Art 101 I CPC: Guia Completo para Entender o Dispositivo Jurídico
O Direito Processual Civil é uma área fundamental para garantir a efetividade da justiça no Brasil. Entre seus dispositivos, o artigo 101, inciso I do Código de Processo Civil (CPC), destaca-se por tratar de matérias essenciais relacionadas às condições da ação e à possibilidade de processamento de demandas judiciais. Compreender esse dispositivo é indispensável para advogados, estudantes e qualquer profissional que lide com a área jurídica.
Neste guia completo, abordaremos de forma detalhada o que diz o artigo 101, inciso I do CPC, suas aplicações práticas, dúvidas frequentes e sua importância no ordenamento jurídico brasileiro. Você também entenderá como esse artigo influencia o desenvolvimento do processo civil e a tutela jurisdicional.

O que diz o artigo 101, inciso I do CPC?
Texto do artigo
Art. 101. Para propor a ação, o autor deve ter capacidade para estar em juízo, ser parte legítima, estar em situação de acordo com os requisitos de admissibilidade e preencher os requisitos específicos da ação.
I - Potestad de propor a ação.
Na prática, o inciso I do artigo 101 do CPC trata da potestad de propor ação, ou seja, a capacidade do sujeito de iniciar um processo judicial. Este requisito é fundamental para que a demanda seja válida e possa ser apreciada pelo Judiciário.
Contextualização e interpretação do dispositivo
Capacidade de estar em juízo
O dispositivo se refere à capacidade processual, que é a aptidão do sujeito para estar em juízo. Essa capacidade possui duas vertentes:
- Capacidade de direito: referente à existência de direitos e obrigações.
- Capacidade de fato: relativa à aptidão para exercer legalmente esses direitos.
Quem deve se encaixar nesse requisito?
De modo geral, pessoas físicas e jurídicas possuem essa capacidade, desde que preencham os requisitos específicos de cada caso. Pessoas jurídicas, por exemplo, têm capacidade plena para atuar em juízo, enquanto pessoas físicas devem ser maiores de idade ou menores emancipados.
Importância do requisito
A ausência dessa capacidade acarreta a ineficácia da ação ou sua ** improcedência**, além de possíveis sanções processuais. Assim, a verificação da capacidade é uma etapa fundamental na admissibilidade da ação judicial.
Elementos relacionados ao art. 101 I CPC
A seguir, descrevemos os componentes essenciais vinculados à capacidade de propor ação, de acordo com o artigo 101, inciso I do CPC:
| Elemento | Descrição | Exemplo |
|---|---|---|
| Capacidade de direito | Possuir direitos e obrigações reconhecidos pela lei | Ser proprietário de um bem |
| Capacidade de fato | Aptidão para exercer juridicamente seus direitos | Ser maior de idade ou emancipado |
| Legitimidade para propor ação | Ser parte legítima na demanda, ou seja, atender aos critérios legais | Ser o proprietário na ação de reintegração de posse |
| Situação de admissibilidade | Cumprir requisitos específicos de admissibilidade processual | Não estar inadimplente com o pagamento de custas |
A importância da capacidade na prática jurídica
A verificação da capacidade de propor ações é uma etapa crucial do processo, sobretudo na fase inicial de admissibilidade da petição inicial. Como destacou o renomado jurista Miguel Reale, "a capacidade é condição de validade do ato jurídico: sem ela, o ato é nulo ou anulável"[^1].

"A boa prática jurídica exige que o advogado analise cuidadosamente a capacidade de seu cliente antes de ajuizar uma ação, garantindo que os requisitos de admissibilidade estejam atendidos."
Consequências da inexistência ou deficiência na capacidade
Se o autor não tiver capacidade para estar em juízo, sua ação pode ser proposta, mas posteriormente poderá ser considerada intempestiva ou mesmo nulificada, dependendo do caso. Em certas situações, a parte pode ser considerada incapaz de agir, exigindo intervenção de representante legal.
