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Câncer de Bexiga: Sintomas, Diagnóstico e Tratamentos Essenciais

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O câncer de bexiga é uma das neoplasias uroteliais mais comuns em todo o mundo, representando uma preocupação significativa na área de saúde pública. Caracterizado pelo crescimento anormal de células na parede da bexiga, essa doença pode variar de formas superficiais até tumorais invasivos que atingem camadas mais profundas da parede do órgão. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são essenciais para melhorar a qualidade de vida do paciente e aumentar as chances de cura.

Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de bexiga ocupa a sexta colocação entre os tipos de câncer mais incidentes no Brasil, principalmente em homens acima de 60 anos. Fatores de risco, como tabagismo, exposição a determinados produtos químicos e infecções crônicas, contribuem significativamente para o desenvolvimento dessa doença.

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Este artigo tem como objetivo apresentar informações completas sobre o câncer de bexiga, abordando sintomas, métodos de diagnóstico, tratamentos disponíveis, bem como responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.

O que é o câncer de bexiga?

Definição e Origem

O câncer de bexiga é uma neoplasia que se origina nas células que revestem internamente a bexiga, conhecidas como células uroteliais ou células de transição. Essas células são capazes de se dividir rapidamente, o que explica a formação de tumores.

Tipos de câncer de bexiga

Existem vários tipos de câncer de bexiga, classificados conforme a profundidade do tumor e as células envolvidas, sendo os principais:

Tipo de Câncer de BexigaDescrição
Carcinoma de células de transição (papilífero)O mais comum, responde por cerca de 90% dos casos, pode ser superficial ou invasivo.
Carcinoma adenocarcínicoRaro, origina-se de células glandulares da bexiga.
Carcinoma de células escamosasAssociado à infecção crônica e inflamações.
Carcinoma carcinoideMuito raro, derivado de células neuroendócrinas.

Sintomas do câncer de bexiga

Reconhecer os sintomas do câncer de bexiga é fundamental para buscar atendimento médico precoce. Os sinais podem variar dependendo da fase e da localização do tumor.

Sintomas comuns

  • Hemorragia uretral (sangue na urina): É o sintoma mais frequente e pode se apresentar de forma intermitente ou constante.
  • Dificuldade para urinar: Como dor ou sensação de que a bexiga não esvazia completamente.
  • Urina turva ou com odor forte
  • Desconforto na região pélvica ou nas costas
  • Frequência urinária aumentada
  • Dor ao urinar

Sintomas avançados

Se o câncer evoluir para fases mais avançadas, podem surgir sintomas adicionais, como:

  • Inchaço nas pernas
  • Perda de peso e fadiga
  • Dor óssea ou nas costas
  • Alterações urinárias mais graves

Diagnóstico do câncer de bexiga

O diagnóstico precoce envolve uma série de exames que visam identificar a presença do tumor, determinar sua extensão e avaliar a gravidade da doença.

Exames utilizados

Cistoscopia

Utiliza-se um tubo com uma câmera na ponta para inspecionar o interior da bexiga. É considerado o exame padrão-ouro para o diagnóstico.

Exames de imagem

  • Ultrassonografia abdominal
  • Tomografia computadorizada (TC) de pelve
  • Ressonância magnética (RM)

Urinálise e citologia urinária

Testes que detectam células malignas ou sangue na urina, ajudando na triagem e monitoramento.

Biópsia

Remoção de uma pequena porção do tumor para análise laboratorial, que confirma o diagnóstico e determina o tipo de câncer.

Estadiamento do câncer de bexiga

Após confirmação, é fundamental determinar a extensão do tumor, que influencia na estratégia de tratamento. A tabela abaixo mostra os principais estágios do câncer de bexiga:

EstágioDescriçãoExemplos
TaTumor superficial, confinado à mucosaTumor não invasivo
T1Invasão da lâmina própria, porém sem atingir a muscular da bexigaTumor invasivo, porém restrito
T2Invasão do músculo da parede da bexigaTumor mais agressivo
T3Invasão do tecido ao redor da bexiga, como gordura ou órgãos adjacentesDisseminação local
T4Invasão de estruturas adjacentes, como próstata ou úteroEstágio avançado

Tratamentos para câncer de bexiga

As opções terapêuticas variam conforme o estágio do câncer, a saúde geral do paciente e as preferências individuais. Os principais tratamentos incluem:

Cirurgia

Resseção transuretral da bexiga (RTUB)

Indicada para tumores superficiais ou de baixa agressividade, consiste na remoção do tumor através de um esforço realizado por meio da uretra.

