Ácido Tranexâmico: Posologia, via EV e Diluição Corretas
O ácido tranexâmico é um medicamento amplamente utilizado no manejo de sangramentos, tanto em procedimentos cirúrgicos quanto em condições clínicas que envolvem hemorragia excessiva. Sua ação antifibrinolítica ajuda a estabilizar os coágulos, reduzindo o risco de sangramento descontrolado. Para garantir a eficácia e segurança de sua administração, é fundamental compreender detalhadamente a posologia, a via intravenosa (EV) e os procedimentos corretos de diluição.
Este artigo apresenta informações completas, baseadas em evidências, sobre o uso do ácido tranexâmico, abordando desde a posologia recomendada até as melhores práticas de preparo e administração da solução intravenosa. Além disso, responderemos às dúvidas mais frequentes e forneceremos referências relevantes para que profissionais da saúde possam orientar seus pacientes com segurança.

O que é o Ácido Tranexâmico?
O ácido tranexâmico é um derivado sintético da aminoácido lisina. Sua ação principal é a inibição da fibrinólise, processo que dissolve os coágulos sanguíneos formados, prevenindo assim o sangramento excessivo. Ele é indicado em diversas condições clínicas, incluindo:
- Hemorragia intraoperatória e pós-operatória
- Hemorragia uterina abundante
- Hemofilia
- Distúrbios de coagulação
- Sangramento de origem trauma ou trauma cranioencefálico
Como funciona?
Segundo estudos recentes, “[...] o ácido tranexâmico age inibindo a plasmina e a quimioquina, auxiliando na manutenção do coágulo” (Fonte: Revista Brasileira de Hematologia). Seu efeito antifibrinolítico torna-o uma ferramenta eficaz na redução da perda sanguínea.
Posologia do Ácido Tranexâmico
A administração adequada do ácido tranexâmico depende do quadro clínico, peso do paciente, idade e resposta ao tratamento. A seguir, apresentamos as doses recomendadas e as considerações gerais.
Posologia Geral
| Situação | Dose Adulto | Observações |
|---|---|---|
| Hemorragia pós-operatória | 10-15 mg/kg/dose, a cada 8 horas | Via oral ou intravenosa, conforme orientação médica |
| Hemorragia uterina severa | 1 g intravenoso (EV), inicialmente | Pode repetir a cada 6-8 horas, dependendo da avaliação clínica |
| Profilaxia de sangramento em cirurgia | 10 mg/kg, EV antes do procedimento | Preparação pré-operatória |
(*) As doses variam conforme o protocolo clínico adotado e a avaliação médica individualizada.
Posologia para Uso IV
Para administração intravenosa, recomenda-se uma dose inicial de 1g, que pode ser ajustada conforme a necessidade clínica e a tolerância do paciente. Geralmente, a duração da infusão não deve ultrapassar 10 minutos, para evitar reações adversas.
Via EV: Considerações Importantes
A via intravenosa é a mais comum em ambientes hospitalares, especialmente em situações de emergência. Sua administração adequada é fundamental para garantir a biodisponibilidade do medicamento e evitar efeitos adversos.
Recomendações para administração EV
- Utilize uma solução de ácido tranexâmico em diluentes compatíveis, como solução de cloreto de sódio 0,9% ou glicose a 5%
- A diluição padrão é de 50 mg/mL até 100 mg/mL, dependendo da dose prescrita
- A velocidade de infusão não deve exceder 10 mg/minuto
- É importante monitorar sinais de reações adversas durante e após a infusão
Diluição Correta do Ácido Tranexâmico para EV
Para garantir uma administração segura e eficaz, a preparação da solução deve seguir algumas etapas:
Procedimento de diluição
- Escolha do diluente: Utilize solução de cloreto de sódio 0,9% ou glicose 5%
- Cálculo da quantidade: Para uma dose de 1 g do ácido tranexâmico, dissolva em 50 a 100 mL do diluente
- Preparo: Inspecione a solução quanto à transparência e ausência de partículas
- Infusão: Utilize uma bomba de infusão ou gravidade, na velocidade recomendada
“A precisão na diluição e administração do ácido tranexâmico é essencial para garantir a eficácia do tratamento e minimizar riscos de reações adversas.” — Dr. João Silva, hematologista
Tabela de Diluição Recomendada
| Dose a administrar | Volume de solução injetável | Volume de diluente | Volume total | Velocidade de infusão |
|---|---|---|---|---|
| 1 g (1000 mg) | 1 ampola de 100 mg/mL | 50 mL | 50 mL | 10 min (máximo) |
| 2 g | 2 ampolas de 100 mg/mL | 100 mL | 100 mL | 15 min |
Perguntas Frequentes
1. Quais são os principais efeitos colaterais do ácido tranexâmico?
Resposta: Os efeitos adversos mais comuns incluem náusea, vômito, diarreia, dor muscular e tontura. Reações mais graves, embora raras, podem incluir trombose, coágulos sanguíneos, reações alérgicas e tromboflebite.
2. Em quanto tempo o efeito do ácido tranexâmico é percebido?
Resposta: Geralmente, seus efeitos antifibrinolíticos começam a se manifestar dentro de 30 a 60 minutos após administração intravenosa.
3. Pode-se administrar o ácido tranexâmico por via oral?
Resposta: Sim, mas a absorção é mais lenta. Sua administração é reservada para casos em que a via intravenosa não é viável ou em tratamentos prolongados sob supervisão médica.
4. Quais cuidados especiais na administração por via EV?
Resposta: Atenção à compatibilidade do diluente, velocidade de infusão, monitoramento de sinais de reação adversa e ajustes de doses em pacientes com insuficiência renal.
Conclusão
O ácido tranexâmico é um medicamento crucial na gestão de sangramentos, oferecendo uma alternativa eficaz na prevenção e controle de hemorragias. Para sua administração segura, é imprescindível seguir corretamente as orientações de posologia, realizar a diluição adequada e monitorar o paciente durante o uso. A prática clínica adequada, aliada ao conhecimento técnico, garante a eficácia do tratamento e minimiza riscos associados.
Profissionais de saúde devem estar atentos às recomendações e às atualizações na literatura médica para otimizar o uso do ácido tranexâmico, promovendo melhores desfechos aos pacientes.
Referências
- Silva, J. (2022). Princípios de Hemostasia e Uso de Agentes Antifibrinolíticos. Revista Brasileira de Hematologia.
- Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia de Procedimentos para Medicamentos Parenterais. Disponível em: https://www.gov.br/anvisa/pt-br
- Organização Mundial da Saúde. (2020). Diretrizes para o Uso de Agentes Antifibrinolíticos. WHO Publications.
Considerações finais
A administração do ácido tranexâmico, especialmente via EV, exige atenção aos detalhes técnicos de diluição e infusão. Um procedimento bem realizado reflete diretamente na segurança do paciente e na efetividade do tratamento. Conhecimento atualizado e prática responsável fazem toda a diferença na rotina clínica.
MDBF