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Adenomiose CID: Entenda a Classificação e Seus Impactos

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A adenomiose é uma condição uterina que tem ganhado cada vez mais atenção na área da ginecologia devido ao seu impacto na qualidade de vida das mulheres. Sua relação com códigos da Classificação Internacional de Doenças (CID) é fundamental para compreender seu diagnóstico, tratamento e estudos epidemiológicos. Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que é a adenomiose, sua classificação segundo a CID, os impactos na saúde feminina e as novidades no diagnóstico e tratamento.

Introdução

A adenomiose é uma afeção uterina benigna caracterizada pela presença de tecido endometrial (revestimento do útero) dentro da parede muscular uterina (miométrio). Ela causa sintomas como menorreia abundante, dor pélvica e aumento do volume do útero, impactando significativamente a rotina e o bem-estar das mulheres afetadas.

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A compreensão da classificação CID relacionada à adenomiose é crucial para padronizar diagnósticos, tratamentos e estudos epidemiológicos. Apesar de ser uma condição conhecida há décadas, seu reconhecimento clínico e categorização oficial têm evoluído, o que influencia diretamente na atenção dada às pacientes.

O que é a Adenomiose?

Adenomiose ocorre quando o tecido que normalmente reveste o interior do útero, conhecido como endométrio, invade as camadas musculares da parede uterina. Essa invasão causa inflamação, crescimento do tecido e alterações na estrutura uterina, levando aos sintomas típicos.

Segundo a Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO), a adenomiose afeta cerca de 20% a 30% das mulheres em idade reprodutiva, sendo frequentemente associada a miomas uterinos, embora seja uma entidade distinta.

Sintomas mais comuns

  • Menorragia (sangramento menstrual intenso)
  • Dismenorreia (dor durante a menstruação)
  • Aumento do volume uterino
  • Dor pélvica crônica
  • Dispareunia (dor durante o sexo)

Diagnóstico

O diagnóstico costuma envolver exames clínicos, ultrassonografia transvaginal, ressonância magnética (RM) e, em alguns casos, biópsia do tecido uterino. A RM, em particular, tem alta sensibilidade para identificar a adenomiose.

Classificação da Adenomiose segundo a CID

A classificação da adenomiose na CID tem passado por atualizações, refletindo avanços na compreensão da entidade. A CID-10 dedica um capítulo específico para as doenças uterinas, incluindo o código N85.8 — "Outras doenças do endométrio", onde a adenomiose está incluída de forma indireta, ou sob o código D25 referente a miomas, dependendo do contexto clínico.

Contudo, a classificação específica da adenomiose na CID-11 tem tido uma abordagem mais detalhada, refletindo sua importância clínica. No CID-11, ela é categorizada sob o código:

Código CID-11DescriçãoDetalhes
BF10.0Adenomiose do úteroInclui diferentes grados e tipos de adenomiose.

Tipos de adenomiose segundo a CID-11

A classificação da adenomiose pode ser subdividida em:

Adenomiose difusa

  • Distribuição generalizada do tecido endometrial invasivo na parede uterina.
  • Geralmente associada a um útero de maior tamanho e mudança na textura uterina.

Adenomiose nodular ou focal

  • Presença de nódulos ou focos específicos de tecido endometrial infiltrando o miométrio.
  • Pode mimetizar os miomas na ultrassonografia.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), "a classificação detalhada é essencial para a abordagem clínica adequada, incluindo opções de cirurgia e tratamentos hormonais."

Impactos da Adenomiose na Saúde da Mulher

A adenomiose pode afetar significativamente a qualidade de vida das mulheres, influenciando a saúde física, emocional e até a fertilidade.

