Câncer de Ovário: Entenda os Sintomas, Diagnóstico e Tratamentos
A saúde da mulher é uma área que demanda atenção constante, principalmente quando se trata de doenças silenciosas e de difícil diagnóstico, como o câncer de ovário. Este tipo de câncer é conhecido por sua complexidade, pois geralmente apresenta sintomas pouco específicos, tornando seu diagnóstico precoce um desafio. Conhecer os sinais, as formas de diagnóstico e as opções de tratamento é fundamental para aumentar as chances de cura e promover uma melhor qualidade de vida.
Neste artigo, você entenderá todos os aspectos relacionados ao câncer de ovário, incluindo suas causas, sintomas, métodos de diagnóstico, tratamentos disponíveis e dicas de prevenção. Além disso, abordaremos dúvidas frequentes e forneceremos informações confiáveis para que você possa cuidar melhor da sua saúde.

Introdução
O câncer de ovário é uma das principais causas de mortalidade por câncer entre as mulheres, especialmente em todo o mundo e no Brasil. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de ovário ocupa a quarta colocação entre os tipos de câncer mais comuns em mulheres, representando uma preocupação importante no cenário de saúde pública.
Apesar do alto índice de mortalidade, o câncer de ovário pode ser tratado com sucesso quando diagnosticado precocemente. No entanto, a sua detecção precoce é dificultada pela ausência de sintomas específicos em estágios iniciais, o que reforça a importância do conhecimento, do acompanhamento médico regular e do entendimento sobre fatores de risco e sinais de alerta.
O que é o câncer de ovário?
O câncer de ovário refere-se a um crescimento descontrolado de células malignas nos ovários, que são os órgãos responsáveis pela produção de óvulos e hormônios como estrogênio e progesterona. Quando essas células se tornam cancerosas, formam tumores que podem invadir estruturas próximas ou disseminar-se para outras partes do corpo.
Existem diversos tipos histológicos de câncer de ovário, sendo os mais comuns:
- Carcinoma seroso
- Carcinoma endometrioide
- Carcinoma mucinoso
- Tumores de células germinativas
- Tumores do estroma ovariano
A maioria dos cânceres de ovário são de origem epitelial, representando cerca de 90% dos casos.
Causas e fatores de risco
Embora as causas exatas do câncer de ovário ainda não sejam totalmente compreendidas, estudos indicam a influência de fatores genéticos, hormonais e ambientais.
Principais fatores de risco:
| Fator de Risco | Descrição |
|---|---|
| Idade avançada | O risco aumenta com o envelhecimento, especialmente após os 50 anos. |
| Histórico familiar | Presença de câncer de ovário, mama ou câncer colorretal na família. |
| Mutação genética | Alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 aumentam significativamente o risco. |
| Gravidez e lactação | Mulheres que tiveram gravidez e amamentaram apresentam menor risco. |
| Uso de contraceptivos orais | Pode reduzir o risco de desenvolver câncer de ovário. |
| Obesidade | O excesso de peso está associado a maior risco. |
| Endometriose | Condição que aumenta a propensão ao câncer de ovário. |
Fatores de proteção:
- Uso de pílulas anticoncepcionais por períodos prolongados
- Gravidez e amamentação
- Cirurgias que removem os ovários ou as trompas de Falópio em casos de risco aumentado
Sintomas do câncer de ovário
Um dos maiores desafios no combate ao câncer de ovário é a sua manifestação silenciosa. Em estágios iniciais, muitas mulheres não apresentam sintomas ou eles são confundidos com sinais de condições benignas. Quando os sintomas aparecem, costumam ser inespecíficos e incluem:
- Inchaço ou distensão abdominal persistente
- Dor abdominal ou pélvica contínua
- Sensação de plenitude ou saciedade rápida
- Mudanças no hábito intestinal, como constipação
- Necessidade frequente de urinar
- Perda de peso não explicada
- Fadiga invariável
- Dor nas costas
Importante: Se você apresentar qualquer um desses sintomas de forma persistente, procure um médico especialista para avaliação detalhada.
Diagnóstico
O diagnóstico precoce do câncer de ovário envolve uma combinação de avaliação clínica, exames de imagem e exames laboratoriais. Como o câncer de ovário muitas vezes não apresenta sintomas específicos, exames regulares de rotina em mulheres com fatores de risco são essenciais.
Como é feito o diagnóstico?
Exame físico
O médico realiza exame pélvico e abdominal para verificar alterações no tamanho, forma e consistência dos ovários.
Exames de imagem
- Ultrassonografia transvaginal: exame inicial para detectar anormalidades nos ovários.
- Tomografia computadorizada (TC): avalia a extensão do tumor e possíveis metástases.
- Ressonância magnética: complementa o diagnóstico de lesões complexas.
Exames laboratoriais
- Hemograma completo: avalia o estado geral de saúde.
- Marcadores tumorais: CA-125, HE4, e outros que ajudam na suspeição e monitoramento da doença.
Cirurgia diagnóstica
Em alguns casos, uma biópsia ou outros procedimentos cirúrgicos podem ser realizados para confirmação definitiva.
