Cardiotocografia Como Fazer: Guia Completo para Profissionais e Gestantes
A cardiotocografia (CTG) é uma técnica clínica que desempenha um papel fundamental na monitorização do bem-estar fetal durante a gestação e o trabalho de parto. Este exame não invasivo permite avaliar a frequência cardíaca do bebê e as contrações uterinas, proporcionando informações essenciais para auxiliar decisões médicas e garantir a segurança tanto da mãe quanto do recém-nascido.
Se você é profissional de saúde buscando aprimorar seus conhecimentos sobre a realização da cardiotocografia ou uma gestante interessada em entender melhor esse procedimento, este guia completo fornecerá todas as informações necessárias para compreender como fazer a CTG de forma adequada e segura.

O que é a Cardiotocografia?
A cardiotocografia é um exame que registra simultaneamente a frequência cardíaca fetal e as contrações uterinas. Ela é indicada principalmente durante o terceiro trimestre, especialmente em casos de gravidez de risco, pré-eclâmpsia, diabete gestacional, ou quando há suspeitas de sofrimento fetal.
Objetivos do exame
- Monitorar o bem-estar do bebê.
- Detectar sinais de sofrimento fetal.
- Avaliar a frequência e intensidade das contrações uterinas.
- Auxiliar na decisão pelo momento do parto.
Como Fazer a Cardiotocografia: Passo a Passo
Realizar a cardiotocografia envolve técnicas específicas que devem ser seguidas para garantir a precisão do exame. A seguir, detalhamos o procedimento para profissionais de saúde.
Preparação do ambiente e da gestante
Antes do exame:
- Verifique se o ambiente está tranquilo, confortável e livre de ruídos que possam interferir na leitura.
- Oriente a gestante a urinar, para evitar desconforto e facilitar a colocação dos sensores.
- A roupa deve ser retirada na região abdominal, se necessário, para facilitar a colocação dos sensores.
Colocação dos sensores
Existem dois sensores principais utilizados na CTG:
- Sensor de frequência cardíaca fetal (klixe ou Doppler): capta os batimentos cardíacos do bebê.
- Sensor de contrações uterinas (tocodynamômetro): mede a intensidade e frequência das contrações.
Como posicionar os sensores
| Passo | Descrição | Dica |
|---|---|---|
| 1 | Localize a região do ventre onde o batimento cardíaco fetal parece mais forte. | Geralmente, a área próxima ao fêmur do feto ou região inferior do abdômen. |
| 2 | Coloque o transdutor de frequência cardíaca fetal sobre essa região, fixando-o com cinta. | Certifique-se de que está bem posicionado para uma leitura clara. |
| 3 | Posicione o tocodynamômetro na região anterior do útero, lateralmente ao feto. | Ajuste para captar as contrações mais próximas ao sensor. |
Início do exame
- Ligue os dispositivos e registre o período de monitoramento, geralmente de 20 a 30 minutos.
- Peça para a gestante ficar relaxada, deitada de lado esquerdo, se possível, para melhorar a circulação.
Interpretação dos registros
Após a coleta, o profissional deve analisar o gráfico de frequência cardíaca fetal e o registro das contrações, que apresentará padrões que indicam bem-estar ou risco.
Como Interpretar a Cardiotocografia
Entender os resultados é essencial para tomar decisões clínicas corretas. A seguir, apresentamos uma tabela com os principais parâmetros e suas interpretações.
| Parâmetro | Descrição | Interpretação |
|---|---|---|
| Frequência cardíaca fetal (FCF) | Varia entre 110 a 160 bpm, com variações normais. | Normalidade, acompanhamento contínuo. |
| Variabilidade | Oscilações da FCF ao redor do valor médio, de 5 a 25 bpm. | Indicador de bom estado fetal. |
| Aceler ações | Aumento temporário da FCF acima de 15 bpm por 15 seg. | Normal, sinal de resposta fetal saudável. |
| Deceleração fetal | Queda na FCF de mais de 15 bpm por mais de 15 seg. | Pode indicar sofrimento fetal, necessidade de avaliação. |
| Patamar de contrações | Frequência e duração das contrações uterinas. | Avaliar se está adequado ao período de trabalho de parto. |
Importante
A interpretação deve ser feita por profissionais especializados, considerando o contexto clínico da gestante.
Cuidados e Recomendações para a Realização da CTG
- Realizar o exame em ambiente calmo e confortável.
- Garantir o bom posicionamento dos sensores para evitar leituras imprecisas.
- Manter a paciente relaxada, orientando a respiração consciente.
- Documentar o exame adequadamente, incluindo hora, data, e condições do procedimento.
- Repetir a CTG sempre que necessário, de acordo com a recomendação médica.
Vantagens da Cardiotocografia
- Não invasiva e segura para mãe e bebê.
- Pode detectar sinais precoces de sofrimento fetal.
- Auxilia na decisão do momento ideal para o parto.
- Pode ser realizada em diferentes etapas da gestação, conforme necessidade.
Desvantagens e Limitações
- Pode gerar falsos positivos ou negativos.
- Exige experiência na colocação dos sensores e interpretação.
- Pode ser desconfortável para a gestante se não realizada corretamente.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quanto tempo dura uma cardiotocografia?
Normalmente, a duração do exame é de 20 a 30 minutos, mas pode variar dependendo da indicação clínica.
2. A cardiotocografia é dolorosa?
Não, o procedimento é totalmente não invasivo e indolor. Pode gerar algum desconforto devido à colocação dos sensores.
3. Quem pode fazer a cardiotocografia?
Profissionais de saúde treinados em obstetrícia, como obstetras, enfermeiros, e técnicos de enfermagem especializada.
4. Com que frequência devo realizar o exame durante o trabalho de parto?
A frequência varia conforme a orientação médica, geralmente a cada 30 a 60 minutos em casos de monitoramento contínuo de alto risco.
Conclusão
A cardiotocografia é uma ferramenta de monitoramento fetal de grande importância na obstetrícia moderna. Seu correto procedimento, interpretação e uso adequado podem salvar vidas ao detectar sinais de sofrimento fetal precocemente. Para profissionais da área, dominar a técnica de fazer a CTG é fundamental para garantir a segurança e o bem-estar tanto da gestante quanto do bebê. Gestantes devem entender a importância do exame, sua finalidade e como ele contribui para uma gestação mais segura.
Referências
- De Vicenzi, C. C., & Mascarenhas, M. L. (2019). Monitorização fetal: fundamentos e técnicas. Editora Atheneu.
- Ministério da Saúde (Brasil). (2019). Protocolo de atenção à gestante. Available at www.saude.gov.br
- Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Guia de conduta em obstetrícia. Available at www.sbgo.org.br
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