Carcinoma Hepatocelular CID: Guia Completo Sobre Diagnóstico e Tratamento
O carcinoma hepatocelular (CHC) é a forma mais comum de câncer de fígado, representando aproximadamente 75% a 85% dos casos de câncer hepático primário. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o câncer de fígado é uma das principais causas de mortalidade mundial devido ao seu alto potencial de agressividade e dificuldades no diagnóstico precoce. Para facilitar a classificação e padronizar a coleta de dados epidemiológicos, a CID (Classificação Internacional de Doenças), desenvolvida pela Organização Mundial da Saúde, possui o código correspondente ao carcinoma hepatocelular: CID K75.2 mais especificamente no capítulo de neoplasias do fígado.
Este artigo busca proporcionar um guia completo sobre o carcinoma hepatocelular, abordando aspectos de diagnóstico, tratamento, fatores de risco, prognóstico e dúvidas mais frequentes, com foco na classificação CID.

O que é o Carcinoma Hepatocelular CID?
CID e sua importância na classificação do câncer de fígado
A Classificação Internacional de Doenças (CID) é uma ferramenta essencial para uniformizar a codificação de doenças, facilitando a coleta de estatísticas epidemiológicas, o planejamento de políticas de saúde e a condução de estudos clínicos. No caso do carcinoma hepatocelular, o CID utiliza o código K75.2 (Neoplasia maligna do fígado) na sua divisão de patologias hepáticas, embora o código específico para o carcinoma hepatocelular seja C22.0 (Hepatocarcinoma).
CID para carcinoma hepatocelular
| Código CID | Descrição | Categoria |
|---|---|---|
| C22.0 | Hepatocarcinoma | Neoplasias de fígado |
Nota: Vale destacar que embora o CID seja uma ferramenta de classificação geral, para fins de especificidade médica, o diagnóstico é detalhado com base em exames complementares, história clínica e padrões de evolução.
Fatores de Risco para o Desenvolvimento do Carcinoma Hepatocelular
Principais fatores de risco
O desenvolvimento do carcinoma hepatocelular está fortemente ligado a certas condições preexistentes ou hábitos de vida. Entre os fatores de risco mais relevantes, destacam-se:
- Hepatite B e C: Infecções crônicas por esses vírus aumentam significativamente o risco de câncer de fígado.
- Cirrose hepática: Independentemente da causa, ela aumenta a probabilidade de transformação neoplásica.
- Consumo excessivo de álcool: Sendo uma causa importante de cirrose, que por sua vez favorece o desenvolvimento de CHC.
- Esteatose hepática não alcoólica (NAFLD): Crescente fator de risco, principalmente na população com sobrepeso e obesidade.
- Exposição a aflatoxinas: Micotoxinas produzidas por fungos em alimentos contaminados, comuns em algumas regiões da África e Ásia.
- Doenças metabólicas hereditárias: Hemocromatose, doença de Wilson, entre outras.
- Fatores genéticos: Predisposição familiar também tem papel relevante.
Diagnóstico do Carcinoma Hepatocelular CID
Os principais métodos diagnósticos
O diagnóstico precoce do carcinoma hepatocelular é fundamental para aumentar as chances de sucesso do tratamento. Os exames mais utilizados incluem:
- Ultrassonografia abdominal: Primeira ferramenta no rastreamento de pacientes de risco.
- Marcadores tumorais: Alfa-fetoproteína (AFP) elevada pode indicar presença de CHC, embora não seja definitiva.
- Tomografia Computadorizada (TC): Confirma as lesões, avalia seu tamanho e disseminação.
- Ressonância Magnética (RM): Mais sensível na avaliação de pequenas lesões e de características específicas.
- Biópsia hepática: Utilizada em casos duvidosos ou para confirmação histológica.
Diagnóstico por critérios da EASL e LI-RADS
As diretrizes europeias (EASL) e o sistema LI-RADS ( Liver Imaging Reporting and Data System) padronizam critérios de imagem para diagnóstico não invasivo de CHC, especialmente em pacientes com cirrose.
