Artigo 319 Código Penal: Entenda a Prisão Preventiva com Clareza
A legislação penal brasileira dispõe de diversos dispositivos que buscam assegurar a ordem pública, a regularidade do processo e a aplicação da lei penal. Entre eles, o Artigo 319 do Código Penal (CP) ocupa posição de destaque ao regulamentar a prisão preventiva — uma medida cautelar que visa garantir o andamento do processo penal antes de uma sentença definitiva. Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o que diz o Artigo 319 do Código Penal, seus conceitos, aplicação, limites e implicações para o sistema judiciário brasileiro.
Introdução
A prisão preventiva é uma das medidas mais debatidas no Direito Penal brasileiro devido à sua relevância na manutenção da ordem e na garantia do processo. Muitas vezes, sua aplicação levanta questionamentos sobre direitos fundamentais e princípios constitucionais, como a liberdade individual. O entendimento claro do artigo que regula essa medida é fundamental tanto para profissionais do Direito quanto para a sociedade, evitando interpretações erroneas ou abusivas.

Por que entender o Artigo 319 do Código Penal é importante?
Conhecer os parâmetros legais que regulamentam a prisão preventiva ajuda na defesa dos direitos do acusado e na fiscalização de um sistema penal que deve ser justo, proporcional e dentro dos limites constitucionais.
O que diz o Artigo 319 do Código Penal?
O Artigo 319 do Código Penal dispõe:
Art. 319. A prisão preventiva poderá ser decretada pelo juiz, quando houver prova de existência do fato criminoso e indícios suficientes de autoria, nos seguintes casos:
I - garantir a ordem pública;II - garantir a conveniência da instrução criminal;III - assegurar a aplicação da lei penal.
Interpretação do Artigo 319
O dispositivo estabelece três hipóteses principais que justificam a decretação da prisão preventiva:
| Hipótese | Objetivo | Exemplos |
|---|---|---|
| Garantir a ordem pública | Evitar que a sociedade seja prejudicada por atos do investigado ou réu | Prisão de suspeitos por crimes de grande repercussão social, como homicídios em resistência, se houver risco de tumulto ou violência |
| Garantir a instrução criminal | Assegurar que o investigado compareça às fases processuais | Prisão de réu que tenta fugir ou intimidar testemunhas durante o andamento do processo |
| Assegurar a aplicação da lei penal | Evitar que o réu cometa novos delitos ou prejudique o andamento da pena | Prisão preventiva de réu com histórico de reincidência, para evitar novos crimes |
Citação relevante:
"O Direito Penal não deve ser instrumento de arbítrio, mas sim instrumento de garantias e proteção aos direitos fundamentais." — trecho de Doutrina de Nelson Hungria.
Requisitos para a decretação da Prisão Preventiva (Artigo 319)
A decretação da prisão preventiva deve atender a alguns requisitos importantes, que garantem sua legalidade e o respeito aos direitos do investigado ou réu:
1. Prova de existência do fato criminoso
Deve haver evidências de que o crime ocorreu, ainda que de forma superficial ou preliminar.
2. Indícios suficientes de autoria
Há necessidade de elementos que apontem que o investigado ou réu é, de fato, o autor do crime.
3. Aplicação de uma das hipóteses do artigo 319
A prisão só pode ser decretada se estiver presente uma das finalidades previstas no dispositivo, como garantir a ordem pública, instrução criminal ou aplicação da lei penal.
Limites e garantias na aplicação do Artigo 319
Apesar de sua importância, a decretação da prisão preventiva deve respeitar certos limites constitucionais e legais. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso LXI, garante:
"Ninguém será preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada de autoridade judiciária, salvo nos casos de transgressão militar ou crime propriamente militar, definidos em lei."
Limites legais e constitucionais
| Limite | Descrição | Nota |
|---|---|---|
| Fundamentação | Decreto de prisão preventiva deve ser fundamentado, com despacho motivado pelo juiz. | Garantia do contraditório e ampla defesa. |
| Proporcionalidade e necessidade | A prisão deve ser proporcional ao crime e à situação do réu. | Evitar prisões abusivas e arbitrariedades. |
| Temporalidade | Não há prazo específico na lei, mas a prisão preventiva deve ser revista periodicamente. | Garantia de que não seja uma prisão por tempo indeterminado. |
Jurisprudência e debates atuais
Vários tribunais e o Supremo Tribunal Federal têm reafirmado a necessidade de que a prisão preventiva seja uma medida excepcional, sempre devidamente fundamentada e limitada ao necessário para alcançar seus objetivos.
