Câncer de Endométrio CID: Guia Completo e Atualizado
O câncer de endométrio, também conhecido como câncer de útero, é uma das neoplasias ginecológicas mais comuns em todo o mundo, representando uma parcela significativa dos diagnósticos de câncer em mulheres. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), ele ocupa o quarto lugar entre os cânceres mais frequentes na população feminina, especialmente em países desenvolvidos.
A Classificação Internacional de Doenças (CID), mantida pela Organização Mundial da Saúde, estabelece códigos específicos para a identificação de diferentes tipos de câncer, incluindo o câncer de endométrio, facilitando o diagnóstico, o registro estatístico e o acompanhamento epidemiológico.

Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo e atualizado sobre o câncer de endométrio com foco na classificação CID, abordando seus aspectos clínicos, epidemiológicos, diagnóstico, tratamento e prevenção, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
O que é o câncer de endométrio?
Definição e anatomia
O endométrio é a mucosa que reveste o interior do útero, responsável pelo ciclo menstrual e por fornecer o ambiente adequado para a implantação do embrião durante a gravidez. O câncer de endométrio surge nas células que compõem essa mucosa, geralmente a partir de um processo de transformação maligna dessas células.
Tipos de câncer de endométrio
Existem diversos tipos histológicos de câncer de endométrio, sendo os mais comuns:
- Carcinoma endometrioide: Representa aproximadamente 80-85% dos casos, originando-se das células que produzem mucina.
- Carcinoma de células claras
- Carcinoma seroso
- Carcinoma de células escamosas
A classificação histológica é fundamental para determinar o prognóstico e o tratamento adequado.
CID do câncer de endométrio
Código CID-10
Na Classificação Internacional de Doenças, o câncer de endométrio é classificado sob o código:
| Código CID-10 | Descrição | Observação |
|---|---|---|
| C54.1 | Neoplasia maligna do corpo do útero | Inclui diferentes tipos de câncer de endométrio |
Importância do CID
O código CID permite padronizar o diagnóstico, facilitar o controle epidemiológico e orientar a pesquisa clínica. Para o câncer de endométrio, o código específico (C54.1) ajuda na identificação perante os sistemas de saúde públicos e privados.
Fatores de risco e epidemiologia
Fatores de risco
Diversos fatores aumentam a probabilidade de desenvolver câncer de endométrio, incluindo:
- Idade avançada (>50 anos)
- Obesidade
- Uso prolongado de hormônios sem infertilidade
- História de hipertensão arterial
- Diabetes mellitus
- Síndrome de Stein-Leventhal (síndrome dos ovários policísticos)
- História familiar de câncer ginecológico
- Baixo índice de exercício físico
Epidemiologia
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se que, no Brasil, aproximadamente 7 mil novos casos de câncer de endométrio sejam diagnosticados anualmente. A incidência aumenta significativamente após a menopausa, sendo a faixa etária mais afetada entre 55 e 75 anos.
Sintomas e sinais clínicos
Os sintomas iniciais frequentemente incluem:
- Sangramento vaginal fora do ciclo menstrual, especialmente em mulheres na pós-menopausa
- Corrimento vaginal anormal
- Dor pélvica ou sensação de peso na região
Por essa razão, a identificação precoce por meio de avaliação clínica e exames complementares é crucial para melhorar as taxas de cura.
Diagnóstico do câncer de endométrio
Exames complementares
| Exame | Objetivo | Detalhes |
|---|---|---|
| Papanicolau (Pap) | Detectar alterações celulares, suspeitas de câncer | Não conclusivo para câncer de endométrio, mas auxilia na triagem |
| Histeroscopia | Visualização direta do interior do útero | Permite biópsia in loco |
| Biópsia de endométrio | Confirmação histológica | Padrão-ouro para diagnóstico |
| Ultrassonografia transvaginal | Avaliação do espessamento do endométrio | Espessamentos acima de 4 mm em mulheres na pós-menopausa indicam investigação |
| Tomografia e ressonância magnética | Estadiamento da doença | Avaliação da extensão local e metástases |
Diagnóstico histológico
A confirmação é feita por meio da análise do tecido obtido na biópsia, que determina o tipo e grau do câncer, essenciais para determinar o tratamento e prognóstico.
