualização constante das condutas clínicas, com base nas melhores evidências científicas, é fundamental para otimizar os resultados em pacientes com choque hipertensivo.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. CID-10. Classificação Internacional de Doenças. 10ª versão.
- Sociedade Brasileira de Medicina de Emergência. Protocolos clínicos e diretrizes. 2022.
- Guyton AC, Hall JE. Tratado de Fisiologia Médica. 13ª edição. Elsevier. 2016.
- Neto OB, et al. Emergências Clínicas. Editora Atheneu, 2019.
- American College of Surgeons. Advanced Trauma Life Support (ATLS). Disponível em: https://www.facs.org
Este conteúdo é de caráter educativo e não substitui a orientação médica profissional.
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