Comparativo entre Prisão Preventiva e Outras Medidas Cautelares
| Medida Cautelar | Características | Quando utilizar |
|---|---|---|
| Prisão Preventiva | Restrição de liberdade sem condenação definitiva. Necessária para garantir objetivos do Art. 319. | Quando os requisitos do artigo 319 estiverem presentes. |
| Prisão Temporária (Lei nº 7.960/89) | Mais restritiva, decretada por prazo determinado em casos específicos de investigação. | Caso de investigação em fase inicial, antes de denúncia. |
| Medidas Asilar ou Diversas | Advertência, comparecimento, escolta, fiança. | Quando a situação não requer prisão. |
Como funciona a decretação da prisão preventiva na prática?
Na prática, a prisão preventiva é decretada por um juiz após pedido do Ministério Público ou da própria autoridade policial durante a fase de investigação ou do processo. O réu deve ser informado da decisão e pode, posteriormente, impugná-la por meio de recursos legais.
Processo típico de decretação
- Indícios e provas: Recolhimento de elementos que indicam a autoria e materialidade do crime.
- Requerimento de prisão: Ministério Público ou polícia solicitam a prisão preventiva.
- Decisão judicial: O juiz analisa os argumentos e fundamenta seu despacho, decretando ou não a prisão.
- Revisão: A prisão preventiva pode ser revista periodicamente, por decisão do juiz, especialmente quando surgem novos fatos ou mudanças na situação do réu.
Tabela: Principais pontos do Artigo 319 do Código Penal
| Aspecto | Detalhes |
|---|---|
| Finalidade | Garantir a ordem pública, instrução criminal ou aplicação da lei penal. |
| Requisitos | Prova do fato criminoso e indícios de autoria. Fundamentação legal e necessidade. |
| Limites legais | Respeito aos direitos fundamentais, proporcionalidade e fundamentação adequada. |
| Duração | Revisão periódica obrigatória; não há prazo fixado em lei, mas deve ser justificada. |
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. O que é a prisão preventiva segundo o Artigo 319 do Código Penal?
A prisão preventiva é uma medida cautelar autorizada pelo juiz, com base no Artigo 319 do Código Penal, quando há provas do fato criminoso e indícios suficientes de autoria, e se justifica para garantir a ordem pública, a instrução criminal ou a aplicação da lei penal.
2. Quais são as principais hipóteses de decretação da prisão preventiva?
As principais hipóteses são: garantir a ordem pública, assegurar a instrução criminal e garantir a aplicação da lei penal.
3. A prisão preventiva pode ser decretada sem provas ou indícios?
Não. É necessário que existam provas ou indícios de autoria e do fato criminoso para justificar a decretação da prisão preventiva.
4. Quanto tempo dura uma prisão preventiva?
Não há um limite de tempo fixado em lei; ela deve ser revista periodicamente e aplicada somente enquanto os seus objetivos justificarem sua manutenção.
5. Quais direitos o réu tem durante a prisão preventiva?
O réu tem direito a ser informado do motivo da prisão, a defesa por advogado, a visitas judiciais e a pedidos de revogação ou revisão da prisão.
Conclusão
O Artigo 319 do Código Penal desempenha papel fundamental no sistema de garantia da ordem pública e na eficiência do processo penal brasileiro. Sua aplicação, porém, deve ser sempre pautada pelos princípios constitucionais do contraditório, ampla defesa, proporcionalidade e devido processo legal. A compreensão clara dessa normativa é essencial para evitar abusos e assegurar que a prisão preventiva seja uma medida excepcional, necessária e fundamentada.
A sociedade e os operadores do Direito precisam estar atentos para que os direitos fundamentais do acusado sejam preservados, enquanto se garante a ordem social e o andamento justo do processo penal.
Referências
- BRASIL. Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940).
- Constituição Federal de 1988.
- STF - Supremo Tribunal Federal. Medida de análise sobre prisão preventiva.
- Guia jurídico sobre medidas cautelares penais. Disponível em Direito Brasil.
- Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) sobre prisão preventiva. Disponível em STJ.gov.br.
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