Art 485 I do CPC: Entenda as Hipóteses de Encerramento de Processo
O Código de Processo Civil (CPC) brasileiro é um dos principais instrumentos jurídicos que orientam a tramitação dos processos judiciais no país. Entre os diversos dispositivos que compõem o CPC, o artigo 485 trata do indeferimento do processamento do pedido e do encerramento do processo, dependendo do seu inciso. Especificamente, o inciso I do artigo 485 dispõe sobre uma das hipóteses que levam ao fim da ação: a reconciliação entre as partes. Compreender essas hipóteses é fundamental para advogados, juízes, estudantes e demais interessados na área jurídica.
Este artigo tem como objetivo explicar detalhadamente o art 485 I do CPC, destacando suas hipóteses, seu funcionamento e suas aplicações práticas, além de responder às dúvidas mais frequentes sobre o tema.

O que diz o art 485 I do CPC?
O artigo 485 do CPC trata sobre o indeferimento inicial do pedido ou o encerramento do processo sem resolução do mérito. Veja o seu teor na íntegra:
Art. 485. O juízo não solucionará o mérito quando: I - verificar a existência de condições da ação ou de impedimentos que obstem o exame do pedido; ...Porém, o inciso I dispõe especificamente sobre uma das hipóteses de encerramento do processo, que é a reconciliação entre as partes.
Hipóteses de encerramento de processo segundo o art 485 I do CPC
Reconciliação entre as partes
O que é a reconciliação?
A reconciliação acontece quando as partes que movem uma ação chegam a um acordo, manifestado formalmente, que resolve o conflito de interesses. Essa hipótese é de grande importância, pois promove uma solução pacífica e célere para o conflito jurídico, evitando um julgamento completo do mérito.
Como a reconciliação interfere no processo?
Conforme o inciso I do art 485 do CPC, se durante o procedimento o juiz verificar que as partes entraram em acordo e manifestaram essa intenção de forma definitiva, o processo será indeferido, ou seja, será encerrado sem resolução do mérito.
Procedimentos para reconhecer a reconciliação
- Manifestação das partes: as partes podem solicitar o encerramento do processo por acordo, mediante petição própria.
- Verificação pelo juiz: o juiz avalia se a manifestação de vontade é definitiva e válida.
- Decisão de encerramento: com base nessa manifestação, o juiz decide pelo encerramento do processo, conforme o art 485 I do CPC.
Outros fatores relacionados
Embora o foco aqui seja a reconciliação, é importante mencionar que o art 485 trata de outras hipóteses de encerramento, como a ausência de condições da ação, impedimentos processuais, ausência de legitimidade, entre outros. Essas hipóteses, porém, não serão abordadas nesta análise, que se concentrará na hipótese de reconciliação.
Importância da Reconciliação no Direito Processual Civil
De acordo com uma citação do jurista Fredie Didier:
"A reconciliação entre as partes é um mecanismo eficiente de pacificação social, incentivado pelo Código de Processo Civil como forma de promover a resolução do conflito de maneira consensual."
Esta estratégia, além de facilitar a resolução mais rápida das controvérsias, contribui para a diminuição do volume de processos nos tribunais e promove uma cultura de diálogo e entendimento.
Como o art 485 I do CPC influencia a tramitação processual
| Etapa do Processo | Como o art 485 I atua | Resultado possível |
|---|---|---|
| Início do processo | Verificação de requisitos e condições da ação | Processo prossegue ou é indeferido |
| Durante a tramitação | Reconciliação ou acordo entre as partes | Processo encerrado, sem julgamento do mérito |
| Decisão do juiz | Manifestação de acordo ou reconciliação | Encerramento do processo por acordo (art 485 I) |
Quando o processo é encerrado por reconciliação?
O processo será encerrado por reconciliação quando:
- As partes apresentarem, de forma espontânea, um acordo formalizado perante o juiz ou por petição;
- O juiz verificar a intenção de resolver o conflito amigavelmente;
- O acordo for considerado válido e final.
Essa hipótese é prevista no art 485 I do CPC, que traz a possibilidade de concluir a ação sem análise do mérito, incentivando o consensualismo na resolução de conflitos.
Como formalizar a reconciliação?
A formalização da reconciliação pode ocorrer por meio de:
- Termo de Acordo: assinatura das partes e homologação pelo juiz.
- Petição conjunta: manifestação das partes solicitando o encerramento do processo por acordo.
Após a formalização, o juiz pronuncia o encerramento com base no art 485 I do CPC, encerrando o processo sem resolução do mérito.
Exemplos práticos de aplicação
Exemplo 1: Ação de Cobrança
Duas partes entram em acordo após a fase de instrução, e peticionam ao juiz, solicitando que o processo seja encerrado. O juiz, verificando a concordância e a validade do acordo, encerra o processo com base no art 485 I do CPC, encerrando a ação.
Exemplo 2: Ação de Divórcio Consensual
No processo de divórcio consensual, as partes formalizam o acordo extrajudicialmente ou perante o juiz. Após comprovação da concordância, o procedimento é encerrado, muitas vezes por meio de decisão que acolhe o acordo, com fundamento no art 485 I do CPC.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. O que significa o encerramento do processo pelo art 485 I do CPC?
Responde à hipótese em que o processo é encerrado devido à reconciliação ou acordo entre as partes, sem que haja uma análise de mérito.
2. É possível recorrer de uma decisão de encerramento por reconciliação?
Não, pois esse tipo de decisão é considerada terminativa, e o entendimento geral é que ela não admite recurso, salvo hipóteses específicas de nulidade ou ilegalidade.
3. Como garantir que a reconciliação seja válida e eficaz?
Aconcatene formalizações através de termo por escrito, homologado judicialmente, garantindo que o acordo seja claro, completo e sem vícios de consentimento.
4. Quais são os benefícios do encerramento por reconciliação?
Destacam-se a celeridade processual, economia processual, redução do volume de processos nos tribunais e fortalecimento de relações pacíficas entre as partes.
Conclusão
O art 485 I do CPC desempenha papel fundamental na promoção de soluções consensuais para os conflitos jurídicos. Reconhecer a possibilidade de encerramento do processo por reconciliação evidencia uma mudança de paradigma do sistema processual, que valoriza o diálogo, a composição amigável e a resolução pacífica de litígios.
Ao compreender as hipóteses de aplicação do artigo, profissionais do direito podem orientar melhor seus clientes, garantindo um procedimento mais eficiente e alinhado com os princípios que norteiam o Novo CPC, como a cooperação e a busca pela justiça social.
Referências
BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). Disponível em: Planalto
DIDIER JR., Fredie. Curso de Processo Civil. 16ª edição. São Paulo: Juspodivm, 2020.
CORREIA, Luiz Rodrigues Wambier. Reforma do Processo Civil e a busca pela oralidade e celeridade. Revista Brasileira de Direito Processual, 2016.
Consulta processual online do Tribunal de Justiça de São Paulo: https://www.tjsp.jus.br/
Espero ter esclarecido todas as dúvidas sobre as hipóteses de encerramento de processo previstas no art 485 I do CPC.
MDBF