Autoridade Coatora no Mandado de Segurança: Guia Completo 2025
O mandado de segurança é uma ação constitucional prevista na Lei nº 12.016/2009 que visa proteger direito líquido e certo, quando o responsável por violá-lo for uma autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público. Um dos pontos mais essenciais nesse procedimento é a definição da autoridade coatora, termo que designa o ente responsável pela suposta ilegalidade ou abuso de poder.
Para garantir a eficácia do mandado de segurança, compreender quem deve ser considerado autoridade coatora e seu papel no processo é fundamental. Este artigo oferece uma análise aprofundada sobre o tema, com foco na autoridade coatora no mandado de segurança, além de explorar conceitos, regulamentações, exemplos práticos e dicas de como atuar na defesa do direito.

O que é Autoridade Coatora?
Definição de Autoridade Coatora
Segundo o artigo 5º, inciso LX da Constituição Federal, "a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito". Nesse contexto, a autoridade coatora é aquela que pratica ou causa a ilegalidade ou abuso que se busca combater pelo mandado de segurança.
"A autoridade coatora é o agente que, por ação ou omissão, viola direito líquido e certo, podendo ser um agente público, uma autoridade administrativa ou até mesmo uma autoridade judicial, em algumas circunstâncias."
Características da Autoridade Coatora
- Deve ser instance na prática do ato impugnado.
- Pode ser uma autoridade de diferentes esferas (federal, estadual, municipal).
- Atua como parte responsável pelo ato que viola o direito.
Quem Pode ser Considerado Autoridade Coatora?
Autoridades Públicas e Agentes de Pessoa Jurídica de Direito Privado
De acordo com o artigo 1º, da Lei nº 12.016/2009, a autoridade coatora é, em geral, uma autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público.
Exemplos de Autoridades Coatoras
| Tipo de Autoridade | Exemplos |
|---|---|
| Autoridades Administrativas | Diretor de escola, delegado de polícia, secretário municipal |
| Autoridades Judiciais | Juízes, desembargadores, ministros de tribunais |
| Agentes de Pessoa Jurídica de Direito Privado | Quando recebem delegação de atribuições públicas, por exemplo, concessionárias de serviços públicos |
Autoridade Coatora em Mandados de Segurança Coletivos
No caso de direitos coletivos, a autoridade responsável pode ser um órgão, como a Secretaria de Saúde, ou uma direção de entidade pública.
Como Identificar a Autoridade Coatora?
Critérios para a Identificação
Para identificar a autoridade coatora, é importante responder às perguntas:
- Quem praticou o ato que viola o direito?
- Essa autoridade tem competência legal para praticar esse ato?
- Foi ela quem causou a lesão ou ameaçou o direito líquido e certo do impetrante?
Exercício Prático
Por exemplo, se uma prefeitura nega indevidamente um licenciamento ambiental, a autoridade coatora será o secretário municipal de meio ambiente. Caso uma decisão judicial cause um prejuízo, a autoridade coatora será o juiz ou desembargador responsável pela decisão.
Diferença entre Autoridade Coatora e Autoridade Julgadora
| Aspecto | Autoridade Coatora | Autoridade Julgadora |
|---|---|---|
| Definição | Responsável pelo ato ilegal ou abusivo | Responsável por julgar a ação ou recurso |
| Papel no processo | Pratica o ato que viola o direito | Decide sobre o mérito da ação |
| Exemplo | Secretário de saúde (autoridade coatora) | Juiz de direito (autoridade julgadora) |
Papel da Autoridade Coatora no Processo de Mandado de Segurança
Oato de Impugnação Direta
A autoridade coatora deve, quando citada, apresentar as razões de seu ato, podendo protocolar defesa ou esclarecer os motivos de sua conduta.
Responsabilidade por atos ilegais
A autoridade está sujeita às penalidades e pode ser responsabilizada administrativamente ou judicialmente, caso cometa ato ilegal ou abuso.
