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Alimentante e Alimentado: Guia Completo Sobre a Relação Legal

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No âmbito do Direito de Família, os conceitos de alimentante e alimentado são essenciais para compreender as obrigações e direitos relacionados à prestação de alimentos. Essas figuras representam a relação entre quem precisa de sustento e quem tem a responsabilidade de fornecê-lo. Compreender esses termos e suas aplicações legais é fundamental para quem deseja assegurar seus direitos ou cumprir suas obrigações de forma adequada. Este guia busca esclarecer de forma completa esses conceitos, suas diferenças, procedimentos, dúvidas frequentes e sua importância no cotidiano jurídico e social.

O que são alimentante e alimentado?

Definição de Alimentante

O alimentante é a pessoa que possui a obrigação legal de fornecer alimentos a alguém que necessite de sustento. Geralmente, essa responsabilidade recai sobre pais em relação a seus filhos, cônjuges ou até mesmo parentes próximos, dependendo do caso. O alimentante deve prover recursos como alimentação, moradia, vestuário, educação, saúde, entre outros benefícios essenciais para a sobrevivência e o bem-estar do alimentado.

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Definição de Alimentado

O alimentado é aquele que recebe alimentos do alimentante. Pode ser um filho, cônjuge, ex-cônjuge, ascendente ou descendente. A quantidade e o tipo de alimentos variam conforme as necessidades do alimentado e as possibilidades do alimentante, sempre buscando um equilíbrio justo baseado na proporcionalidade.

Relação jurídica entre alimentante e alimentado

Como se estabelece a obrigação de alimentar?

A obrigação de fornecer alimentos é de ordem legal e pode surgir de diversas situações, como:

  • Filiação: pais obrigados a sustentar seus filhos menores ou incapazes.
  • Casamento ou convivência: cônjuges ou companheiros que dependem da renda do outro.
  • Parentesco: parentes próximos podem ter a obrigação, dependendo das circunstâncias e necessidades.

A relação é pautada pelo princípio da proporcionalidade, ou seja, o juiz avalia os recursos de quem deve pagar e as necessidades de quem deve receber.

Aspectos formais e processos legais

Para estabelecer judicialmente uma pensão alimentícia, costuma-se ingressar com uma ação de alimentos, na qual o juiz analisará as provas e determinará o valor e as condições da prestação de alimentos. Importante destacar que as partes podem chegar a um acordo extrajudicial, homologado pelo juiz.

Diferenças entre alimentos provisionais, definitivos e alimentos de emergência

Tipo de AlimentoDescriçãoPrazo de duração
Alimentos provisionaisSão provisórios, concedidos enquanto tramita o processo, para garantir necessidades urgentes.Temporário até decisão final
Alimentos definitivosSão fixados na sentença definitiva, levando em conta a situação definitiva das partes.Por tempo indeterminado ou fixo
Alimentos de emergênciaPrestados em situações de urgência para sustento imediato do alimentado.Curto prazo

Como calcular o valor da pensão alimentícia

O cálculo da pensão alimentícia não segue uma regra fixa, mas leva em consideração diversos fatores, como:

  • Renda do alimentante
  • Necessidades do alimentado
  • Padrão de vida anterior
  • Diversidade de despesas (educação, saúde, moradia)

Elementos considerados na decisão judicial

O juiz avalia a real capacidade de pagamento do alimentante e as necessidades do alimentado, buscando um equilíbrio. Uma fórmula comum envolve uma porcentagem da renda líquida do alimentante, de modo que o valor seja compatível com suas possibilidades.

Exemplo de cálculo:

Renda líquida do alimentantePercentual sugerido para pensãoValor estimado da pensão
R$ 5.000,0030%R$ 1.500,00

Entretanto, há casos em que o juiz decide diminuir ou aumentar esse valor, dependendo das circunstâncias específicas.

Obrigações do alimentante e do alimentado

Obrigações do alimentante

  • Fornecer os recursos necessários à sobrevivência e bem-estar do alimentado.
  • Cumprir o valor fixado judicialmente ou acordado.
  • Manter a modificação da pensão em caso de mudanças na renda ou nas necessidades.

Obrigações do alimentado

  • Utilizar os alimentos de forma adequada, conforme o acordado.
  • Incentivar o cumprimento da obrigação por parte do alimentante.
  • Em alguns casos, colaborar com informações para o reajuste do valor.

Consequências do não pagamento de alimentos

A inadimplência na prestação de alimentos pode gerar diversas consequências legais, como:

  • Penhora de bens: para garantir o pagamento devido.
  • Prisões: prevista na legislação brasileira, a prisão por dívida de alimentos é possível, porém tem seu uso limitado e condicional.
  • Ações judiciais de execução: que buscam cobrar os valores devidos.

“O direito aos alimentos é fundamental para a garantia de dignidade e sobrevivência do indivíduo, refletindo a essência do princípio constitucional de assistência à família.” – (Fonte: Constituição Federal, Art. 226)

Como alterar ou extinguir uma pensão alimentícia

Alteração do valor

A modificação do valor de alimentos pode ocorrer por pedido de qualquer das partes, quando houver mudança na situação financeira ou nas necessidades. O procedimento é realizado por meio de ação revisional.

Extinção de alimentos

A obrigação de alimentos pode ser extinta quando:

  • O alimentado atinge a idade adulta ou independência financeira.
  • O alimentado alcança o limite de necessidade.
  • As partes entram em acordo e há homologação judicial.
  • O alimentado deixa de necessitar ou comete atos que prejudiquem o relacionamento.

Perguntas frequentes (FAQ)

1. Quem pode ser considerado alimentado?

Podem ser considerados alimentados filhos menores, maiores incapazes, cônjuges nos regimes de união estável ou casamento, pais ou outros parentes próximos, dependendo do caso.

2. É possível estabelecer alimentos para um ente não biológico?

Sim, existe a possibilidade de obrigar alguém a pagar alimentos, mesmo sem vínculo biológico, através de acolhimento, adoção ou acordo de convivência, embora isso dependa de avaliação judicial.

3. Como solicitar a revisão de alimentos já fixados judicialmente?

Procure um advogado para ingressar com uma ação revisional, apresentando documentos que comprovem mudança na condição financeira ou nas necessidades.

4. Qual a validade do acordo extrajudicial de alimentos?

Quando homologado judicialmente, possui força de sentença e é válido por tempo indeterminado, podendo ser revisado posteriormente.

5. Como funciona a prisão por dívida de alimentos?

A prisão só é cabível para quem deve alimentos e se recusa a pagar após decisão judicial, limitada a 3 meses. Para detalhes completos, consulte TJ Brasil - Execução de Alimentos.

Conclusão

A relação entre alimentante e alimentado é uma das bases do Direito de Família, garantindo o sustento digno e o cumprimento de obrigações essenciais. Compreender as diferenças, as formas de fixação, alterações e consequências é fundamental para que as partes possam agir de forma consciente, justa e dentro do que prevê a legislação brasileira.

A importância de uma atuação jurídica bem orientada é clara, pois ela garante segurança jurídica às partes envolvidas e promove a justiça social, assegurando que quem necessita de suporte possa recebê-lo na medida de suas necessidades e possibilidades.

Referências

Por fim, lembre-se sempre de consultar um advogado especializado para orientações específicas ao seu caso e garantir seus direitos de forma efetiva e segura.