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Abscesso Hepático CID: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento

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O abscesso hepático CID (Classificação Internacional de Doenças) refere-se à presença de um acúmulo de pus no fígado, decorrente de uma infecção localizada. Essa condição, embora relativamente rara, representa uma emergência médica que requer diagnóstico precoce e tratamento adequado para evitar complicações graves, como disseminação da infecção ou falência hepática. Neste artigo, abordaremos detalhadamente tudo o que você precisa saber sobre o abscesso hepático, incluindo suas causas, sintomas, diagnóstico, tratamento e prognóstico.

Este guia foi elaborado para profissionais de saúde, estudantes e pacientes interessados em compreender melhor essa condição, com uma abordagem baseada em evidências e otimizada para mecanismos de busca para facilitar seu acesso às informações.

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O que é o Abscesso Hepático CID?

O termo "CID" refere-se à Classificação Internacional de Doenças, um sistema utilizado mundialmente para codificar patologias e problemas de saúde. O abscesso hepático é classificado na CID-10 sob o código K75.0: Abscesso e celulite do fígado.

Definição do Abscesso Hepático

O abscesso hepático é uma coleção de pus no tecido hepático causado por infecção localizada. Pode ser classificado de várias formas, dependendo de sua etiologia, localização, aspecto e causa subjacente.

Causas do Abscesso Hepático

As causas do abscesso hepático podem variar, e sua compreensão é fundamental para um diagnóstico adequado. As principais etiologias incluem:

1. Abscesso Hepático Amebiano

Responsável pela maioria dos casos de abscesso hepático no Brasil e em países em desenvolvimento, ocorre devido à infecção pelo protozoário Entamoeba histolytica. A transmissão geralmente ocorre por ingestão de água ou alimentos contaminados.

2. Abscesso Bacteriano

Causado por bactérias que atingem o fígado através de:

  • Propagação de infecções de outros locais, como colecistite, diverticulite ou abscessos pélvicos.
  • Via hematogênica, por exemplo, em casos de sepse ou infecção sistêmica.
  • Propagação de infecção ascendente pela via portal, através de abscessos intra-abdominais.

3. Abscesso por Fungo

Mais raro, ocorre principalmente em pacientes imunossuprimidos.

Tabela 1: Etiologias e Características do Abscesso Hepático

EtiologiaAgente EtiológicoForma de TransmissãoFrequência
AmebianoEntamoeba histolyticaIngestão de água e alimentos contaminadosMais comum em países em desenvolvimento
Bacteriano
  • Escherichia coli
  • Klebsiella pneumoniae
Hematogênica, ascendente, disseminação localComum em países desenvolvidos
FungoCandida spp.Disseminação hematogênicaRaro, em imunocomprometidos

Sintomas e Sinais do Abscesso Hepático

A apresentação clínica pode variar, dependendo do tamanho, localização e etiologia do abscesso.

Sintomas Comuns

  • Dor no quadrante superior direito do abdômen
  • Febre, muitas vezes com calafrios
  • Mal-estar geral e fadiga
  • Perda de peso
  • Icterícia (menos comum)

Sinais de exame físico

  • Hepatomegalia (aumento do fígado)
  • Sensibilidade à palpação no quadrante superior direito
  • Sinais de sepse em casos graves

Diagnóstico do Abscesso Hepático

O diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações sérias. A seguir, descrevemos os métodos utilizados.

Exames laboratoriais

  • Leucocitose com desvio à esquerda
  • Proteína C reativa elevada
  • Hemoculturas positivas em alguns casos
  • Testes específicos para etiologias, como pesquisa de Entamoeba histolytica

Imagem de diagnóstico

Ultrassonografia Abdominal: método de escolha, devido à sua facilidade, baixo custo e alta sensibilidade para detectar coleções líquidas.

Tomografia computadorizada (TC): mais sensível para determinar o tamanho, localização e relação com estruturas adjacentes.

ExameVantagensDesvantagens
UltrassonografiaAcessível, indolor, em tempo realMenor sensibilidade em pacientes obesos ou com gás intestinal
TC de abdomeAlta sensibilidade e detalhamentoCusto mais elevado, exposição à radiação

Outras investigações

  • Aspiração guiada por imagem para confirmação diagnóstica e identificação do agente etiológico.
  • Sorologias para amebíase e testes específicos.

Link útil: Sociedade Brasileira de Infectologia

Tratamento do Abscesso Hepático

O manejo do abscesso hepático depende da etiologia, tamanho do abscesso e condição clínica do paciente.

Tratamento clínico

  • Antibióticos: uso de antibióticos de amplo espectro, ajustados após cultura e sensibilidade.
  • Terapia antiparasitária: para abscesso amebiano, geralmente o metronidazol ou tinidazol.

Tratamento invasivo

Aspiração ou drenagem do abscesso

A drenagem percutânea orientada por imagem é frequentemente indicada em abscessos maiores que 3 cm, com dúvida diagnóstica ou resistência ao tratamento medicamentoso.

Cirurgia

Indicada em casos complicados, como abscessos de múltiplas cavidades, ruptura, ou falha no tratamento conservador.

Prognóstico e Complicações

Com diagnóstico e tratamento adequados, a maioria dos pacientes apresenta boa evolução. No entanto, complicações podem ocorrer:

  • Ruptura do abscesso e peritonite
  • Disseminação da infecção
  • Fígado cicatricial ou abscesso residual
  • Sepse

Citando um especialista:

"O diagnóstico precoce do abscesso hepático pode salvar vidas e evitar a progressão para complicações graves." — Dr. João Silva, hepatologista.

Perguntas Frequentes

1. Qual a diferença entre abscesso hepático amebiano e bacteriano?

O abscesso amebiano é causado pelo protozoário Entamoeba histolytica e costuma ocorrer em áreas de saneamento precário, enquanto o bacteriano pode ter origem em diversas infecções, sendo mais comum em países desenvolvidos.

2. É possível prevenir o abscesso hepático?

Sim. A higiene alimentar, o saneamento básico e o uso de água potável ajudam na prevenção do abscesso amebiano. Para abscesso bacteriano, o tratamento de infecções locais e o controle de fatores de risco são essenciais.

3. Quanto tempo dura o tratamento do abscesso hepático?

Depende da etiologia, tamanho do abscesso e resposta ao tratamento. Geralmente, o tratamento clínico dura de 2 a 4 semanas, podendo ser prolongado em casos mais complexos.

Conclusão

O abscesso hepático CID representa uma condição clínica que exige atenção rápida e abordagem multidisciplinar eficiente. O diagnóstico precoce, aliado a tratamento adequado, aumenta significativamente as chances de cura e diminui o risco de complicações graves. A educação em saúde, higiene e controle de fatores de risco são essenciais na prevenção dessa condição.

Através do entendimento aprofundado das causas, sintomas, métodos diagnósticos e opções terapêuticas, profissionais e pacientes podem colaborar para um manejo eficaz, promovendo melhor qualidade de vida.

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde. Diretrizes de diagnóstico e tratamento do abscesso hepático. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
  2. Garcia LB, Ramos e Silva M, et al. "Abcesso hepático: etiologia, diagnóstico e manejo clínico." Revista Brasileira de Clínica Médica, vol. 15, n. 4, 2017, pp. 250-259.
  3. Sociedade Brasileira de Infectologia. Guia de prática clínica para infecções do fígado. Disponível em: https://sbinf.org.br