Como o artigo 101 I CPC se relaciona com outros dispositivos
O artigo 101, inciso I do CPC, dialoga com diversas normas do Código de Processo Civil e do Código Civil, especialmente:
- Art. 75 do CPC, que trata da capacidade processual.
- Art. 1.767 do CC, que dispõe sobre a capacidade de exercício.
A seguir, apresentamos uma tabela ilustrativa:
| Dispositivo | Tema | Relação com o Art 101 I CPC |
|---|---|---|
| Art. 75 do CPC | Capacidade de agir em juízo | Determina quando a pessoa possui capacidade para atuar na esfera processual |
| Art. 1.767 do CC | Capacidade de exercício | Define quem pode exercer direitos civis, influenciando a capacidade processual |
| Súmula 375 do STJ | Inexistência de capacidade | A ação movida por pessoa incapaz pode ser considerada nula ou anulável |
Como verificar a capacidade do autor na prática
Para garantir a legitimidade da ação, o advogado deve realizar uma análise cuidadosa. Alguns passos essenciais incluem:
- Conferir documentos pessoais e civil de identidade.
- Verificar se o cliente possui capacidade plena ou necessita de representação.
- Confirmar a observância de requisitos específicos conforme o tipo de ação.
Dica: Em processos que envolvem incapazes, recomenda-se sempre a intervenção de representante legal ou curador, conforme estabelecido no artigo 1.775 do CC.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Quem possui capacidade de propor ação?
Pessoas físicas maiores de idade e capazes, pessoas jurídicas, associações, fundações e outros entes que tenham capacidade legal prevista em lei.
2. E se o autor for incapaz ou menor de idade?
Nesses casos, a propositura da ação deve ser feita por seu representante legal ou por alguém que detenha poderes advocatícios, como sentença judicial de emancipação ou autorização judicial.
3. O que acontece se a parte não tiver capacidade de agir?
A ação pode ser considerada nula ou passível de nulidade, dependendo do momento processual e das circunstâncias. A regra geral é que a ausência de capacidade implica invalidade do ato jurídico processual.
4. É possível regularizar a capacidade após o ajuizamento?
Sim. Caso seja constatada incapacidade após o início do processo, pode-se solicitar a sua regularização por meio de intervenção de representante legal ou partiúde de sentença que reconheça a emancipação ou capacidade.
5. Qual a diferença entre capacidade de direito e capacidade de fato?
- Capacidade de direito: reconhecimento de possuir direitos e obrigações (por exemplo, todos têm capacidade de direito).
- Capacidade de fato: aptidão para exercer esses direitos (por exemplo, ser maior de idade).
Conclusão
O artigo 101, inciso I do CPC, é uma peça fundamental na análise da admissibilidade da ação judicial. Sua compreensão garante que o processo seja ajuizado por partes legítimas e capazes, assegurando a efetividade da tutela jurisdicional. A capacidade para propor ação reflete a tutela do direito ao acesso à justiça, princípio fundamental do Estado Democrático de Direito.
A verificação adequada dessa capacidade, aliada ao conhecimento das normas correlatas, evita nulidades processuais e contribui para uma tramitação mais célere e efetiva das demandas judiciais. Como destacou o jurista Humberto Theodoro Júnior, "o processo é uma atividade democrática, e a legitimidade das partes é sua condição de validade"[^2].
Para seguir aprofundando seus estudos, consulte também o site do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e o Código Civil Brasileiro.
Referências
- Reale, Miguel. Curso de Direito Processual Civil. Volume I. Editora Forense, 2015.
- Theodoro Júnior, Humberto. Direito Processual Civil. Editora JusPodivm, 2018.
- Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).
- Código Civil Brasileiro (Lei nº 10.406/2002).
Esperamos que este guia tenha sido útil para esclarecer as principais questões envolvendo o artigo 101, inciso I do CPC. Para dúvidas adicionais ou detalhes específicos, consulte um profissional da área jurídica.
MDBF