Quando a Autoridade Coatora Pode Ser Dispensa de Notificação?
De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em alguns casos específicos, a autoridade coatora é considerada, automaticamente, como parte no processo, dispensando sua notificação. No entanto, em geral, deve-se localizá-la e citá-la para exercer seu direito de defesa.
Consequências de Uma Identificação Incorreta da Autoridade Coatora
- Prejuízos Processuais: Instauração de ação inadequada.
- Inexequibilidade: A decisão pode ser considerada nula se a autoridade coatora não for corretamente identificada.
- Impedimento de Revisão: Não será possível questionar atos de outros agentes não envolvidos na causa.
Tabela Resumida sobre Autoridade Coatora e suas Implicações
| Aspecto | Informação |
|---|---|
| Definição | Entidade ou agente responsável por prática ilegal ou abusiva |
| Tipos de autoridades | Administrativas, judiciais, legislativas, de empresas públicas |
| Consequências de identificação incorreta | Nulidade do mandado, prejuízo na defesa do direito |
| Como identificar? | Verificar quem praticou ou ordenou o ato ilegal |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O que caracteriza uma autoridade coatora?
A autoridade coatora é aquela que, por ação ou omissão, viola direito líquido e certo do impetrante, sendo responsável pelo ato que se busca anular por meio do mandado de segurança.
2. Posso impugnar ações de autoridades não nomeadas como coatoras?
Sim, mas é importante identificá-las corretamente no processo para garantir que a ação seja dirigida à autoridade responsável pelo ato ilegal.
3. A autoridade coatora deve ser notificada formalmente?
Sim, a autoridade deve ser citada para apresentar sua defesa, garantindo o contraditório e ampla defesa.
4. Posso indicar mais de uma autoridade coatora?
Sim, em casos onde múltiplas autoridades participam do ato ilegal, todas podem ser indicadas como coatoras.
5. Em que situações a autoridade coatora não precisa ser citada?
Quando a lei ou jurisprudência dispensa a citação, por exemplo, em ações de controle de constitucionalidade ou em algumas ações coletivas.
Considerações Finais
A correta identificação da autoridade coatora é fundamental para o sucesso da ação de mandado de segurança. Entender o papel das diferentes autoridades públicas, seus limites de atuação e a relevância do ato praticado é crucial para garantir a proteção do direito líquido e certo do impetrante.
Ao atuar na prática jurídica, manter-se atualizado sobre as jurisprudências e as legislações específicas torna-se uma vantagem competitiva e garante maior segurança nas ações ajuizadas.
“A eficácia do mandado de segurança depende, sobretudo, da precisão na identificação da autoridade responsável pelo ato ilegal.” — Ministro Joaquim Barbosa.
Para aprofundar os conhecimentos, consulte:
- STJ - Mandado de Segurança
- Direito Administrativo - Lei nº 12.016/2009
Conclusão
O mandado de segurança é uma ferramenta poderosa de proteção de direitos assegurada pela Constituição Federal. A correta identificação da autoridade coatora, responsável pelo ato ilegal ou abusivo, é um passo crucial para garantir a legitimidade e a efetividade do procedimento. Conhecer suas características, diferenças, responsabilidades e implicações ajuda profissionais do direito a atuarem com maior precisão e segurança na defesa de seus clientes.
Referências
- BRASIL. Lei nº 12.016/2009. Regula o Mandado de Segurança. Disponível em: link
- SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Jurisprudência sobre Mandado de Segurança. Disponível em: https://portal.stf.jus.br
- GOMES, Bruno. Direito Administrativo. São Paulo: Atlas, 2020.
- SÃO PAULO, Carla. Mandado de Segurança: teoria e prática. Belo Horizonte: Fórum, 2022.
Este artigo foi elaborado para fornecer uma compreensão aprofundada e atualizada sobre o tema, otimizando seu entendimento para questões jurídicas e doutrinárias em 2025.
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