Estadiamento do câncer de endométrio
O estadiamento é realizado conforme a classificação do Sistema FIGO (Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia). O estadiamento permite definir a extensão do tumor e orientar o tratamento.
| Estágio | Descrição | Curiosidade |
|---|---|---|
| IA | Tumor confinado ao endométrio ou com invasão < metade do miométrio | Este é o estágio inicial, com maior chance de cura |
| IB | Invasão de mais da metade do espessamento do miométrio | |
| II | Tumor invade o cervix, sem invasão de sua parede | |
| III | Propaga-se além do útero, envolvendo tecidos pelve ou linfonodos | |
| IV | Propagação para órgãos à distância, como bexiga ou reto |
Tratamento do câncer de endométrio
Opções terapêuticas
O tratamento varia de acordo com o estágio da doença, o tipo histológico e as condições clínicas da paciente.
Cirurgia
A histerectomia total com salpingo-ooforectomia bilateral é o procedimento padrão na maioria dos casos. Pode envolver linfadenectomia para estadiamento.
Radioterapia
Usada em casos de tumores de risco moderado a alto ou após cirurgia com margens comprometidas.
Quimioterapia
Indicação em câncer avançado, com metastaticas ou recidiva.
Terapias hormonais
Utilizadas para alguns tipos de tumores sensíveis a hormônios, como os endometrioides na fase inicial.
Tabela comparativa de tratamentos
| Grau de avanço | Tratamento principal | Complemento |
|---|---|---|
| Estágio inicial | Cirurgia (histerectomia, anexectomia) | Radioterapia seletiva |
| Estágio avançado | Cirurgia + quimioterapia ou radioterapia | Terapia hormonal, se aplicável |
| Recidiva | Quimioterapia, radioterapia ou cirurgia | Imunoterapia, dependendo do caso |
Prevenção e rastreamento
Medidas preventivas
- Manter peso saudável e praticar atividade física
- Controle do diabetes e hipertensão
- Uso racional de hormônios
- Realização de exames ginecológicos periódicos
Quando realizar rastreamento?
Atualmente, não há recomendação oficial de rastreamento em populações de risco geral. Exames como o Papanicolau podem ajudar na detecção precoce de lesões cervicais, mas não substituem a avaliação do endométrio.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Como saber se tenho câncer de endométrio?
Fique atento a sinais como sangramento fora do ciclo ou após a menopausa, corrimento anormal e dor pélvica. Consulte um ginecologista para avaliação e realização de exames.
2. O câncer de endométrio é hereditário?
Em alguns casos, há predisposição genética, especialmente em familiars com câncer de mama, ovário ou colorretal. O acompanhamento genético pode ser indicado.
3. Qual a chance de cura do câncer de endométrio?
Depende do estágio no momento do diagnóstico. Quando descoberto cedo, a taxa de cura supera 80%. Para estágios avançados, o prognóstico é mais reservado.
Conclusão
O câncer de endométrio, classificado pelo CID-10 sob o código C54.1, é uma condição de alta prevalência entre as mulheres, especialmente na pós-menopausa. O diagnóstico precoce, aliado a um tratamento cirúrgico e, quando necessário, complementado por radioterapia ou quimioterapia, aumenta consideravelmente as chances de cura. A conscientização sobre os fatores de risco, a realização de exames periódicos e a busca por orientação médica ao perceber sintomas suspeitos são fundamentais na luta contra essa doença.
Referências
- Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de Endométrio. Disponível em: https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-uterio
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-10). Disponível em: https://icd.who.int/browse10/2019/en
- American Cancer Society. Endometrial Cancer. Disponível em: https://www.cancer.org/cancer/endometrial-cancer.html
“A detecção precoce salva vidas. Mulheres, fiquem atentos à saúde do seu útero.” – Dr. João Silva, especialista em ginecologia e obstetrícia.
Este guia visa oferecer informações confiáveis e atualizadas para pacientes, familiares e profissionais de saúde, contribuindo para uma melhor compreensão e combate ao câncer de endométrio.
MDBF