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Artigo 173 Código Penal: Entenda suas Implicações Jurídicas

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O Código Penal brasileiro é um dos principais instrumentos legislativos que definem os crimes e suas punições no país. Entre os diversos dispositivos que o compõem, o artigo 173 possui um papel relevante na delimitação de condutas ilícitas no âmbito econômico e de ordem patrimonial. Compreender suas implicações é fundamental tanto para profissionais do direito quanto para cidadãos que desejam estar informados sobre os limites da conduta legal e as consequências de violações.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o conteúdo do artigo 173 do Código Penal, suas aplicações, exemplos práticos, e responderemos às dúvidas mais frequentes relacionadas a essa norma jurídica. Além disso, apresentaremos uma análise comparativa e recursos úteis para quem busca aprofundar seus conhecimentos sobre o tema.

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O que diz o artigo 173 do Código Penal?

Texto do artigo 173

Artigo 173 do Código Penal:
Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro:
Pena de reclusão de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa.

Este dispositivo trata da falsificação e alteração de documentos públicos, uma infração grave que atenta contra a integridade do sistema de registros públicos e pode gerar consequências profundas na vida de indivíduos e na segurança jurídica do Estado.

Definições importantes

  • Documento público: todo documento emitido por uma autoridade pública ou por particular no exercício de função pública, incluindo registros, certidões, escrituras e outros.
  • Falsificar: criar uma cópia fraudulenta de um documento, de modo a parecer verdadeiro.
  • Alterar: modificar ou acrescentar informações legítimas em um documento público, de forma a alterar seu significado ou autenticidade.

Implicações jurídicas do artigo 173

Casos típicos de aplicação

O artigo 173 do Código Penal é frequentemente utilizado em casos envolvendo:

  • Falsificação de carteiras de identidade, passaportes, CNH (Carteira Nacional de Habilitação).
  • Fraudes envolvendo registros imobiliários, como escrituras ou registros de imóveis falsificados.
  • Alteração de diplomas, certificados ou títulos acadêmicos.
  • Falsificação de documentos fiscais e contratos públicos.

Consequências legais

A violação ao artigo 173 acarreta penas que variam de 3 a 6 anos de reclusão, além de multa. A severidade da pena enfatiza a importância de preservar a autenticidade dos documentos públicos e a integridade do sistema legal e administrativo.

Processo penal

A denúncia de falsificação ou alteração de documento público pode ser apresentada pelo Ministério Público ou por quem tenha interesse direto. O processo envolve perícia técnica para verificar a autenticidade do documento, além de testemunhas e outros meios de prova.

Exemplos práticos e jurisprudência relevante

Caso 1: falsificação de documento de identidade

Um indivíduo que falsifica sua identidade para obter benefícios sociais ou ingressar em instituições de ensino será enquadrado no artigo 173. A perícia do documento falsificado é fator decisivo para a condenação.

Caso 2: alteração de escrituras de imóveis

No setor imobiliário, a alteração de escrituras para manipular valores de venda ou alterar dados do proprietário constitui uma infração prevista no artigo 173, podendo levar a uma ação penal.

Jurisprudência

Segundo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), a simples falsificação de documento público já configura crime previsto no artigo 173, independentemente de prejuízo financeiro imediato, por comprometer a confiança na autenticidade dos registros públicos (Recurso Especial 1.309.986).

Tabela comparativa: Crimes relacionados ao artigo 173

CritérioArtigo 173 - Falsificação de documento públicoArtigo 171 - EstelionatoArtigo 299 - Falsidade ideológica
Objeto do crimeDocumento públicoValor ou vantagem ilícitaDocumento em si
PenaReclusão de 3 a 6 anos + multaReclusão de 1 a 5 anos + multaReclusão de 1 a 3 anos + multa
Elemento principalFalsificação ou alteração do documentoEnganar alguém para obtenção de vantagemInserir informação falsa em documento
Consequências principaisPerda de autenticidade, prejuízo na credibilidade do documentoPrejuízo financeiro à vítimaComunicação falsa perante autoridade

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Qual a diferença entre falsificação e alteração de documento público?

Resposta:
Falsificação refere-se à criação de um documento fraudulento, como fazer uma cópia falsa de um documento verdadeiro. Alteração é a modificação de um documento verdadeiro, mudando informações nele contidas. Ambos incidem no artigo 173, mas possuem nuances jurídicas distintas.

2. Quais são as penas aplicáveis ao crime de falsificação de documentos públicos?

Resposta:
A pena prevista é de reclusão de 3 a 6 anos, além de multa. A gravidade varia conforme as circunstâncias do delito e a extensão do prejuízo causado.

3. É possível combater a falsificação de documentos com perícia técnica?

Resposta:
Sim. A perícia grafotécnica e documental é fundamental para comprovar a falsificação ou alteração, sendo um elemento crucial no processo penal.

4. Quais são os direitos do acusado de falsificação?

Resposta:
Ele tem direito ao contraditório, ampla defesa e ao acompanhamento de advogado durante o processo.

5. Como evitar problemas legais relacionados ao artigo 173?

Resposta:
Certifique-se da autenticidade dos documentos antes de apresentá-los, não manipule ou falsifique qualquer documento público e, no caso de dúvidas, consulte um advogado especializado.

Conclusão

O artigo 173 do Código Penal brasileiro representa uma proteção essencial ao patrimônio público e à confiança nas instituições. Foram delineadas suas principais aplicações, penas e exemplos práticos para orientar a compreensão dessa norma. Sua observância é fundamental para garantir a integridade do sistema legal, prevenir fraudes e promover a justiça.

Como afirmou o jurista Miguel Reale, "a lei deve refletir a moral e a ética social, protegendo aqueles valores que sustentam a convivência pacífica." Assim, o combate à falsificação de documentos é uma medida vital para a manutenção do Estado de Direito.

Referências

  • Código Penal Brasileiro: Lei nº 2.848/1940. Disponível em: Planalto
  • Superior Tribunal de Justiça: Jurisprudência sobre falsificação de documentos. Disponível em: STJ
  • Direito Penal Esquematizado - Cristiano Zanin Martins

Recursos adicionais

Para aprofundar seus conhecimentos sobre crimes contra a fé pública e documentação oficial, consulte também os seguintes links:

Este artigo tem finalidade apenas informativa e não substitui aconselhamento jurídico profissional.