Abscesso CID 10: Guia Completo para Diagnóstico e Tratamento
O abscesso é uma condição clínica caracterizada pela formação de uma coleção de pus localizada dentro de um tecido, órgão ou espaço do corpo, geralmente causada por uma infecção bacteriana. No Sistema de Classificação Internacional de Doenças (CID 10), os abscessos são classificados de acordo com a sua localização e etiologia, facilitando o diagnóstico, o registro estatístico e o planejamento de ações de saúde pública. Este artigo tem como intuito oferecer um guia completo sobre o abscesso CID 10, abordando aspectos de diagnóstico, classificação, tratamento, além de fornecer informações essenciais para profissionais de saúde e familiares que lidam com essa condição.
O que é um abscesso?
O abscesso é uma resposta do organismo à infecção, que resulta na formação de uma cavidade cheia de pus constituída por leucócitos mortos, bactérias, tecido necrosado e outros detritos. A presença de um abscesso pode causar dor, inchaço, vermelhidão e febre, dependendo de sua localização e gravidade.

Classificação do abscesso no CID 10
No CID 10, os abscessos são classificados predominantemente na seção "Infeções e parasitose" (A00-B99), especificamente na categoria "Abscessos, furúnculos e escicelites" (L02). Cada tipo de abscesso possui seu código específico, facilitando o diagnóstico e a documentação.
Tabela 1: Códigos CID 10 para abscessos comuns
| Tipo de Abscesso | Código CID 10 | Descrição |
|---|---|---|
| Abscesso cutâneo e subcutâneo | L02.0 | Abscesso, furúnculo e escicelidade da pele e do subcutâneo |
| Abscesso do lábio | K11.7 | Abscesso do lábio |
| Abscesso perianal | K61.0 | Abscesso perianal |
| Abscesso cerebral | G06.0 | Abscesso cerebral |
| Abscesso pulmonar | J85.0 | Abscesso do pulmão |
| Abscesso hepático | K75.0 | Abscesso do fígado |
| Abscesso dental | K04.0 | Abcesso dental (periapical) |
Etiologia e fatores de risco
Causas comuns de abscesso
O principal agente etiológico dos abscessos é a bactéria Staphylococcus aureus, incluindo cepas resistentes à meticilina (MRSA). Outros patógenos incluem Streptococcus spp., anaeróbios e miscros.
Fatores de risco
- Higiene inadequada
- Feridas não tratadas adequadamente
- Sistema imunológico comprometido
- Diabetes mellitus
- Cirurgias recentes ou procedimentos invasivos
- Uso de drogas injetáveis
Diagnóstico do abscesso CID 10
Avaliação clínica
Os sinais e sintomas variam conforme a localização, mas geralmente incluem:
- Dor localizada
- Inchaço e sensibilidade
- Vermelhidão e calor na pele
- Febre e mal-estar em casos graves
Exames complementares
- Aparelho de ultrassonografia: auxilia na visualização do abscesso, especialmente em regiões profundas.
- Exames laboratoriais: hemograma completo, cultura de pus para identificação do patógeno.
- Imagem por tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética, indicadas em abscessos internos como no cérebro, pulmão ou fígado.
Pergunta frequente
Como diferenciar um abscesso de uma inflamação comum?
Resposta: Um abscesso geralmente apresenta uma massa endurecida, sensível, avermelhada e com pus, além de potencial febre, diferentemente de uma inflamação comum, que pode ter dor e inchaço, mas sem formação de pus ou cavidade.
Tratamento do abscesso CID 10
Abordagem clínica
O tratamento visa eliminar a infecção, aliviar a dor e promover a cicatrização. As principais etapas incluem:
1. Incisão e drenagem
A drenagem adequada é fundamental. Deve ser realizada por profissional capacitado, assegurando a retirada de toda a coleção de pus e promover a cura adequada.
2. Uso de antibióticos
Os antibióticos são indicados em abscessos extensos, que apresentam sinais de disseminação ou em pacientes imunocomprometidos. Tipicamente, são utilizados conforme a sensibilidade da bactéria isolada.
3. Cuidados locais
- Higiene adequada
- Cobertura com curativos estéreis
- Controle da dor
Tabela 2: Exemplos de medicamentos utilizados no tratamento de abscessos
| Classe de Medicamento | Exemplos | Indicação |
|---|---|---|
| Penicilinas (antibióticos) | Amoxicilina, Penicilina G | Infecções por gram-positivos |
| Ciscações de risco (MRSA) | Vancomicina, Linezolida | Abscessos por MRSA |
| Cefalosporinas | Cefalexina, Ceftriaxona | Infecções mistas ou suspeitas de resistance |
| Sulfonamidas (quando indicado) | sulfametoxazol + trimetoprima | Infecções complicadas |
Cuidados pós-procedimento
- Monitoramento da cicatrização
- Reavaliação médica para ajustes de antibióticos
- Aquecer o local (compresas mornas) para facilitar a cicatrização
Quando procurar atendimento médico imediatamente?
Algumas situações requerem atenção médica urgente, como:
- Presença de febre alta persistente
- Aumento do inchaço ou dor intensa
- Desenvolvimento de sinais de sepse
- Abscesso em áreas sensíveis, como próximo aos olhos ou no cérebro
- Falha na cicatrização após drenagem
Prevenção do abscesso
- Manter boa higiene pessoal e da pele
- Tratar feridas e cortes adequadamente
- Controlar doenças que comprometem o sistema imunológico
- Evitar uso de drogas injetáveis de forma não higiênica
Perguntas Frequentes
1. Qual o tempo de recuperação após drenagem de abscesso?
Geralmente, a recuperação varia de acordo com o tamanho e localização do abscesso, porém, a cicatrização pode ocorrer em cerca de 7 a 14 dias após o procedimento adequado.
2. É possível prevenir o abscesso com vacinas?
Atualmente, não há vacina específica contra abscessos, mas vacinas como a antitetânica ajudam na prevenção de infecções em feridas.
3. Quando o abscesso pode formar uma fístula?
Se não tratado adequadamente, o abscesso pode evoluir para uma fístula, que é uma conexão anormal entre tecidos ou órgãos, demandando intervenções cirúrgicas mais complexas.
Conclusão
O abscesso CID 10 é uma condição de origem infecciosa que, se não manejada adequadamente, pode levar a complicações sérias. O diagnóstico precoce, a drenagem adequada, o uso racional de antimicrobianos e os cuidados de suporte são essenciais para garantir uma recuperação rápida e eficiente. Profissionais de saúde precisam estar atentos às variações de localização e gravidade, adotando condutas específicas para cada caso. Como disse o renomado infectologista Dr. Pedro N. Curi, "A prevenção e o tratamento adequado do abscesso são essenciais para evitar complicações que podem colocar a vida do paciente em risco."
Referências
Organização Mundial da Saúde. CID-10: Classificação Internacional de Doenças. Organização Mundial da Saúde, 2019.
Silva, A. P., & Oliveira, R. M. (2020). Infecções bacterianas e abscessos: diagnóstico e manejo clínico. Revista Brasileira de Infectologia, 24(3), 215-223.
Ministério da Saúde. Protocolo de atenção à saúde do paciente com abscesso. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
“O segredo para o sucesso na resolução do abscesso está na oportunidade do diagnóstico e na intervenção precisa e eficaz.”
MDBF