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Atresia de Vias Biliares: Diagnóstico e Tratamento Eficaz

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A atresia de vias biliares é uma condição grave que afeta principalmente recém-nascidos, levando à obstrução das vias que conduzem a bile do fígado para o intestino. Essa obstrução impede a eliminação adequada de bile, resultando em icterícia, acúmulo de toxinas e risco de insuficiência hepática. Entender os aspectos clínicos, o diagnóstico precoce e os tratamentos disponíveis é essencial para melhorar a qualidade de vida dessas crianças e aumentar as chances de cura.

Este artigo aborda de forma abrangente os principais aspectos relacionados à atresia de vias biliares, incluindo suas causas, sintomas, métodos diagnósticos, opções de tratamento e prognóstico. Além disso, responderemos às perguntas frequentes para esclarecer dúvidas comuns de pais e profissionais de saúde.

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O que é a Atresia de Vias Biliares?

Definição

A atresia de vias biliares é uma condição congênita caracterizada pela ausência ou má-formação dos ductos biliares que conduzem a bile do fígado até a vesícula biliar e o intestino delgado. Como consequência, ocorre um bloqueio completo ou parcial deste fluxo, levando ao acúmulo de bile no fígado e às complicações associadas.

Incidência

A atresia de vias biliares é uma das principais causas de doença hepatocelular crônica e cirrose infantil, afetando aproximadamente 1 em cada 10.000 a 15.000 nascimentos vivos em todo o mundo. Seu diagnóstico precoce é fundamental para a eficácia do tratamento.

Causas e Fatores de Risco

Embora a causa exata da atresia de vias biliares permaneça desconhecida, diversos fatores estão associados ao seu desenvolvimento:

  • Fatores genéticos: estudos indicam possíveis componentes genéticos sensibilizando à condição.
  • Fatores ambientais: exposições durante a gestação, como vírus ou toxinas, podem influenciar.
  • Anomalias congênitas associadas: em alguns casos, a atresia ocorre juntamente com outras malformações congênitas.

Sintomas e Manifestações Clínicas

Sintomas precoce

Nos primeiros meses de vida, os sinais mais evidentes incluem:

  • Icterícia progressiva
  • Urina escura
  • Fezes claras ou acólicas
  • Hepatomegalia (lívio aumentado)
  • Perda de peso e atraso no crescimento

Sintomas tardios

Se não tratado, a condição evolui para:

  • Cirrose hepática-ascite (acúmulo de líquido na cavidade abdominal)
  • Hemorragias por hipertensão portal
  • Insuficiência hepática avançada

Quadro clínico resumido

SintomaDescrição
IcteríciaColoração amarelada na pele e olhos, presente desde os primeiros dias de vida
Urina escuraDevido ao excesso de bilirrubina excretada pelos rins
Fezes clarasAusência ou pouca deposição de pigmentos biliares nas fezes
HepatomegaliaFígado aumentado e sensível ao toque
Perda de pesoAtraso no crescimento e desenvolvimento infantil

Diagnóstico

O diagnóstico precoce da atresia de vias biliares é crucial para aumentar as chances de sucesso do tratamento. Diversos exames auxiliam na confirmação da condição.

Exames laboratoriais

  • Dosagem de bilirrubinas: aumento de bilirrubinas totais e conjugadas
  • Função hepática: elevações em transaminases, fosfatase alcalina
  • Hemograma: sinais de anemia ou infecção secundária

Exames de imagem

Ultrassonografia abdominal

É o exame inicial para avaliar o fígado, presença de vias biliares visíveis ou alterações sugestivas de atresia.

Teste de cintilografia hepática com hektagrid (HIDA)

Permite avaliar o fluxo biliar e detectar obstruções.

Biópsia hepática

Conduzida para observar alterações histológicas típicas, como fibrose e inflamação.

Diagnóstico diferencial

Inclui outras causas de icterícia neonatal, como infecções, hemorragias ou doenças metabólicas.