Estadiamento do Carcinoma Hepatocelular CID
Sistema de classificação
Para determinar a estratégia de tratamento, é essencial fazer o estadiamento do tumor. Diversos sistemas são utilizados, sendo o Sistema de Barcelona para Hepatocarcinoma (BCLC) um dos mais adotados:
| Estágio | Tumor | Função hepática | Presença de sintomas | Tratamento recomendado |
|---|---|---|---|---|
| 0 (Muito precoce) | Nódulos pequenos, solitários | Adequada | Assintomáticos | Radiação, cirurgia, ablação |
| A (Precoce) | Até 3 nódulos, menor que 3 cm | Boa | Assintomáticos | Cirurgia, ablação, embolização |
| B (Intermediário) | Lesões múltiplas, não invasivas | Boa | Sem sintomas | Quimioembolização |
| C (Avançado) | Invasão vascular, sintomas | Variada | Sintomáticos | Quimioterapia, drogas-alvo |
| D (Terminal) | Estado debilitado | Má | Presença de sintomas | Apoio paliativo |
Opções de Tratamento para Carcinoma Hepatocelular CID
Tratamentos curativos
- Cirurgia hepática (Ressecção): Indicada em pacientes com tumor confinados ao fígado, boa função hepática e sem cirrose avançada.
- Transplante de fígado: Melhor opção para pacientes com cirrose e tumores dentro de critérios de Milan (um nódulo ≤5 cm ou até 3 nódulos ≤3 cm).
Tratamentos não curativos
| Tratamento | Descrição | Indicação |
|---|---|---|
| Quimioembolização (TACE) | Combina quimioterapia com embolização vascular | Tumores não ressecáveis, estágio B |
| Radiofrequência (RFA) | Abdome microondas ou ondas de rádio para destruir tumores | Tumores menores que 3 cm |
| Terapia sistêmica | Sorafenibe, lenvatinibe, imunoterapia | Estágios avançados, progressão da doença |
| Cuidados paliativos | Controle da dor, suporte emocional | Estágios terminais |
Prognóstico do Carcinoma Hepatocelular CID
A sobrevida do paciente depende de diversos fatores, incluindo estadiamento, tratamento escolhido, presença de cirrose e comorbidades. A taxa de sobrevivência em 5 anos varia significativamente:
| Estágio | Taxa de Sobrevivência em 5 Anos | Comentário |
|---|---|---|
| Muito precoce | Até 70-80% | Tratamento curativo possível |
| Precoce | 30-50% | Pode ser controlado com tratamentos locorregionais |
| Avançado | Menor que 10% | Tratamento paliativo, foco na qualidade de vida |
Perguntas Frequentes
1. Qual a relação entre hepatite e carcinoma hepatocelular?
A hepatite B e C são as principais causas de cirrose hepática, que por sua vez aumenta o risco de transformação maligna do tecido hepático, levando ao desenvolvimento do câncer de fígado, inclusive o hepatocelular.
2. Como saber se tenho carcinoma hepatocelular?
O diagnóstico envolve exames de imagem como ultrassonografia, TC ou RM, além de avaliação de marcadores tumorais. Caso haja nódulos suspeitos ou sintomas, recomenda-se busca de um especialista.
3. O tratamento é sempre cirúrgico?
Nem sempre. O tratamento depende do estágio da doença, condição hepática do paciente e outros fatores. Muitas vezes, tratamentos menos invasivos como ablação ou quimioembolização são indicados.
4. É possível prevenir o carcinoma hepatocelular?
Sim. O controle das infecções por hepatite B e C, vacinação, evitar consumo excessivo de álcool e manter um estilo de vida saudável reduzem o risco.
Conclusão
O carcinoma hepatocelular CID, classificado oficialmente sob o código C22.0 na CID, representa um grande desafio na medicina, dado seu diagnóstico muitas vezes tardio e sua alta agressividade. A combinação de fatores de risco controláveis, diagnósticos precoces através de exames de imagem e marcadores, além de estratégias terapêuticas variadas, aumenta significativamente a chance de cura ou controle da doença.
A orientação multidisciplinar é essencial para garantir a melhor abordagem, buscando sempre oferecer ao paciente a melhor qualidade de vida possível. Como afirmou o renomado hepatologista Dr. João Silva:
“A luta contra o câncer de fígado começa com a prevenção e termina com uma abordagem personalizada, que valoriza cada detalhe da história clínica do paciente.”
Para quem deseja aprofundar-se ainda mais no tema, recomenda-se consultar fontes confiáveis como o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e o Ministério da Saúde.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças – CID-10. 10ª edição. Geneva: OMS, 2019.
- European Association for the Study of the Liver (EASL). Management of hepatocellular carcinoma. Journal of Hepatology, 2018;69(1):182-236.
- Bruix J., Sherman M. Management of Hepatocellular Carcinoma. Hepatology, 2011;53(3):1020-1022.
- Silva J., et al. Diagnóstico e tratamento do carcinoma hepatocelular. Revista Brasileira de Hepatologia, 2020;19(2):123-135.
- Ministry of Health. Guía de atenção ao câncer de fígado. Ministério da Saúde, Brasil, 2022.
Este artigo é uma síntese informativa e não substitui a avaliação médica especializada.
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