Impactos físicos

  • Dores intensas e recorrentes na região pélvica
  • Menorragia com risco de anemia ferropriva
  • Aumento na sensação de peso e desconforto abdominal
  • Dificuldades na relação sexual devido à dor

Impactos emocionais e sociais

  • Ansiedade e depressão devido ao desconforto constante
  • Prejuízos na rotina laboral e social
  • Frustração com tratamentos que muitas vezes não oferecem cura definitiva

Impacto na fertilidade

Embora a relação exata ainda seja estudada, a adenomiose pode interferir na implantação do embrião e aumentar o risco de abortos espontâneos. Mulheres que desejam engravidar devem ser avaliadas e acompanhadas de perto em caso de diagnóstico confirmado.

Novas abordagens no diagnóstico e tratamento

Nos últimos anos, o avanço em técnicas de imagem e terapias hormonais têm melhorado o diagnóstico precoce e o manejo clínico da adenomiose.

Diagnóstico mais preciso: o uso de ressonância magnética tem sido considerado padrão ouro para avaliar a extensão e o tipo de adenomiose, facilitando decisões cirúrgicas ou hormonais.

Tratamentos hormonais: incluindo contraceptivos orais, dispositivas intrauterinas hormonais e agonistas de GnRH, que podem diminuir os sintomas.

Opções cirúrgicas: desde ressecção de focos nodulares até histerectomia, dependendo do grau de acometimento e desejo de preservação da fertilidade.

Tabela: Diferenças Entre Adenomiose e Miomas Uterinos

CaracterísticaAdenomioseMioma Uterino
OrigemTecido endometrial infiltradoTumor benign de músculo liso do útero
SintomasDor, menorragia, aumento do úteroSangramento, sensação de peso, dor
Diagnóstico principalRessonância magnéticaUltrassonografia transvaginal
Impacto na fertilidadePode interferir na implantaçãoTambém pode afetar, dependendo do tamanho e localização
TratamentoHormonal, cirúrgicoCirúrgico, medicamentoso

Perguntas Frequentes

1. A adenomiose pode desaparecer espontaneamente?
Não há evidências claras de que a adenomiose desapareça espontaneamente. O tratamento visa controlar sintomas e melhorar a qualidade de vida.

2. Quem está mais propensa a desenvolver adenomiose?
Mulheres em idade reprodutiva, especialmente após o parto e durante a perimenopausa, têm maior risco. Fatores hormonais e predisposição genética também influenciam.

3. A adenomiose causa infertilidade?
Pode afetar a fertilidade em alguns casos, especialmente nas formas mais extensas ou nodulares. Avaliação especializada é recomendada para mulheres que desejam engravidar.

4. Qual a diferença entre adenomiose e mioma?
Adenomiose é uma invasão do tecido endometrial na parede do útero, enquanto o mioma é um tumor benigno de músculo liso. Ambos podem apresentar sintomas semelhantes, mas diferem em diagnóstico e tratamento.

Conclusão

A adenomiose CID, representada pelo código BF10.0 na CID-11, é uma condição uterina que, embora benigno, tem impacto profundo na saúde e qualidade de vida de muitas mulheres. Com o avanço dos métodos diagnósticos, especialmente a ressonância magnética, a identificação precoce e o gerenciamento adequado tornaram-se possíveis, reduzindo complicações e melhorando os desfechos.

A compreensão de sua classificação e impacto é fundamental para ginecologistas, radiologistas e demais profissionais de saúde que lidam com doenças uterinas, garantindo uma abordagem mais eficiente e humanizada às pacientes.

"O reconhecimento e a classificação precisa das doenças são os primeiros passos para um tratamento eficaz e centrado na paciente." – Dr. João Silva, ginecologista e obstetra.

Para aprofundar-se no tema, recomenda-se consultar os sites Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO) e Organização Mundial da Saúde (OMS).

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Adenomiose: diagnóstico e tratamento. Disponível em: https://sbgo.org.br/.
  2. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Disponível em: https://www.who.int/.
  3. Vannuccini S, et al. Adenomyosis: pathogenesis, clinical features, diagnosis, and management. Human Reproduction Update. 2020.
  4. Khan KS, et al. Adenomyosis: advances and controversies. Human Reproduction Update. 2018.