Tabela: Procedimentos diagnósticos para atresia de vias biliares

ExameObjetivoResultado esperado
UltrassonografiaVisualizar vias biliares e fígadoAusência ou diminuição das vias biliares, fígado aumentado
Cintilografia hepática (HIDA)Confirmar fluxo biliarFluxo ausente ou comprometido após administração do radionuclídeo
Biópsia hepáticaConfirmar alterações histológicasFibrose, inflamação, ductos biliares ausentes ou malformados

Tratamento

Objetivos do tratamento

O principal objetivo é restaurar o fluxo biliar, prevenir ou tratar complicações hepáticas e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Opções de tratamento disponíveis

Cirurgia de portoenterostomia (Procedimento de Kasai)

É o tratamento padrão de ouro, realizado normalmente nos primeiros 60 dias de vida. Consiste na conexão direta do fígado com o intestino delgado, bypassando a área obstruída.

Transplante hepático

Indicado nos casos em que a cirurgia de Kasai não é bem-sucedida ou a doença progride para insuficiência hepática avançada.

Cuidados Pós-operatórios

  • Monitoramento constante de sinais de infecção
  • Controle das complicações hepáticas
  • Nutrição adequada para promover o crescimento
  • Uso de medicamentos imunossupressores, no caso de transplante

Tabela: Resumo das opções de tratamento

TratamentoIndicaçãoObjetivo
Portoenterostomia (Kasai)Recém-nascidos até 60 dias de vidaRestabelecer fluxo biliar
Transplante hepáticoInsucesso da cirurgia de Kasai ou doença avançadaSubstituir o fígado doente
Cuidados de suporteTodos os casosControlar complicações, melhorar qualidade de vida

Prognóstico

O prognóstico depende da idade de diagnóstico, sucesso da cirurgia de Kasai e acompanhamento adequado. Crianças que passam pela cirurgia dentro do período ideal apresentam maior chance de manter uma função hepática adequada.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, "a detecção precoce e intervenção cirúrgica eficaz podem transformar o curso da atresia de vias biliares, permitindo às crianças uma vida mais saudável e com menor risco de complicações crônicas."

Perguntas Frequentes

1. A atresia de vias biliares é hereditária?

Não há evidências conclusivas que associem a condição a fatores genéticos hereditários, porém, estudos ainda estão em andamento quanto às possíveis predisposições.

2. É possível prevenir a atresia de vias biliares?

Por ser uma condição congênita e de causa desconhecida, atualmente, não há formas conhecidas de prevenção.

3. Quando procurar um especialista?

Caso haja sinais de icterícia persistente após o primeiro mês de vida, especialmente acompanhada de outros sintomas mencionados, aconselha-se procurar um pediatra ou hepatologista infantil imediatamente.

4. Qual é o tempo ideal para realizar cirurgia de Kasai?

O procedimento deve ser realizado o mais cedo possível, preferencialmente antes dos 60 dias de vida, para melhores resultados.

5. Quais são as complicações se não tratada?

Incluem cirrose, insuficiência hepática, hipertensão portal e aumento do risco de câncer de fígado.

Conclusão

A atresia de vias biliares representa um desafio clínico significativo, mas, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, muitas crianças podem ter uma melhora significativa na qualidade de vida e prognóstico. A união de uma equipe multidisciplinar, incluindo pediatras, hepatologistas e cirurgiões, é fundamental para otimizar os resultados.

O avanço na tecnologia de imagem e na cirurgia contribui para melhores taxas de sucesso, tornando a conscientização sobre os sinais iniciais e a rapidez no diagnóstico essenciais.

Referências

  1. World Health Organization. "Biliary Atresia." Disponível em: https://www.who.int/health-topics/biliary-atresia
  2. Oitava Conferência Pan-Americana sobre Hepatite. "Biliary Atresia: Diagnosis and Treatment." Journal of Pediatric Surgery, 2020.
  3. Ministério da Saúde. Protocolo de atenção à criança com icterícia neonatal. Disponível em: https://www.saude.gov.br/pactosult/atualizacoes/71478-protocolo-para-doenca-hepatica-infantil

Este artigo é uma síntese de informações disponíveis até outubro de 2023. Para avaliação e tratamento, consulte um especialista na área.