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Artigo 29 Código Penal: Entenda as Infrações Previstas

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O Direito Penal é uma das áreas mais complexas do ordenamento jurídico brasileiro, dedicado a regular as condutas consideradas ilícitas e estabelecer as consequências para quem as pratica. Entre os dispositivos que compõem esse arcabouço, o Artigo 29 do Código Penal desempenha papel fundamental ao definir a ocorrência de tentativa de crime. Compreender essa disposição é essencial para profissionais do Direito, estudantes, e para quem busca entender melhor as nuances da legislação penal brasileira.

Este artigo tem por objetivo esclarecer detalhadamente o que dispõe o Artigo 29 do Código Penal, abordando suas principais interpretações, aplicações práticas, formas de classificação de tentativa, e explicando conceitos-chave relacionados ao tema. Além disso, apresentaremos perguntas frequentes, uma tabela comparativa, citações de especialistas e links para fontes externas de referência.

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O que diz o Artigo 29 do Código Penal

Texto do Artigo 29

Artigo 29. Diz-se o crime:
I - consumado, quando previstos na lei como crime consumado;
II - tentado, quando, iniciada a execução, não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do agente.

Em resumo, o artigo distingue a consumação do crime da tentativa. A consumação ocorre quando todos os elementos que configuram a conduta ilícita estão presentes, enquanto a tentativa acontece quando o agente inicia a execução, mas não conclui o crime por fatores alheios à sua vontade.

Entendendo a tentativa de crime

Conceito de tentativa

A tentativa de crime ocorre quando o indivíduo, agindo com a intenção de cometer um ilícito penal, inicia a execução de um ato, mas não chega a consumá-lo integralmente. Ou seja, há uma ação efetiva de início, mas a consumação não ocorre por motivos diversos, como intervenção de terceiros, erro ou circunstâncias imprevistas.

Citação:
"A tentativa de crime revela a expressão do dolo do agente e a sua intenção de praticar o ato ilícito, sendo uma fase intermediária entre a preparação e o crime consumado." — Streck, Marcelo Neves

Requisitos para configuração da tentativa

Para que seja configurada uma tentativa, devem estar presentes alguns requisitos básicos:

RequisitoDescrição
Início de execuçãoManual, atos concretos voltados à prática do crime.
Ideia de consumaçãointenção clara de atingir o resultado desejado.
Ausência de consumação finalO crime não se concretiza por fatores alheios à vontade do agente.

Classificação das tentativas de crime

Tentativa perfeita e tentativa imperfeita

Existem duas categorias de tentativa, bem descritas pelo Código Penal e doutrina jurídica:

Tentativa perfeita

Quando o agente inicia a execução, mas não há possibilidade de prosseguir na ação, geralmente por fatores externos ao seu controle.

Tentativa imperfeita

Quando há início de execução, mas por circunstâncias internas ou falhas, a tentativa não consegue alcançar o resultado esperado.

Tabela comparativa: Tentativa Perfeita x Tentativa Imperfeita

CritérioTentativa PerfeitaTentativa Imperfeita
Características principaisQuando a ação inicia, mas não há possibilidade de prosseguir devido a fatores externos.Quando a ação inicia, mas é interrompida por fatores internos ou falhas próprias.
ExemploDisparo de arma de fogo que falha e não atinge vítimaTentar matar alguém, mas a arma não dispara por defeito.
Consequência penalPode receber redução de pena de até 1/3Pode receber redução de pena de até 1/3

Sanção penal na tentativa

Redução de pena

Segundo o Artigo 14, inciso II do Código Penal, na tentativa, a pena aplicada ao crime é reduzida de um a dois terços no caso de tentativa perfeita ou imperfeita.

Exemplos de aplicação

CrimePena para o crime consumadoPena para a tentativa (com redução)
HomicídioDe 6 a 20 anosDe 2 a 13 anos
RouboDe 4 a 10 anos + multaDe 1,33 a 6,66 anos + multa
Lesão Corporal GraveDe 1 a 5 anosDe aproximadamente 0,33 a 3 anos

Observação: A redução da pena não se aplica quando o agente abandona a execução do crime, ficando sujeito às penas do crime consumado se constatada a crime consumado posteriormente.

Importância do Artigo 29 na prática jurídica

O entendimento do que constitui uma tentativa de crime é fundamental para orientar a investigação, o oferecimento de denúncia, a defesa do réu e a sentença judicial. A distinção entre tentativa e crime consumado influencia diretamente na dosimetria da pena, na quantidade de penalizações e na possibilidade de aplicação de benefícios penais, como a pena reduzida ou substituição por medidas alternativas.

Para aprofundar mais sobre o tema, recomendo a leitura do artigo completo no Site JusBrasil, além do estudo no Portal da Legislação.

Perguntas frequentes

1. Qual a diferença entre crime e tentativa de crime?

Resposta: O crime é a conduta ilícita que se concretiza com todos os seus elementos, enquanto a tentativa é a ação iniciada pelo agente, mas que não se consuma por motivos independentes de sua vontade.

2. A tentativa de crime é crime?

Resposta: Sim, a tentativa é considerada crime no ordenamento jurídico. Ela é punível, embora a pena seja sempre reduzida proporcionalmente à sua gravidade.

3. Quando a tentativa é considerada bem-sucedida?

Resposta: Quando todos os elementos do crime estão presentes e o resultado é atingido, o que caracteriza a consumação do delito.

4. Como é aplicada a pena na tentativa de crime?

Resposta: A pena é reduzida de um a dois terços, de acordo com o Artigo 14, inciso II, do Código Penal.

5. Quais fatores podem impedir a consumação do crime?

Resposta: Intervenção de terceiros, erro do agente, circunstâncias imprevistas, entre outros fatores externos ou internos ao controle do autor.

Conclusão

O Artigo 29 do Código Penal é uma peça fundamental para entender o que diferencia uma tentativa de crime de uma conduta consumada. Ele traz a descrição jurídica de um momento intermediário na prática delituosa, o que tem implicações práticas na dosimetria da pena e na aplicação do Direito Penal.

A compreensão aprofundada desse dispositivo é indispensável para profissionais do Direito, estudantes e qualquer pessoa interessada na matéria. A adequada distinção entre tentativa e consumação reflete na justiça, na proporcionalidade das penas e na efetividade do sistema penal brasileiro.

Referências

Considerações finais

A compreensão do artigo 29 do Código Penal é essencial para o entendimento do fenômeno da tentativa na legislação brasileira. Como destacou o jurista Luiz Flávio Gomes, "A tentativa representa a manifestação do dolo do agente no momento imediato ao crime, sendo uma etapa importante na análise da responsabilidade penal."

Para um aprofundamento contínuo, recomenda-se a leitura de textos especializados e acompanhamento de atualizações legislativas.

Este conteúdo foi elaborado para fins informativos e não substitui a consulta a um profissional especializado em Direito Penal.