Ceratose Actínica CID: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento
A ceratose actínica (CA) é uma condição de pele comum caracterizada por lesões ásperas, escamosas e de cor avermelhada ou castanha, que se formam principalmente em áreas expostas ao sol. Essa condição, também conhecida como "queratose solar", é considerada uma lesão precursora de câncer de pele não melanoma, especialmente o carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular.
No Brasil, o Código Internacional de Doenças (CID) relacionada à ceratose actínica é o CID L57.0 — “Queratoses actínicas”. O reconhecimento e o tratamento adequado dessas lesões são essenciais para prevenir complicações mais graves. Este artigo apresenta um guia completo sobre a ceratose actínica, incluindo diagnóstico, classificação, opções terapêuticas, acompanhamento e prevenção.

O que é a ceratose actínica?
A ceratose actínica é uma lesão de pele de origem solar, resultante da exposição crônica aos raios UV. Geralmente, acomete pessoas de pele clara, de idade avançada ou que tiveram exposição intensa ao sol ao longo da vida.
Características clínicas
- Lesões elevations, ásperas, escamosas, de cor avermelhada, castanha ou rosa.
- Tamanho variável, geralmente entre 3 a 10 mm.
- Localização preferencial em áreas expostas ao sol, como rosto, orelhas, dorso das mãos, braços e pescoço.
Fatores de risco
| Fatores de Risco | Descrição |
|---|---|
| Exposição solar prolongada | Principal fator de risco para desenvolvimento da CA. |
| Pele clara ou sensível | Pessoas com fototipo I e II têm maior risco. |
| Idade avançada | Perda de capacidade de reparo da pele com o envelhecimento. |
| História de queimaduras solares | Pode aumentar a predisposição. |
| Uso de lâmpadas de bronzeamento | Aumenta o risco de lesões solares precoces. |
Diagnóstico da ceratose actínica (CID L57.0)
Avaliação clínica
O diagnóstico começa com a inspeção visual da pele, observando as características das lesões. O exame costuma ser suficiente na maior parte dos casos.
Exames complementares
- Dermatoscopia: auxiliar na diferenciação de outras lesões cutâneas.
- Biópsia de pele: recomendada em casos de dúvida diagnóstica ou suspeita de progressão para carcinoma.
Diferenças entre ceratose actínica e outras lesões
| Características | Ceratose Actínica | Queratoses seborréicas | Carcinoma espinocelular |
|---|---|---|---|
| Cor | Vermelha, castanha ou rosa | Amarelada, grau de escamação | Lesões ulceradas, endurecidas |
| Borda | Escamosa, irregular | Bem delimitada | Elevada, com bordas irregulares |
| Risco de malignidade | Alta | Baixo | Alto |
Classificação da ceratose actínica
A classificação pode ser feita conforme a gravidade da lesão e o risco de transformação maligna:
| Classificação | Descrição |
|---|---|
| Leve | Lesões pequenas, assintomáticas |
| Moderada | Lesões maiores, com sinais de atipia |
| Grave | Múltiplas lesões, com sinais de displasia |
Opções de tratamento
O tratamento da ceratose actínica visa eliminar as lesões e prevenir a progressão para câncer de pele. Diversas abordagens estão disponíveis, alinhadas às características de cada paciente.
Tratamentos tópicos
- Ácido diclofenaco em gel 3%: indicado para lesões múltiplas em áreas extensas.
- Imiquimode (5%): estimula a resposta imunológica local.
- 5-Fluorouracil (5%): promove a eliminação das células atípicas.
- Diclofenaco e 5-Fluorouracil combinados: opções eficazes em casos específicos.
