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As 6 Metas Internacionais de Segurança do Paciente: Guia Essencial

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A segurança do paciente é uma prioridade global para sistemas de saúde em todo o mundo. Para oferecer um cuidado mais seguro e reduzir riscos, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabeleceu as Seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente. Essas metas funcionam como diretrizes essenciais para hospitais, clínicas e demais instituições de saúde que buscam diminuir eventos adversos e promover uma cultura de segurança.

Neste artigo, vamos explorar detalhadamente cada uma das metas, entender sua importância, ações recomendadas, assim como fornecer dicas práticas para organizações e profissionais de saúde. Além disso, responderemos às perguntas mais frequentes relacionadas ao tema, oferecendo um guia completo e otimizado para quem deseja aprofundar seus conhecimentos nesta área.

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O que são as Metas Internacionais de Segurança do Paciente?

As Seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente foram desenvolvidas pela OMS em 2002, com o objetivo de criar um padrão global de segurança na assistência à saúde. Elas representam prioridades para reduzir danos e melhorar a qualidade do atendimento, promovendo uma cultura de transparência, aprendizado contínuo e responsabilidade.

Essas metas também são fundamentais para orientar as políticas de saúde públicas, orientar treinamentos profissionais e favorecer a implementação de boas práticas na assistência clínica.

As 6 Metas Internacionais de Segurança do Paciente

1. Identificação Correta do Paciente

O que significa?

Garantir que cada paciente seja corretamente identificado antes de qualquer procedimento, administração de medicamentos ou coleta de exames. Essa meta visa evitar trocas, equívocos e procedimentos realizados na pessoa errada.

Como aplicar?

  • Utilizar pelo menos dois identificadores exclusivos, como nome completo e data de nascimento;
  • Confirmar a identidade do paciente diretamente com ele, sempre que possível;
  • Utilizar pulseiras de identificação, sempre conferindo a leitura com o prontuário ou sistema eletrônico.

2. Comunicação Eficaz

O que significa?

Assegurar uma comunicação clara entre equipes, pacientes e familiares para evitar mal-entendidos, erros de medicação, procedimentos ou diagnósticos.

Como aplicar?

  • Uso de checklists em procedimentos cirúrgicos;
  • Documentação completa e legível;
  • Reuniões de times multidisciplinares;
  • Incentivo ao reporte de incidentes e dúvidas.

3. Segurança na Alimentação e Nutrição

O que significa?

Garantir que a alimentação fornecida seja segura, adequada às necessidades e restrições do paciente, minimizando riscos de incomplexidade nutricional ou contaminação.

Como aplicar?

  • Checagem de alergias e restrições alimentares;
  • Controle rigoroso na preparação e armazenamento de alimentos;
  • Monitoramento do consumo e aceitação do paciente.

4. Segurança na Prescrição, Uso e Administração de Medicamentos

O que significa?

Prevenir erros relacionados à medicação, incluindo prescrições incorretas, dosagens erradas ou administração na hora equivocada.

Como aplicar?

  • Uso de protocolos padronizados de prescrição;
  • Estado de alerta em relação a alergias e interações medicamentosas;
  • Conferência dupla na administração;
  • Educação do paciente sobre seus medicamentos.

5. Redução de Riscos de Infecção

O que significa?

Implementar práticas para reduzir infecções relacionadas à assistência à saúde, como infecção hospitalar, infecção do sítio cirúrgico, entre outras.

Como aplicar?

  • Higiene das mãos adequada;
  • Uso de EPIs (Equipamentos de Proteção Individual);
  • Limpeza e esterilização de equipamentos;
  • Protocolos de isolamento e controle de infecção.

6. Redução do Risco de Lesões por Queda

O que significa?

Minimizar eventos de quedas no ambiente hospitalar, especialmente entre os pacientes com maior risco, como idosos ou pacientes com mobilidade reduzida.

Como aplicar?

  • Avaliação do risco de queda na admissão;
  • Uso de dispositivos de segurança, como barras de apoio;
  • Orientação a pacientes e familiares.
  • Modificações no ambiente para torná-lo mais seguro, como iluminação adequada.

