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Adenoma Túbulo Viloso com Displasia de Baixo Grau: Guia Completo

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Introdução

O adenoma túbulo viloso com displasia de baixo grau é uma lesão pré-maligna que ocorre no trato gastrointestinal, principalmente no intestino grosso (cólon e reto). Apesar de ser considerado de baixo risco para evolução para câncer, seu diagnóstico e acompanhamento adequado são essenciais para prevenir complicações futuras. Este artigo fornece uma análise detalhada sobre o tema, abordando aspectos clínicos, diagnósticos, tratamento e recomendações. A compreensão dessa condição é fundamental para médicos, patologistas e demais profissionais da saúde que lidam com o câncer colorretal e suas precursoras.

O que é Adenoma Túbulo Viloso com Displasia de Baixo Grau?

Definição

O adenoma túbulo viloso com displasia de baixo grau é um tipo de pólipo colônico que apresenta uma estrutura histológica de padrão viloso, com potencial pré-maligno devido à displasia de baixo grau. Esses pólipos são considerados precursoras do câncer de cólon, especialmente se evoluírem ou apresentarem alterações adicionais ao longo do tempo.

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Características principais

  • Estrutura arquitetônica: padrão viloso, com projeções do tipo papilas ou frulamentos.
  • Grau de displasia: baixa, indicando alterações celulares que ainda não evoluíram para malignidade.
  • Tamanho: geralmente variam de 5 mm a 2 cm.
  • Localização: podem ser encontrados em qualquer segmento do cólon ou reto.

Anatomia e Classificação dos Adenomas Colorretais

Existem diferentes tipos de adenomas colorretais, classificados com base na arquitetura e características histopatológicas:

Tipo de AdenomaDescriçãoRisco de Malignidade
Adenoma tubularEstrutura homogênea em forma de tubosBaixo
Adenoma vilosoCom projeções em forma de vilosidadeAlto (maior propensão à malignidade)
Adenoma túbulo vilosoCombinação de estruturas tubulares e vilosasModerado a alto

Fonte: Gastroenterologia e Hepatologia - Sociedade Brasileira de Gastroenterologia

Displasia de Baixo Grau: O que Significa?

A displasia refere-se às alterações nas células epiteliais que revestem o pólipo. Quando categorizada como de “baixo grau”, indica que as alterações são leves e que há menor risco de transformação maligna. No entanto, essa condição exige monitoramento regular para identificar possíveis mudanças para displasia de alto grau ou carcinomatose.

Diferença entre displasia de baixo e alto grau

CaracterísticaBaixo GrauAlto Grau
Alterações celularesLeves, com pouca alteração nuclearGraves, com nuclei atípicos e maior displasia arquitetural
Risco de progressão para câncerBaixoAlto
Conduta recomendadaSeguimento endoscópico regularRemoção mais agressiva e acompanhamento mais rígido

Diagnóstico de Adenoma Túbulo Viloso com Displasia de Baixo Grau

Achados endoscópicos

Durante a colonoscopia, os adenomas vilosos manifestam-se como lesões elevadas, com superfície irregular, podendo apresentar características de fiapos ou padrões semelhantes a framboesa. O tamanho e a aparência vascular também são importantes para direcionar a suspeita.

Exame histopatológico

O diagnóstico definitivo é feito por biópsia ou remoção endoscópica total do pólipo, seguido por análise microscópica. O padrão viloso com displasia de baixo grau é confirmado na avaliação histopatológica, que observa:

  • Arquitetura vilosa papilar
  • Células epiteliais com displasia leve
  • Presença de citoplasma moderado e nuclei amenos a atípicos

Citação relevante:
"A detecção precoce e a remoção de adenomas colorretais representam a estratégia mais eficaz na prevenção do câncer de cólon." — Sociedade Brasileira de Gastroenterologia

Tratamento e Seguimento

Remoção endoscópica

A colonoscopia é o método de escolha para remoção de adenomas vilosos com displasia de baixo grau. A técnica pode ser por polipectomia com rede elétrica ou técnicas mais avançadas, dependendo do tamanho e localização da lesão.

