Art 187 Código Civil: Compreendendo as Implicações Legais
O sistema jurídico brasileiro é uma complexa rede de normativos que regulam as ações e relações entre os indivíduos e o Estado. Dentre esses dispositivos, o Artigo 187 do Código Civil é fundamental para entender as condutas que, apesar de não severamente punidas, podem gerar consequências jurídicas negativas. Este artigo oferece uma análise aprofundada do conteúdo do artigo, suas interpretações, implicações práticas e aplicabilidades, além de responder às dúvidas mais frequentes sobre o tema.
O contexto do Código Civil e o Artigo 187
O Código Civil Brasileiro, instituído pela Lei nº 10.406/2002, regula as relações civis em âmbito nacional. Seu objetivo é estabelecer as condições e limitações de direitos e obrigações de indivíduos, garantindo segurança jurídica às suas ações.

O Artigo 187 é um dos dispositivos que trata de condutas ilícitas que, embora não configurando uma ação penalmente punível, ainda assim implicam responsabilidade civil ou administrativa. Sua redação é a seguinte:
Texto do Artigo 187 do Código Civil
“Também comete ato ilícito o que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito ou causar dano a outrem, ainda que inteiramente de boa-fé.”
Análise detalhada do Art. 187 do Código Civil
Consequências do Ato Ilícito segundo o artigo
O Artigo 187 dispõe que:
- A conduta de um indivíduo que viola um direito ou causa dano a outrem configura ato ilícito;
- Essa ação pode ocorrer por ação ou omissão voluntária, ou seja, tanto por fazer algo quanto por deixar de agir quando tinha o dever de fazê-lo;
- Ainda que a pessoa aja de boa-fé, ela pode ser responsabilizada, pois a boa-fé não exclui a ilicitude do ato.
Elementos essenciais para configurar a responsabilidade civil
Para compreender melhor, é importante distinguir os elementos que envolvem a configuração de um ato ilícito:
| Elemento | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Ato ou omissão | Fazer ou deixar de fazer algo que viole direito alheio | Uma pessoa que, por negligência, causa um acidente de trânsito |
| Ação ou omissão voluntária | Intenção ou vontade de realizar o ato | Praticar um disparo acidental sem intenção de ferir alguém |
| Negligência, imprudência ou imperícia | Falta de cuidado ou habilidade adequada | Deixar de sinalizar uma obra na rua que provoca acidente |
| Violação de direito ou dano | A conduta causa prejuízo a outrem | Danificar o patrimônio de alguém |
Boa-fé e responsabilidade civil
Ao afirmar que o ato ilícito pode ser cometido ainda que inteiramente de boa-fé, o artigo evidencia que a ausência de intenção maliciosa não exime a responsabilidade. Essa distinção é fundamental na análise de casos concretos, sobretudo na responsabilidade objetiva.
Implicações jurídicas do Art 187 do Código Civil
Responsabilidade civil
A principal consequência do entendimento do artigo é a incidência da responsabilidade civil. Caso alguém pratique um ato ilícito, será obrigado a reparar o dano causado, independentemente de culpa, desde que presentes os elementos essenciais.
Responsabilidade administrativa e penal
Embora o artigo trate de responsabilidade civil, sua leitura também serve de base para responsabilizações administrativas e, em alguns casos, penais, dependendo da gravidade do ato.
Exemplos práticos na jurisprudência
- Um proprietário que deixa seu animal solto na rua, ocasionando acidente, pode ser responsabilizado por danos causados, mesmo sem intenção;
- Uma empresa que negligencia as normas de segurança, provocando acidentes, também pode ser responsabilizada culposa ou objetivamente.
Medidas preventivas e de reparação
Diante do previsto no Artigo 187, indivíduos e organizações são orientados a adotar medidas de prevenção, tais como:
- Manutenção adequada de patrimônio;
- Adoção de normas de segurança no ambiente de trabalho;
- Comunicação e sinalização de riscos, evitando assim danos a terceiros.
Quando um dano ocorre, a reparação pode envolver indenizações, reparações materiais ou morais, além de ações corretivas.
Tabela: Comparativo entre atos ilícitos e atos lícitos
| Critério | Ato Ilícito (Art 187) | Ato Lícito |
|---|---|---|
| Natureza | Contrário ao direito | Compatível com o ordenamento jurídico |
| Responsabilidade | Pode gerar obrigação de reparar o dano | Geralmente não gera responsabilização |
| Boa-fé | Pode ser de boa-fé, mas ainda ilícito | Atua conforme princípios legais |
| Consequências | Reparação de danos, sanções civis | Legalidade garantida |
Perguntas frequentes (FAQ)
1. O que exatamente constitui ato ilícito segundo o Artigo 187?
Um ato ilícito consiste em qualquer ação ou omissão voluntária que viole direito de alguém ou cause dano, independentemente de intenção maliciosa. O importante é que haja uma conduta que transgrida norma legal ou cause prejuízo.
2. A boa-fé exclui a responsabilidade pelo ato ilícito?
Não. Como disposto no artigo, a boa-fé não exime a responsabilidade, especialmente na responsabilidade civil por ato ilícito. Mesmo agindo com honestidade, o indivíduo pode ser responsabilizado por danos causados.
3. Quais são as diferenças entre responsabilização civil, penal e administrativa no contexto do Art 187?
- Civil: obriga à reparação do dano causado por ato ilícito.
- Penal: pode resultar na imposição de penalidades como multas ou prisão, dependendo da gravidade.
- Administrativa: suspende ou cancela atividades, aplica multas ou sanções disciplinares.
4. Como o que está previsto no Artigo 187 se aplica às empresas?
Empresas podem ser responsabilizadas por atos ilícitos, como negligência na segurança, impactos ambientais ou dano a consumidores. A responsabilidade civil busca reparar prejuízos e garantir a mitigação de riscos futuros.
5. Quais são exemplos de atos considerados ilícitos pelo Artigo 187?
- Conduzir veículo embriagado, causando acidente;
- Deixar de reparar uma calçada que causa acidente de pedestres;
- Promover publicidade enganosa que prejudica consumidores.
Considerações finais
O Artigo 187 do Código Civil é uma peça-chave para compreender as responsabilidades civis decorrentes de ações ou omissões que violem direitos ou causem danos a terceiros. Sua aplicação é ampla e abrange diferentes esferas do direito, desde a responsabilidade civil por acidentes até as punições administrativas e penais. Além de ser uma ferramenta que busca assegurar a justiça e a reparação de prejuízos, ele também funciona como um alerta para a necessidade de condutas éticas e responsáveis na vida pessoal, profissional e empresarial.
Entender os princípios e aplicações do artigo é essencial para indivíduos, advogados, empresários e gestores públicos, garantindo assim uma sociedade mais justa, segura e responsável.
“Responsabilidade civil é o mecanismo que garante a reparação do dano e promove a justiça nas relações humanas.” – Desembargador Reinaldo Soares da Fonseca
Referências
- Brasil. Código Civil Brasileiro - Lei nº 10.406/2002. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm
- Legalidade, Responsabilidade e Reparação. Revista Jurídica Brasileira, 2021. Disponível em: https://www.rjb.com.br/responsabilidade-civil
- Responsabilidade civil: teoria geral e aplicação prática. Portal Jurismed, 2022. Disponível em: https://jurismed.com/artigo/responsabilidade-civil-teoria-e-pratica
Se precisar de mais informações ou de alguma adaptação, estarei à disposição!
MDBF