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Células Escamosas Atípicas: Significado, Diagnóstico e Implicações

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A avaliação citopatológica do trato cervical é uma ferramenta fundamental na detecção precoce de alterações celulares que podem indicar riscos à saúde. Entre as descobertas que podem surgir nesse exame, as células escamosas atípicas representam um dos achados mais comuns e, ao mesmo tempo, mais desafiadores em sua interpretação. Quando esse achado é descrito como "atípico de significado indeterminado", refere-se a uma categoria que suscita dúvidas em relação à sua repercussão clínica. Este artigo visa oferecer uma compreensão aprofundada sobre as células escamosas atípicas, abordando seu significado, diagnóstico, implicações e os passos seguintes recomendados para o manejo adequado.

O que são células escamosas atípicas?

Definição

Células escamosas atípicas são células que apresentam alterações morfológicas que diferem do normal, mas cuja causa não é claramente identificada como uma lesão de alto risco. Essas alterações podem ser associadas a inflamações benignas, atos de reparo ou outras causas não neoplásicas. Quando a descrição do exame citopatológico aponta para "atípico de significado indeterminado", trata-se de uma categoria que indica dúvida na interpretação entre uma lesão de baixo ou alto risco.

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Classificação na Sistematização Bethesda

De acordo com o Sistema Bethesda, a mais utilizada padronização internacional para laudos citopatológicos cervicais, as células escamosas atípicas são classificadas em:

  • ASC-US (Atypical Squamous Cells of Undetermined Significance) – Células escamosas atípicas de significado indeterminado.
  • ASC-H (Atypical Squamous Cells, cannot exclude High grade SIL) – Células escamosas atípicas, que não podem excluir uma lesão de alto grau.

Neste artigo, o foco está na categoria ASC-US, que representa a maior parcela dessas anomalias.

Significado clínico das células escamosas atípicas

O que indica uma classificação ASC-US?

A presença de células escamosas atípicas de significado indeterminado não confirma, por si só, a presença de uma lesão pré-maligna ou câncer, mas indica que há alterações celulares que merecem investigação adicional. Essas alterações podem ser causadas por:

  • Inflamações ou infecções, com ou sem infecção por HPV.
  • Reparação epitelial decorrente de processos inflamatórios.
  • Lesões de baixo grau, como o CIN 1.
  • Outras causas benignas ou complicações relacionadas a processos benignos.

Relevância do HPV

A infecção pelo vírus HPV, especialmente os tipos oncogênicos, está relacionada ao desenvolvimento de alterações celulares no colo do útero. No contexto de células escamosas atípicas, a presença ou ausência de HPV pode influenciar o manejo clínico. Estudos demonstram que a maioria das lesões de baixo risco ou alterações benignas está associada a infecções por HPV de baixo risco ou infecções transitórias.

Diagnóstico e conduta clínica

Como o diagnóstico é feito?

A detecção de células escamosas atípicas é realizada por meio do exame de Papanicolau (exame citopatológico cervical). A interpretação do resultado é feita por um patologista, levando em consideração as características celulares observadas ao microscópio.

Passos seguintes após a identificação de ASC-US

Devido à abrangência dessa categoria e sua natureza muitas vezes inespecífica, recomenda-se uma conduta padronizada, que pode incluir:

AçãoDescriçãoQuando realizar
Teste de HPVBuscar infecção por HPV de alto riscoSempre que resultado ASC-US
ColposcopiaExame visual do colo do útero com espectroscopiaSe o teste de HPV for positivo ou houver fatores de risco
Repetição do exame citopatológicoRealizado em intervalo recomendadoSe o teste de HPV for negativo e não houver outros fatores

Importância do teste de HPV

O teste de HPV é fundamental na estratificação do risco, possibilitando uma abordagem mais direcionada. Se o HPV de alto risco for detectado, a conduta tende a ser mais agressiva, como a realização de colposcopia com biópsia. Caso o teste seja negativo, a vigilância periódica torna-se suficiente na maioria dos casos.

Implicações e prognóstico

A maioria das alterações de ASC-US é transitória e benigno, relacionada a infecções virais ou processos inflamatórios. Entretanto, a importância de um diagnóstico adequado está em evitar o progresso para lesões de alto grau ou câncer cervical. Segundo o estudo de Saslow et al. (2012), a gestão apropriada de células escamosas atípicas pode reduzir significativamente a incidência de câncer cervical precursor.

Risco de progressão

Embora a classificação ASC-US geralmente indique uma condição de baixo risco, ela requer acompanhamento atento para prevenção de evoluções indesejadas. Os fatores de risco, como múltiplas parcerias sexuais, tabagismo e história de doenças cervicais, devem ser considerados na conduta clínica.

Perguntas frequentes

1. Quais causas podem levar a células escamosas atípicas de significado indeterminado?

Inflamações, infecções por HPV, reparo epitelial, alterações benignas e efeitos de procedimentos contraceptivos ou irritantes podem gerar esse achado.

2. Como diferenciar ASC-US de lesões de alto grau?

A diferenciação depende do exame citopatológico detalhado e do seguimento com teste de HPV e colposcopia. Lesões de alto grau geralmente apresentam alterações mais marcantes na morfologia celular.

3. Qual é o tratamento indicado para células escamosas atípicas?

Em geral, o manejo envolve teste de HPV, acompanhamento e possivelmente colposcopia com biópsia, dependendo do resultado dessas avaliações.

4. Quanto tempo leva para um achado de ASC-US evoluir para câncer cervical?

Nem todas as alterações evoluem para câncer. Com acompanhamento adequado, na maioria das vezes, as alterações são revertidas ou controladas antes de evoluírem para lesões més malignas.

Conclusão

As células escamosas atípicas, especialmente na categoria ASC-US, representam uma categoria de achado citopatológico que exige uma abordagem cuidadosa e criteriosa. Embora muitas vezes benignas, podem estar relacionadas a infecções ou alterações iniciais que, se não monitoradas, podem evoluir. A conduta baseada no teste de HPV, colposcopia e acompanhamento regular é fundamental para garantir uma intervenção oportuna e eficaz, prevenindo o desenvolvimento de câncer cervical.

Referências

  1. Saslow, D., Solomon, D., Lawson, H. W., et al. (2012). American Cancer Society, American Society for Colposcopy and Cervical Pathology, and American Society for Clinical Pathology screening guidelines for the prevention and early detection of cervical cancer. CA: A Cancer Journal for Clinicians, 62(3), 147-172. https://acsjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.3322/caac.21139

  2. Ministério da Saúde. (2016). Instituto Nacional de Câncer (INCA). Protocolo de atenção integral à mulher com lesão cervical intraepitelial. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/protocolo-de-aten%C3%A7%C3%A3o-integral-%C3%A0-mulher-com-les%C3%A3o-cervical-intraepitelial

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