MDBF Logo MDBF

Art 487 I: Entenda a Aplicação e Implicações Legais do Código Civil

Artigos

O Direito Civil é uma vasta área do direito que regula as relações patrimoniais e pessoais entre indivíduos e entidades. Uma das disposições importantes dentro do Código Civil brasileiro é o artigo 487, inciso I, que trata das condições relacionadas à resolução de contratos. Este artigo tem implicações diretas na vida de empresários, profissionais liberais, consumidores e na administração de contratos em geral.

Neste artigo, vamos explorar de forma detalhada o que diz o artigo 487, inciso I do Código Civil, como ele é aplicado na prática, suas implicações legais, além de esclarecer dúvidas comuns através de perguntas frequentes. Para uma leitura mais aprofundada sobre o tema, também indicaremos recursos externos relevantes e atuais.

art-487-i

O que diz o artigo 487, inciso I do Código Civil?

Texto do artigo 487, inciso I

"Nos contratos bilateral ou sinalagmáticos, qualquer das partes pode declarar extinta a obrigação, nos próprios termos em que ela foi assumida, se a outra não cumprir a sua."

Este dispositivo legal fala, essencialmente, sobre a possibilidade de resolução do contrato por inadimplemento de uma das partes, ou seja, quando uma das partes não cumprir com suas obrigações, a outra tem o direito de pôr fim ao contrato nos mesmos termos previstos.

Aplicação prática do artigo 487 I

Quando é possível declarar a resolução de contrato?

Segundo a legislação, a resolução do contrato com base no artigo 487, inciso I, é uma resposta ao inadimplemento. Ou seja, ela permite que uma das partes finalize a relação contratual sem necessidade de ação judicial, desde que o inadimplemento seja não essencial ou não resolva de imediato a relação.

Condições para a aplicação

1. Inadimplemento da outra parte

Para fazer uso do artigo 487 I, é necessário que haja descumprimento de uma obrigação, como pagamento, entrega de bem ou prestação de serviço.

2. O inadimplemento deve ser relevante

Nem todo inadimplemento permite a resolução do contrato. Geralmente, deve-se avaliar se o descumprimento é considerado grave, se causa prejuízo significativo ou se impede o funcionamento do contrato.

3. Comunicação prévia

Antes de declarar a resolução, recomenda-se a notificação formal da parte inadimplente, promovendo uma tentativa de resolução amigável.

Implicações legais do artigo 487 I

Efeitos da resolução do contrato

Ao declararem a resolução, as partes deixam de ser obrigadas a cumprir com as suas obrigações futuras, porém, os efeitos da obrigação já cumprida permanecem. Portanto, é importante entender os seguintes pontos:

EfeitoDescrição
RestituiçãoAs partes podem precisar devolver bens ou valores recebidos até o momento da resolução.
IndenizaçõesPode haver necessidade de indenizar prejuízos por descumprimento, quando cabível.
Rescisão formalA resolução deve ser formalizada por documento, preferencialmente por escrito.

Como que a declaração de resolução pode afetar o contrato?

A declaração de resolução, com base no artigo 487 I, pode impactar emocionalmente e financeiramente as partes envolvidas, especialmente se não houver um acordo claro ou se o inadimplemento gerar prejuízo.

Limites na aplicação do artigo

Apesar da autonomia das partes, o artigo 487 I não permite resolução arbitrária. Existem limites e requisitos para a sua aplicação, muitas vezes complementados por outros dispositivos do Código Civil e pelo princípio do bom-fé contractual.

Diferenças entre resolução e rescisão contratual

CritérioResoluçãoRescisão
DefiniçãoTermo usado para finalização do contrato por inadimplementoEncerramento do contrato por acordo ou por decisão judicial
Base legalArtigo 487, I do Código CivilArtigo 473 do Código Civil, entre outros
Momento de aplicaçãoQuando há inadimplemento unilateralQuando há vontade de terminar o contrato por ambas as partes ou decisão judicial

Para entender melhor as diferenças, acesse o site do Senado Federal que disponibiliza conteúdos explicativos sobre direito civil.

Exemplos de aplicação do artigo 487 I

Exemplo 1: Contrato de prestação de serviços

Imagine que uma empresa contrata um profissional liberal para realizar um serviço de consultoria, com pagamento previsto para a conclusão. Caso o profissional não realize o serviço, a contratante pode, após notificação, declarar a resolução do contrato com base no artigo 487 I, se não houver uma justificativa válida para o inadimplemento.

Exemplo 2: Compra e venda de bens

No contrato de compra e venda de um veículo, se o vendedor não entregar o bem na data combinada e, após notificação, se recusar a entregar ou devolver o valor, a parte prejudicada pode resolver o contrato fundamentando-se no artigo 487 I.

Perguntas Frequentes

1. A resolução do contrato pelo artigo 487 I é automática?

Resposta: Não, ela não é automática. A parte deve declarar formalmente a resolução após constatar o inadimplemento, preferencialmente por escrito e após notificação.

2. É possível resolver o contrato sem prejuízo de indenizações?

Resposta: Sim, desde que o inadimplemento seja relevante. Entretanto, a parte prejudicada pode exigir indenizações por prejuízos decorrentes do descumprimento.

3. Quando não é possível usar o artigo 487 I?

Resposta: Quando o inadimplemento não é suficiente para justificar a resolução ou quando há previsão de cláusula de resolução expressa no contrato, inclusive de modo diverso ao previsto no artigo 487.

4. A resolução implica multa ou penalidades?

Resposta: Possivelmente, sim. Depende do que está previsto no contrato e da legislação aplicável. Em muitos casos, uma multa por inadimplemento pode ser aplicada além da resolução do contrato.

Importância do princípio da boa-fé e autonomia contratual

O artigo 487 I reforça o princípio da boa-fé objetiva, que rege as relações contratuais, incentivando uma conduta ética e transparente. Além disso, ressalta a autonomia das partes para determinar as condições de resolução do contrato.

Para aprofundar seus conhecimentos sobre princípios do Direito Civil, recomendo a leitura do artigo Princípios do Direito Civil.

Conclusão

O artigo 487, inciso I, do Código Civil desempenha papel fundamental na autonomia das partes e na resolução de contratos diante do inadimplemento. Sua aplicação requer cuidado e observância dos requisitos legais, além de respeitar os princípios da boa-fé e do equilíbrio contratual.

Entender suas nuances é essencial para profissionais do direito, empresários e consumidores, pois garante segurança jurídica e evita litígios desnecessários. Seja na contratação de serviços, compra e venda ou em outras relações contratuais, o conhecimento desse dispositivo é uma ferramenta valiosa para a gestão adequada de obrigações.

Referências

  • Código Civil Brasileiro. Lei nº 10.406/2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm

  • OHARA, Tarcísio. Contratos no Código Civil. São Paulo: Saraiva, 2018.

  • MIRAGEM, Fernando. "Resolução de Contratos": Direitos e Deveres. Revista do Direito Civil, 2021. Disponível em: https://www.revistadireitocivil.com

Considerações finais

O entendimento do artigo 487 I do Código Civil é vital para quem atua na esfera jurídica ou mantém relações contratuais frequentes. Sua aplicação resguarda o equilíbrio e a segurança das partes envolvidas, prevenindo litígios e promovendo relações contratuais mais transparentes.

Se desejar aprofundar seus estudos ou buscar assessoria jurídica especializada, consulte um advogado confiável e atualizado nas mudanças legislativas.