Tratamentos físicos e cirúrgicos
| Método | Descrição | Indicação |
|---|---|---|
| Crioterapia (cauterização) | Aplicação de nitrogênio líquido para destruição da lesão. | Lesões individuais, pequenas. |
| Curetagem e cauterização | Remoção mecânica seguida de cauterização do leito. | Lesões superficiais. |
| Laser de CO₂ | Remoção precisa mediante laser. | Lesões extensas ou recidivantes. |
| Eletrocirurgia | Queimadura controlada de lesões mais extensas. | Áreas de difícil tratamento. |
| Revisões cirúrgicas | Para casos com suspeita de malignidade ou lesões grandes. | Suspeita de carcinoma. |
Tratamento clínico e acompanhamento
Após o tratamento, é essencial realizar acompanhamento regular para detectar novas lesões e avaliar a eficácia do tratamento.
Prevenção da ceratose actínica
A melhor estratégia é a prevenção, evitando a exposição ao sol nos horários de pico e utilizando medidas de proteção solar.
Recomendações
- Uso de filtro solar de amplo espectro com FPS 30 ou mais.
- Uso de roupas protetoras, chapéus e óculos de sol.
- Evitar exposição direta ao sol entre 10h e 16h.
- Realizar autoexames periódicos da pele.
- Consultas dermatológicas regulares para avaliação de lesões suspeitas.
Tabela: Classificação das Lesões de Ceratose Actínica e Opções de Tratamento
| Classificação | Características | Melhor abordagem | Frequência de acompanhamento |
|---|---|---|---|
| Leve | Pequenas, assintomáticas, superficiais | Tratamento tópico, monitoramento | A cada 6 a 12 meses |
| Moderada | Lesões maiores, com sinais de displasia | Tratamentos tópicos ou físicos | A cada 6 meses |
| Grave | Múltiplas lesões, com risco de malignização | Tratamento cirúrgico ou físico | A cada 3 a 6 meses |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A ceratose actínica sempre evolui para câncer de pele?
Resposta: Nem todas as lesões evoluem para câncer; no entanto, elas representam um risco aumentado, especialmente se não forem tratados. O monitoramento regular é fundamental.
2. Qual o método mais eficiente para remover a ceratose actínica?
Resposta: A escolha do método depende do número, tamanho e localização das lesões, bem como do perfil do paciente. A crioterapia é amplamente utilizada pela sua eficácia e praticidade, mas tratamentos cirúrgicos podem ser indicados em casos específicos.
3. Existe cura definitiva para a ceratose actínica?
Resposta: O tratamento visa eliminar as lesões e prevenir novas, mas a exposição solar contínua pode levar ao surgimento de novas lesões. Portanto, a prevenção é chave para manter a saúde da pele.
4. Como diferenciar ceratose actínica de outras lesões cutâneas?
Resposta: A avaliação clínica, dermatoscópica e biopsias quando necessário ajudam a diferenciar a CA de outras lesões, como queratoses seborréicas ou carcinomas.
Conclusão
A ceratose actínica é uma condição de pele comum, associada à exposição ao sol, que exige atenção e intervenção adequada para evitar sua evolução para câncer de pele. O diagnóstico precoce e o tratamento eficaz, além de medidas preventivas, podem garantir uma melhor qualidade de vida e saúde cutânea. Profissionais de saúde devem estar atentos às lesões suspeitas, realizando acompanhamento regular e orientando os pacientes sobre práticas seguras de exposição ao sol.
Lembre-se: a prevenção é o melhor caminho para uma pele saudável e livre de complicações.
Referências
- Ferreira, R. C. et al. (2021). Dermatologia — Diagnóstico e Tratamento. São Paulo: Sarvier.
- Sette, M. et al. (2019). "Queratoses actínicas: avanços no diagnóstico e tratamento". Revista Brasileira de Dermatologia, 94(2), 146-152.
- Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Guia de Diagnóstico e Tratamento de Lesões Cutâneas. https://www.sbd.org.br
“Prevenir é melhor do que remediar. Cuidar da pele diariamente é a melhor estratégia contra o câncer de pele.” – Sociedade Brasileira de Dermatologia
Para mais informações, acesse também os artigos do Instituto Nacional de Câncer (INCA), que disponibilizam materiais educativos sobre câncer de pele e lesões solares.
MDBF