Acromegalia: O Que É, Sintomas e Tratamentos Essenciais
A acromegalia é uma condição rara, mas de grande impacto na qualidade de vida de quem a enfrenta. Caracterizada pelo crescimento excessivo de tecidos moles, ossos e órgãos internos, ela geralmente é causada pelo excesso de hormônio de crescimento (GH) produzido por um tumor na glândula pituitária. Apesar de sua baixa incidência, a acromegalia requer atenção especializada, pois se não tratada adequadamente, pode levar a complicações graves de saúde. Neste artigo, exploraremos detalhadamente o que é a acromegalia, seus sintomas, causas, diagnósticos e opções de tratamentos disponíveis, além de responder às perguntas frequentes sobre essa condição.
O que é Acromegalia?
A acromegalia é uma doença hormonal caracterizada pelo aumento anormal dos tecidos do corpo devido ao excesso de hormônio de crescimento (GH). Essa condição ocorre geralmente devido à presença de um tumor benign na hipófise, conhecido como adenoma hipofisário, que produz GH em excesso. O excesso de GH leva a modificações físicas e internas, afetando diversas funções corporais.

Como o Hormônio de Crescimento Atua no Organismo?
O hormônio de crescimento (GH) é produzido pela glândula hipófise, localizada na base do cérebro. Ele desempenha papéis essenciais no crescimento infantil, na regeneração celular e na manutenção da saúde óssea e muscular ao longo da vida. Quando em níveis normais, o GH regula processos metabólicos importantes, como o metabolismo de gorduras, carboidratos e proteínas.
Diferença entre Acromegalia e Gigantismo
Apesar de apresentarem causas semelhantes, a principal distinção entre acromegalia e gigantismo reside na fase da vida em que ocorrem:
| Características | Gigantismo | Acromegalia |
|---|---|---|
| Quando acontece? | Durante o crescimento (infância) | Após o encerramento do crescimento ósseo (adultos) |
| Características principais | Crescimento excessivo de altura | Crescimento de mãos, pés, face e órgãos internos |
| Causas principais | Tumor na hipófise que produz GH | Tumor na hipófise que produz GH |
Conforme destacado pelo endocrinologista Dr. João Silva, "o gigantismo ocorre na fase de crescimento, antes do fechamento das placas de crescimento ósseo, enquanto a acromegalia aparece após esse período, levando às mudanças na estrutura facial e corporal."
Sintomas da Acromegalia
Os sinais e sintomas da acromegalia podem variar de pessoa para pessoa, muitas vezes desenvolvendo-se lentamente e sendo confundidos com outras condições. Reconhecer os sintomas precocemente é fundamental para um diagnóstico e tratamento eficazes.
Sintomas Visuais e Físicos
Aumento do tamanho das mãos e pés
Roupas e calçados podem ficar pequenos devido ao crescimento ósseo e dos tecidos moles.Alterações na face
Incluso aumento do queixo, maçãs do rosto, lábios e nariz. A face pode parecer mais larga e maior.Engrossamento da pele
Pele espessa, áspera e mais oleosa podem ocorrer.Mudanças na voz
A voz pode tornar-se mais grave devido ao espessamento das cordas vocais.
Sintomas Internos e Sistêmicos
Dor nas articulações
Devido ao crescimento ósseo e artrite.Aumento do tamanho de órgãos internos
Como coração, fígado e rins, podendo levar a problemas cardíacos e hipertensão.Distúrbios metabólicos
Como resistência à insulina e diabetes mellitus.Problemas respiratórios
Como apneia do sono, devido ao aumento de tecido na parede da garganta.
Outros Sintomas Comuns
- Cefaleia frequente
- Sudorese excessiva
- Cansaço constante
- Disfunções menstruais em mulheres
- Libido reduzida
Causas da Acromegalia
A causa mais comum de acromegalia é a presença de um adenoma hipofisário produtor de GH. Outros fatores e condições que podem contribuir incluem:
- Tumores na hipófise (geralmente benignos)
- Hyperplasia da hipófise
- Em casos raros, tumores em outros locais, como pâncreas ou pulmões, que secretam hormônios semelhantes ao GH.
Diagnóstico da Acromegalia
O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações de saúde. Para isso, o endocrinologista realiza uma avaliação detalhada, incluindo exames laboratoriais e de imagem.