Cistectomia

Remoção total ou parcial da bexiga, indicada para tumores invasivos ou recorrentes. Pode ser acompanhada de reconstrução urinária.

Terapias complementares

Quimioterapia

Utilizada antes ou após a cirurgia, depende do estágio e da extensão do tumor. Pode ser administrada por via intravenosa ou intra-arterial.

Imunoterapia

Tratamentos que estimulam o sistema imunológico, como os inibidores de checkpoints, têm mostrado resultados positivos em casos específicos de câncer de bexiga avançado.

Radioterapia

Utilizada principalmente para pacientes que não podem se submeter à cirurgia ou como complemento ao tratamento cirúrgico.

Tabela comparativa de tratamentos

TratamentoIndicaçãoVantagensDesvantagens
Resseção transuretralTumores superficiais, de baixo riscoMenor invasividadeMaior chance de recorrência
CistectomiaTumores invasivos ou de alto grauPotencial de curaRisco de complicações cirúrgicas, impacto na qualidade de vida
QuimioterapiaTumores invasivos ou metastáticosRedução do tumor, controle do avançoEfeitos colaterais sistêmicos
ImunoterapiaCâncer avançado ou recidivanteNova alternativa eficazPode causar efeitos colaterais immunológicos
RadioterapiaPacientes não operáveis ou como complementoPreserva estruturas, menos invasivaPode causar efeitos colaterais locais

Prevenção e fatores de risco

A prevenção do câncer de bexiga envolve mudanças no estilo de vida e controle de fatores de risco conhecidos.

Fatores de risco

  • Tabagismo: Responsável por aproximadamente 50% dos casos.
  • Exposição a produtos químicos industriais: Na indústria de petróleo, tintas, corantes, e outras substâncias químicas carcinogênicas.
  • Infecções crônicas: Como infecções urinárias recorrentes e schistosomiasis.
  • Idade avançada: Maioria dos casos ocorre acima de 60 anos.
  • Histórico familiar de câncer de bexiga

Medidas preventivas

  • Parar de fumar
  • Usar equipamentos de proteção em ambientes industriais
  • Manter acompanhamento médico regular para indivíduos com fatores de risco
  • Consumir uma dieta equilibrada e rica em antioxidantes

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O câncer de bexiga é comum em homens ou mulheres?

O câncer de bexiga é mais comum em homens, especialmente na faixa dos 60 a 80 anos, com uma proporção aproximadamente de 3:1 em relação às mulheres.

2. É possível curar o câncer de bexiga?

Sim, em muitos casos, especialmente quando detectado precocemente, o câncer de bexiga pode ser curado. As taxas de sobrevivência variam, dependendo do estágio da doença.

3. Quais são os fatores que aumentam o risco de desenvolver câncer de bexiga?

Fatores principais incluem tabagismo, exposição a produtos químicos industriais, infecções crônicas e história familiar de câncer.

4. Como prevenir o câncer de bexiga?

Evitar o tabagismo, usar proteção em ambientes industriais, fazer exames regulares em caso de fatores de risco e manter uma alimentação saudável.

5. Quais sinais podem indicar a presença de câncer de bexiga?

Hemorragia urinária, dor ou desconforto ao urinar, urina turva ou com odor desagradável e alterações na frequência urinária.

Conclusão

O câncer de bexiga representa um desafio na área de saúde devido à sua incidência e às possíveis complicações decorrentes do atraso no diagnóstico. A formação de uma rotina de consultas e exames, especialmente para pessoas com fatores de risco, é fundamental para detecção precoce.

Os avanços no tratamento, incluindo cirurgias menos invasivas, imunoterapia e terapias personalizadas, têm melhorado significativamente as perspectivas para os pacientes. Ainda assim, a conscientização sobre os fatores de risco e os sintomas do câncer de bexiga é vital para a prevenção.

Investir em mudanças de estilo de vida, garantir condições de trabalho seguras e manter acompanhamento médico regular são passos essenciais para reduzir a incidência dessa doença e melhorar a qualidade de vida de quem já foi diagnosticado.

Referências

  1. INCA - Instituto Nacional de Câncer. Câncer de bexiga. Disponível em: https://www.inca.gov.br

  2. World Health Organization. Cancer of the Bladder. Disponível em: https://www.who.int

  3. Ministério da Saúde. Protocolo de Tratamento do Câncer de Bexiga. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.

  4. Almeida, F. P., & Santos, N. M. (2022). Câncer de bexiga: aspectos clínicos, diagnósticos e terapêuticos. Journal Brasileiro de Urologia.

Lembre-se: a prevenção e o diagnóstico precoce são suas melhores armas contra o câncer de bexiga.