Acompanhamento

Após a remoção, recomenda-se um rigidamente monitoramento endoscópico:

Prazo para novo exameRecomendações
3 a 5 anos após remoçãoEndoscopia de controle para verificar recidiva ou novos pólipos
Caso haja múltiplos pólipos ou história familiar de câncer colorretalAcompanhamento mais frequente

Importância do diagnóstico precoce

De acordo com estudos recentes, a detecção e remoção de adenomas precursoras reduziram significativamente a incidência de câncer colorectal em populações de risco.

Riscos Associados e Complicações

Apesar de o adenoma viloso com displasia de baixo grau ter risco relativamente baixo de progressão, alguns fatores podem aumentar o risco de evolução maligna:

  • Tamanho do pólipo acima de 1 cm
  • Presença de displasia de alto grau
  • História familiar de câncer colorretal
  • Recorrência após remoção

Complicações potenciais

  • Hemorragia pós-polypectomia
  • Perfuração intestinal
  • Recidiva ou desenvolvimento de novos pólipos

Prevenção e Dicas Importantes

  • Realizar colonoscopias de rastreamento periodicamente, especialmente após os 50 anos ou com histórico familiar de câncer.
  • Manter hábitos de vida saudáveis: alimentação equilibrada, prática de exercícios físicos e evitar tabagismo e alcoolismo.
  • Dieta rica em fibras e pobre em carnes processadas diminui o risco de formação de pólipos.
  • Seguir as recomendações médicas quanto ao acompanhamento e possíveis nova avaliação endoscópica.

Perguntas Frequentes

1. Quais são os sintomas mais comuns do adenoma túbulo viloso com displasia de baixo grau?

Normalmente, esses pólipos são assintomáticos. Quando há sintomas, podem incluir sangramento retal, alteração do hábito intestinal ou desconforto abdominal, mas esses sinais são mais frequentes em pólipos maiores ou com número elevado.

2. É possível transformar um adenoma de baixo grau em câncer?

Sim, embora o risco seja baixo, adenomas podem evoluir para câncer se não forem adequadamente tratados ou acompanhados ao longo do tempo, especialmente se apresentarem displasia de alto grau ou outras alterações avançadas.

3. Como prevenir a formação de adenomas colorretais?

A prevenção inclui uma alimentação saudável, controle do peso, prática regular de atividade física, evitar tabaco e álcool, além de realizar exames de rastreamento periodicamente.

4. Qual a importância da biópsia na avaliação de pólipos?

A biópsia ou remoção completa do pólipo é fundamental para determinar a sua natureza histológica, displasia e potencial de malignidade, orientando o tratamento adequado e o acompanhamento.

Conclusão

O adenoma túbulo viloso com displasia de baixo grau é uma condição que merece atenção, principalmente devido ao seu potencial de evolução para câncer colorretal. A sua identificação precoce, através de exames de rastreamento e avaliação endoscópica, permite intervenções precisas e eficazes. A remoção adequada e o acompanhamento constante são essenciais para garantir a prevenção do câncer, reforçando a importância de hábitos de vida saudáveis e do cumprimento das recomendações médicas.

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Gastroenterologia. Guia de Rastreamento de Câncer Colorretal. Available at: https://sbgo.org.br

  2. Zauber AG, et al. "Colonoscopic polypectomy and long-term prevention of colorectal-cancer deaths." N Engl J Med. 2012;366(8):687-696.

  3. Winawer SJ, et al. "Guidelines for colorectal cancer screening and surveillance." Gastroenterology. 2003;124(2):544-560.

  4. Rex DK, et al. "Colorectal cancer screening: recommendations for physicians and patients from the U.S. Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer." Gastroenterology. 2017;152(5):1022-1038.

Lembre-se: Se você tem histórico familiar ou outros fatores de risco, consulte seu médico para orientações específicas.