Tabela comparativa dos métodos de diagnóstico
| Método | Objetivo | Limitação |
|---|---|---|
| Exame físico | Detectar alterações físicas | Pode não identificar Tumores pequenos |
| Ultrassonografia transvaginal | Visualizar os ovários e identificar anormalidades | Interpretação depende da experiência do radiologista |
| Tomografia/Resonância | Avaliação da extensão da doença | Custo mais elevado e exposição à radiação (no caso da TC) |
| Marcadores tumorais | Apoiar o diagnóstico e monitorar tratamento | Não específicos, podem variar em outros fatores (como gravidez) |
| Biópsia ou cirurgia diagnóstica | Confirmação definitiva | Procedimento invasivo |
Para saber mais sobre exames e diagnóstico, acesse o site do INCA.
Estadiamento e tratamento do câncer de ovário
Após o diagnóstico, o câncer de ovário é classificado de acordo com o estágio da doença, o que orienta a escolha do tratamento.
Estadiamento do câncer de ovário
| Estágio | Descrição |
|---|---|
| Estágio I | Tumor limitado aos ovários |
| Estágio II | Envolvimento de estruturas pélvicas próximas |
| Estágio III | Disseminação para o abdômen e linfonodos pélvicos ou para a cavidade peritoneal |
| Estágio IV | Má evolução com metástases em outros órgãos distantes |
Opções de tratamentos
Cirurgia
A cirurgia é fundamental e visa remover o máximo possível de tumor. Pode incluir:
- Remoção de um ou ambos os ovários e trompas
- Remoção do útero
- Remoção de tumor no abdômen
- Limpeza da cavidade peritoneal
Quimioterapia
Uso de drogas para eliminar células cancerígenas remanescentes. Pode ser administrada antes ou após a cirurgia.
Terapia-alvo e imunoterapia
São opções mais recentes, destinadas a casos específicos com mutações genéticas ou biomarcadores que respondam a esses tratamentos.
Tabela de tratamentos por estágio
| Estágio | Tratamento principal | Tratamentos complementares |
|---|---|---|
| I e II | Cirurgia + Quimioterapia | Monitoração contínua |
| III e IV | Cirurgia extensa + Quimioterapia | Terapias-alvo, imunoterapia |
Importância do acompanhamento
Após o tratamento, o acompanhamento regular é necessário para detectar possíveis recidivas e monitorar o estado de saúde da paciente.
Prevenção e dicas
Apesar de não existir uma forma garantida de prevenir o câncer de ovário, algumas atitudes podem reduzir o risco:
- Manter uma alimentação equilibrada e rica em frutas, verduras e fibras
- Praticar atividades físicas regularmente
- Evitar o excesso de peso
- Uso de contraceptivos orais por períodos prolongados (sob orientação médica)
- Realizar exames de rotina, principalmente para mulheres com fatores de risco familiares
- Conhecer seu histórico familiar e realizar mapeamento genético se necessário
Perguntas frequentes (FAQs)
1. O câncer de ovário pode ser hereditário?
Sim, fatores genéticos, principalmente mutações nos genes BRCA1 e BRCA2, aumentam o risco. Mulheres com histórico familiar de câncer de ovário ou mama devem consultar um especialista em genética.
2. Como saber se tenho câncer de ovário?
Muitos casos são assintomáticos nas fases iniciais. O mais importante é realizar acompanhamento médico regular, principalmente se houver suspeita baseada nos sintomas ou fatores de risco.
3. O câncer de ovário é curável?
Sim, especialmente quando detectado precocemente. As taxas de cura variam conforme o estágio no momento do diagnóstico, sendo maior em fases iniciais.
4. Quais os principais tratamentos?
Cirurgia e quimioterapia são os tratamentos principais, podendo ser complementados por terapias-alvo e imunoterapia em casos específicos.
5. Pode ocorrer recidiva após o tratamento?
Infelizmente, o câncer de ovário tem maior propensão à recidiva; por isso, o acompanhamento regular é fundamental para detectar e tratar prontamente novas lesões.
Conclusão
O câncer de ovário é uma doença que apresenta desafios no diagnóstico precoce devido à sua sintomatologia pouco específica. A conscientização, o reconhecimento dos fatores de risco e a realização de exames de rotina podem contribuir para uma detecção mais cedo e melhores possibilidades de tratamento.
Investir em informações, manter um estilo de vida saudável, e procurar atendimento médico assim que perceber sintomas suspeitos, são atitudes essenciais para combater esse câncer. A medicina avança continuamente, oferecendo novas alternativas terapêuticas que aumentam as chances de cura e elevam a qualidade de vida das mulheres.
Lembre-se sempre: sua saúde está em suas mãos. Consulte seu ginecologista regularmente e não deixe de cuidar de si mesma.
Referências
INCA - Instituto Nacional de Câncer. Câncer de ovário. Disponível em: https://www.inca.gov.br
World Health Organization (WHO). Ovarian Cancer. Available at: https://www.who.int
Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC). Diretrizes para o tratamento de câncer de ovário. Disponível em: https://sbo.org.br
National Cancer Institute (NCI). Ovarian Cancer Treatment. Available at: https://www.cancer.gov
Cuidar da sua saúde é o primeiro passo para uma vida plena e livre de doenças. Fique atento aos sinais do seu corpo e procure ajuda médica sempre que necessário.
MDBF