Tabela Resumo das 6 Metas Internacionais de Segurança do Paciente

MetaObjetivo PrincipalAções Recomendas
1. Identificação Corretagarantir o reconhecimento preciso do pacienteUso de pelo menos dois identificadores, pulseiras de identificação
2. Comunicação eficazpromover troca clara de informaçõesReuniões, checklists, prontuário eletrônico
3. Segurança na alimentaçãoassegurar nutrição segura e adequadaAvaliação de alergias, controle de alimentos
4. Uso racional de medicamentosevitar erros medicinaisProtocolos, conferência dupla, educação
5. Controle de infecçõesprevenir infecções hospitalaresHigiene, EPIs, esterilização
6. Prevenção de quedasreduzir lesões por quedasAvaliação de risco, adaptações no ambiente

A importância da cultura de segurança no ambiente hospitalar

Como reforça Peter Pronovost, um dos maiores especialistas em segurança do paciente, “a cultura de segurança é o fator mais importante para prevenir eventos adversos”. Ou seja, além de seguir protocolos, é fundamental fomentar uma cultura de transparência, aprendizagem contínua e responsabilidade coletiva para que as metas sejam efetivamente alcançadas.

A implementação dessas metas é um passo importante na direção de hospitais mais seguros, mas ela só traz resultados duradouros com o engajamento de toda equipe de saúde, gestão comprometida e participação ativa dos pacientes e familiares.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são as principais vantagens de seguir as Metas Internacionais de Segurança do Paciente?

Seguem benefícios como redução de eventos adversos, melhoria na qualidade do atendimento, maior satisfação dos pacientes, diminuição de custos hospitalares, e fortalecimento da cultura de segurança dentro das instituições de saúde.

2. Como as instituições podem implementar essas metas de forma eficaz?

A implementação exige formação contínua da equipe, uso de tecnologia adequada, atualizações em protocolos, auditorias internas e incentivo ao reporte de incidentes. Além disso, é importante estabelecer uma gestão de riscos eficiente e envolver todos os stakeholders.

3. Existe legislação que ampara a adoção das Metas Internacionais?

Sim. No Brasil, por exemplo, a Portaria GM/MS nº 2612/2007 regula ações de segurança do paciente no SUS. Além disso, a adesão às metas da OMS reflete boas práticas recomendadas internacionalmente.

4. Como os profissionais de saúde podem contribuir individualmente?

Ao manter atualização constante, seguir protocolos, comunicar-se claramente, reportar incidentes e colocar o paciente no centro do cuidado, contribuindo para uma cultura de segurança eficaz.

5. Onde posso encontrar mais informações sobre segurança do paciente?

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disponibiliza materiais e diretrizes acessíveis em seu site oficial, além de publicações específicas sobre as metas. Sites de associações nacionais, como a Sociedade Brasileira de Empatia em Segurança do Paciente, também oferecem excelentes recursos.

Conclusão

As Seis Metas Internacionais de Segurança do Paciente representam um marco na busca pela excelência na assistência à saúde. Elas enfatizam a importância da identificação correta, comunicação eficaz, segurança na nutrição, uso racional de medicamentos, controle de infecções e prevenção de quedas. O seu cumprimento é essencial para reduzir eventos adversos, melhorar os resultados de saúde e promover uma cultura de segurança robusta.

Implementar essas metas demanda esforço conjunto, inovação, compromisso contínuo e uma gestão consciente da cultura organizacional. Como disse James Bagian, especialista em segurança do paciente, “não basta apenas adoptar procedimentos; é preciso criar um ambiente onde a segurança seja uma prioridade, todos estejam engajados e aprendam com os erros.”

Invista na segurança do paciente e contribua para uma assistência mais humana, eficiente e confiável.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. Global patient safety action plan 2021-2030. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240017794

  2. Ministério da Saúde. Portaria GM/MS nº 2612/2007. Segurança do Paciente no SUS.

  3. Pronovost, P., et al. "Creating a culture of safety in healthcare." Clinical Safety, vol. 4, 2016.

  4. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia de Segurança do Paciente.

  5. Sociedade Brasileira de Empatia em Segurança do Paciente. Recursos e publicações sobre segurança na assistência à saúde.

Este artigo foi elaborado para fornecer informações completas e atualizadas sobre as Metas Internacionais de Segurança do Paciente, contribuindo para a qualificação do cuidado em saúde.