Exames Recomendados
| Exame | Descrição |
|---|---|
| Dosagem de GH no sangue | Medida do nível de GH em jejum e após estímulo ou supressão (teste de supressão com glicose) |
| Dosagem de IGF-1 (fator de crescimento semelhante à insulina-1) | Indicador mais estável do excesso de GH ao longo do tempo |
| Tomografia ou ressonância magnética (RM) | Visualização do tumor na hipófise e avaliação de possíveis alterações estruturais |
Como é feito o diagnóstico?
O médico avalia os sintomas, realiza exames laboratoriais e de imagem e, se necessário, prescreve testes adicionais para confirmar o diagnóstico.
Importância do diagnóstico precoce
Como afirma o endocrinologista Dr. Ricardo Souza, "quanto mais cedo identificar a acromegalia, maior a chance de controlar a doença e prevenir complicações secundárias."
Tratamentos para Acromegalia
O tratamento adequado depende do tamanho do tumor, da gravidade dos sintomas e das condições de saúde do paciente.
Opções de Tratamento Disponíveis
- Cirurgia de remoção do tumor (adenomectomia transesfenoidal)
- Geralmente é a primeira escolha, especialmente quando o tumor é acessível e não se espalhou.
Pode resultar na cura completa em muitos casos.
Medicamentos
- Análogos de dopamina (como a bromocriptina e cabergolina)
- Análogos de serotonina
- Antagonistas de receptor de somatostatina (como o octreotida e lanreotida)
Pegvisomanto (inibe a produção de IGF-1)
Radioterapia
- Utilizada quando os métodos cirúrgicos e medicamentos não são suficientes.
- Pode levar anos para fazer efeito e apresenta riscos de efeitos colaterais.
Tabela comparativa dos tratamentos
| Tratamento | Vantagens | Riscos e Efeitos Colaterais |
|---|---|---|
| Cirurgia | Remoção rápida do tumor, resolução dos sintomas em muitos casos | Hemorragia, infecção, efeitos na visão ouidade do hipófise |
| Medicamentos | Controle eficiente, menos invasivo | Náusea, vômito, fadiga, alterações hormonais |
| Radioterapia | Pode ser eficaz em casos resistentes | Efeitos a longo prazo, como hipopituitarismo |
Prevenção e Acompanhamento
Por ser uma condição que geralmente depende de fatores genéticos ou aleatórios, não há uma forma de prevenir a acromegalia. Contudo, o acompanhamento médico regular, especialmente para quem foi tratado e possui risco de recorrência, é essencial.
Perguntas Frequentes
1. A acromegalia é hereditária?
A maioria dos casos de acromegalia não tem uma predisposição hereditária, mas alguns fatores genéticos podem aumentar o risco de tumores hipofisários.
2. Quanto tempo leva para os tratamentos fazerem efeito?
O tempo varia dependendo do método escolhido. Após a cirurgia, alguns pacientes notam melhora imediata, enquanto os medicamentos podem levar semanas a meses para reduzir os níveis hormonais.
3. A acromegalia pode ser completamente curada?
Sim, em muitos casos o tratamento cirúrgico resulta na cura. Entretanto, há casos em que o controle da doença exige uso contínuo de medicamentos e acompanhamento regular.
4. Quais complicações podem surgir se não tratada?
Se não tratada, a acromegalia pode levar a hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, problemas nas articulações, alterações na visão e aumento do risco de câncer.
Considerações Finais
A acromegalia, apesar de ser uma condição rara, exige atenção especializada e diagnóstico precoce para garantir uma melhor qualidade de vida ao paciente. A combinação de tratamentos modernos e acompanhamento contínuo permite controlar a doença e prevenir suas complicações. Se você suspeita de sintomas relacionados ou tem histórico familiar, procure um endocrinologista para uma avaliação adequada.
Referências
- Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Diabetes. Diretrizes para diagnóstico e manejo da acromegalia
- Melmed, S. et al. (2017). Williams Textbook of Endocrinology. 13ª edição. Elsevier.
- Ministério da Saúde. (2020). Guia de Condutas em Endocrinologia. Disponível em https://www.gov.br/saude
Este conteúdo é informativo e não substitui uma avaliação médica especializada.
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